Como surgiu o Carnaval e por que ele ficou tão popular no Brasil?

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Por Folha de S.Paulo

Bloco Infantil Folia de Bonequins, que aconteceu na Rua Madre Cabrini, na Vila Mariana, São Pulo, em 2020 – Foto: Gabriel Cabral/Folhapress

Carnaval chegou e você já está de fantasia e com confete na mão. Mas sabia que ele não foi sempre assim? Não se sabe bem quando a festa surgiu, mas acredita-se que suas origens são da Idade Antiga ou da Idade Média — ou seja, muito tempo atrás, quando nem havia esse nome ainda.

E, apesar de abrigar um dos maiores carnavais do mundo — o da Marquês da Sapucaí, no Rio de Janeiro —, o Brasil não foi o criador dele. Neste ponto, também faltam dados. Há registros que remontam à festa na Babilônia, civilização que se desenvolveu onde hoje é o Iraque, mas é tudo muito incerto.

Sabe-se que a festa era um ritual pagão, isto é, de uma tradição que cultuava vários deuses, e saudava a fertilidade na agricultura, ou seja, uma boa colheita. Por isso, ele acontece próximo ao fim do inverno e início da primavera no hemisfério Norte — que, no Sul (onde o Brasil está), corresponde ao fim do verão e início do outono.

Por aqui, ele chegou com os colonizadores portugueses e, é claro, seguindo o modelo da festa na Europa. “O Carnaval entrou no calendário gregoriano [o que usamos] pela Igreja Católica, que se apossou da festa”, afirma José Maurício Conrado, professor e pesquisador de cultura e linguagens da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo.

Tanto é que um dia depois do fim do Carnaval, na Quarta-feira de Cinzas, começa a Quaresma, que é quando cristãos costumam fazer algum sacrifício durante 40 dias.

Isso remete ao período em que Jesus Cristo vagou pelo deserto até ser crucificado e ressuscitar. “É quase como se a Igreja tivesse incorporado o Carnaval, permitindo que as pessoas se divertissem, exagerassem, mas, depois, deveriam se sacrificar”, diz Conrado.

Carnaval da Bahia – Bloco Beleza Rara/Banda Eva – Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

Entrudo

“Quando os portugueses trouxeram a festa para o Brasil, ela se chamava Entrudo”, diz o especialista em Carnaval. A palavra se refere à festa realizada em Portugal em que as pessoas jogavam baldes de água, ovos e outros ingredientes nas outras nos três dias que antecedem a Quaresma. Por lá, aliás, ainda se realiza o Entrudo.

Segundo o especialista em Carnaval, ele era uma tradição “um pouco grotesca”, que passou por uma transformação em terras brasileiras. “A corte começou a olhar para o que ocorria em locais como Veneza, na Itália, e na França, com as máscaras e alegorias, uma versão mais civilizada”, conta Conrado.

Assim, continua o especialista, o Carnaval foi se tornando elitista, das pessoas mais ricas, mas diversas comemorações também ocorriam em grupos à margem da sociedade, muito influenciadas pelos africanos escravizados.

O samba foi surgindo e entrando na festa e, já mais perto da nossa época, em 1932, no Rio de Janeiro, foi realizado o primeiro desfile oficial de escolas de samba — embrião do que hoje vemos na avenida, transmitido na TV.

Reinaldo Bruno Alves, bibliotecário do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e especialista em Carnaval, destaca a importância dos escravizados no desenvolvimento do Carnaval que conhecemos hoje, com samba e dança. “Mas foi só mais tarde, por volta dos anos 1970, que as escolas passaram a falar de orixás, divindades de religiões africanas e brasileiras”, diz.

Blocos e matinês

Além dos desfiles das escolas de samba, são tradicionais também por aqui os blocos e os bailes de clubes e casas de show — que costumam ser chamados de bloquinhos e matinês, respectivamente, na versão infantil.

Nos blocos, um grupo de músicos tocando marchinhas e outras músicas típicas da festa comanda os foliões, que vão na frente, atrás e ao lado pulando e dançando. Eles podem ser parados, sem sair do lugar, ou circular pelos bairros.

Desfile da Imperatriz Leopoldinense durante amanhecer do carnaval de 2024, na Marquês de Sapucaí, no Rio – Foto: Marco Terranova/Riotur

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