
O corpo do sanfoneiro Mestre Camarão foi enterrado na tarde desta quarta-feira (22) no Cemitério Dom Bosco, em Caruaru, Agreste pernambucano. Como havia pedido, está ao lado dos restos mortais dos avós maternos, de tios e do pai. A cerimônia foi acompanhada por familiares, amigos e artistas, ao som de sanfoneiros e cantores.
Presente ao sepultamento, o cantor e compositor Maciel Melo declarou que a dor da morte é amenizada pela obra deixada. “A gente está perdendo os grandes mestres. Perdemos Dominguinhos, perdemos Arlindo e agora Camarão. É uma perda que não é tanta porque ficou um legado muito grande. Todos os sanfoneiros que eu conheço, pelo menos, todos eles são ‘alunos’ de Camarão, são ‘alunos’ de Dominguinhos”.
O músico Ednaldo Alves Ferreira, 67 anos, conhecido como “Menininho”, é irmão caçula de Camarão. Ele destacou o quanto o sanfoneiro – nascido no município de Brejo da Madre de Deus – também amava a “Capital do Forró”. “Até nos sonhos ele via Caruaru. Foi morar no Recife por conta do trabalho, mas a paixão era Caruaru. Sempre disse que queria ser enterrado aqui. Meu irmão dizia que, quando estava doente e vinha pra cá, voltava melhor”.
Mestre Camarão nasceu em 23 de junho de 1940 e morreu na terça-feira (21) de infecção generalizada, no Recife, aos 74 anos, deixando esposa, quatro filhos e netos. De acordo a família do artista, ele estava internado há seis dias no Hospital Santa Joana, no bairro do Derby, área central do Recife, onde tratava uma infecção intestinal.

Trajetória – Mestre Camarão aprendeu a tocar sanfona observando os movimentos do pai, o sanfoneiro Antônio Neto, e se aperfeiçoou ouvindo Luiz Gonzaga e estudando os métodos de Mário Mascarenhas. Iniciou a carreira artística em Caruaru. Ele tocava nas feiras e festas da região e pediu para ser enterrado nesta cidade.
Aos 18 anos, conheceu Luiz Gonzaga, com quem participou de 28 gravações, entre discoslong plays, 78 rotações e CDs. Camarão formou com os músicos Jacinto Silva e Ivanildo Leite o primeiro conjunto musical, o Trio Nortista e, em 1968, criou o primeiro grupo de forró do Brasil, a Banda do Camarão, e ainda a Orquestra Sanfônica de Caruaru.
O repertório era composto por ritmos regionais como xote, xaxado, baião, forró e arrasta-pé. Mestre Camarão costumava a acompanhar grandes nomes da música nordestina, como Dominguinhos, Santanna, Marinês, entre outros.
Em 1961, representou Pernambuco junto ao Mestre Vitalino no primeiro aniversário de Brasília, a convite do então presidente da República, Jânio Quadros. Em 2002, foi a São Paulo apresentar-se no projeto Sanfona Brasil. Em 2004, participou do projeto “O Brasil da Sanfona”.
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