Por Ivan Silva
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Senhor do Bonfim atravessa um momento crítico na gestão dos recursos públicos. R$ 40 milhões já foram liberados e estão disponíveis nas contas da Prefeitura, com a previsão de liberação de mais R$ 45 milhões ao longo de 2026, totalizando R$ 85 milhões em empréstimos autorizados pela Câmara Municipal. Mesmo com apenas a primeira parcela efetivamente liberada, a condução desse dinheiro levanta sérias dúvidas sobre planejamento, legalidade e transparência.
A autorização do empréstimo passou pela Câmara Municipal mediante um acordo político que causa estranheza: cada vereador da base do governo teria direito a indicar cerca de R$ 2 milhões em obras. O resultado é um modelo que fragiliza o planejamento urbano, substitui critérios técnicos por interesses políticos e transforma o orçamento público em instrumento de barganha.
A primeira parcela, R$ 40 milhões, já liberada pela Caixa Econômica Federal, começou a ser utilizada em obras de pavimentação. No entanto, essas intervenções se baseiam em uma licitação realizada ainda em 2024, que previa o asfaltamento de apenas 13 ruas, com valor global inferior a R$ 3 milhões — uma parcela mínima do montante já disponível. Isso reforça a percepção de que o município não possuía projetos executivos suficientes quando buscou o empréstimo.
No dia 14, foram iniciadas obras na Rua Campo Formoso e na segunda etapa da Rua Voluntários da Pátria, no Alto da Maravilha. Cabe registrar que a primeira etapa da Rua Voluntários da Pátria foi executada com recursos de emenda parlamentar do deputado federal Elmar Nascimento, e não com recursos próprios do município.
O que mais chama atenção é a forma como a gestão municipal vem fragmentando os anúncios da pavimentação asfáltica, permitindo que vereadores divulguem isoladamente as obras que indicaram, sem qualquer anúncio oficial consolidado por parte da Prefeitura. Até agora, os vereadores Babão, Cleiton Vieira, Biro Biro e Socorro do Pelé foram os primeiros a anunciar suas obras.
Nos bastidores, o cenário é ainda mais preocupante. Um vereador da base do governo, que pediu para não ser identificado, criticou duramente a forma como o processo foi conduzido e afirmou que nem os próprios vereadores sabem, de fato, quais ruas serão asfaltadas. Segundo esse parlamentar, o anúncio oficial só deverá acontecer quando o prefeito decidir se pronunciar, já que, até o momento, aparentemente apenas ele detém o controle total das informações.
Enquanto isso, até esta segunda-feira (20), a Prefeitura ainda não apresentou oficialmente:
- a lista completa das ruas que serão pavimentadas;
- o custo individual de cada obra;
- a metragem prevista;
- o cronograma de execução.
Além da ausência de informações, há indícios de descumprimento da legislação. Mesmo onde houve início de obras, a execução tem sido alvo de críticas. Na segunda etapa da pavimentação da Rua Voluntários da Pátria, menos de 200 metros ficaram sem asfaltar, deixando a obra incompleta e provocando revolta entre moradores, além de questionamentos sobre a qualidade do serviço.
O silêncio do Legislativo também chama atenção. Vereadores da base e da oposição permanecem calados, enquanto comemoram, de forma isolada, as obras que indicaram. A condução centralizada das informações reforça a sensação de que o planejamento não é coletivo, nem transparente, mas concentrado em uma única figura.
Diante desse cenário, a pergunta permanece sem resposta: A Prefeitura de Senhor do Bonfim contraiu autorização para um empréstimo de R$ 85 milhões sem ter os projetos executivos prontos e sem compartilhá-los com a sociedade e nem com o próprio Legislativo?
Dentro desse pacote financeiro também está a promessa da construção do Centro Administrativo, uma obra de grande porte que, até agora, existe apenas no discurso oficial.
Dinheiro público exige planejamento, transparência e respeito à lei. Com R$ 40 milhões já liberados, a população cobra não apenas obras, mas respostas claras, documentos públicos e o fim da gestão no escuro.












