Coragem em pedaços

Quando a vida nos quebra por dentro, mas nos reconstrói por inteiro

Por Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Imagem: Pinterest

E é assim: refazendo, desapegando, gerando atalhos que seguimos. Nos fazendo fortes, quando, na verdade estamos em frangalhos. Às vezes é rasgando e remendando, quebrando e reconstruindo que saímos adiante! A vida nos exige coragem. Rosely Meirelles.

Às vezes a vida não avisa. Ela chega bagunçando planos, desmontando certezas, mudando rotas que julgávamos definitivas. Somos obrigados a refazer caminhos, desapegar do que já não cabe mais, inventar atalhos para continuar seguindo — mesmo quando o coração ainda tropeça nos escombros do que ficou para trás.

Há dias em que nos mostramos fortes para o mundo, mas por dentro estamos em frangalhos. E não há nada de errado nisso. A força nem sempre nasce da estabilidade; muitas vezes ela surge justamente no meio do caos, quando seguimos mesmo cansados, quando respiramos fundo e damos mais um passo sem saber ao certo onde vamos chegar.

É rasgando e remendando que aprendemos a cuidar das próprias feridas. É quebrando que descobrimos novas formas de reconstruir. Cada queda deixa marcas, sim — mas também nos revela habilidades que desconhecíamos: a de recomeçar, a de resistir, a de florescer em terrenos improváveis.

A vida nos exige coragem. Não a coragem heroica das grandes conquistas, mas aquela silenciosa, cotidiana, que aparece ao levantar da cama depois de uma noite difícil. A coragem de dizer “não” ao que dói demais, de soltar o que pesa, de permanecer fiel a si mesmo mesmo quando tudo parece instável.

Recomeçar não é sinal de fraqueza. É prova de que ainda há esperança pulsando, mesmo entre os cacos. É o gesto bonito de quem entende que não precisa estar inteiro para seguir — basta continuar.

Porque, no fim, seguimos assim: refazendo, desapegando, costurando a alma com linhas invisíveis… e descobrindo, pouco a pouco, que a coragem é o que nos mantém vivos no caminho.

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