Educação financeira deficiente dificulta aos pais lidarem com as demandas de crianças e adolescentes, cada vez mais acentuadas pelas redes sociais
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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As famílias brasileiras alcançaram, em fevereiro, o patamar de 80% de endividamento, o maior já registrado pela Confederação Nacional do Comércio, de Bens, Serviços e Turismo na “Pesquisa Nacional de endividamento Inadimplência do Consumidor”. Em um período no qual os gastos com matrículas e material escolar pressionaram o orçamento das famílias, uma questão desafia a gestão das despesas da casa: como gerenciar a pressão de crianças e adolescentes, cada vez mais seduzidos pelos apelos de consumo das redes sociais.
Um levantamento realizado pela Dinx – ecossistema gamificado de educação financeira para crianças – revelou que a maior parte dos pais não tiveram educação financeira e têm dificuldades em gerenciar suas próprias despesas. Por isso, não sabem como educar seus filhos nessa direção.
“A maioria dos pais acha que educação financeira é ensinar a calcular juros. Não é. É ensinar a escolher, a esperar, e a lidar com o não. Só que quase ninguém aprendeu isso na própria infância, então, muitas vezes, não sabemos como ensinar”, afirma Gabriel Araujo, CEO da Dinx.
A especialista em educação financeira Lúcia Stradiotti, head de Educação e Metodologia da Dinx, observa que as redes sociais são uma vitrine de produtos para as crianças, ao mesmo tempo que, na escola, há uma competição para ver quem tem a mochila mais legal ou o melhor tênis e roupa. “Há uma competição do pertencimento junto ao grupo de crianças dos 7 aos 12 anos, o que amplia a pressão por consumo nessa faixa etária”, analisa Lúcia, ao acrescentar que a pressão por consumo atinge as crianças já a partir dos 2 ou 3 anos.
Segundo estudo realizado pelo Instituto Ipsos em outubro de 2025, em 15 países, incluindo o Brasil, as famílias com crianças têm maior propensão a sentir que estão gastando além do ideal em diversas frentes, e tendem a enfrentar uma pressão financeira maior do que aquelas que não têm filhos, em diversas categorias de produtos, como alimentos, roupas e calçados, viagens, entretenimento fora de casa, entre outros.
Datas que movimentam o varejo, como a Páscoa, ou mesmo uma simples visita ao supermercado, por exemplo, aguçam o desejo e estimulam a compra por impulso, tornando as famílias mais propensas a se endividarem. Na avaliação da pedagoga, é preciso que pais e filhos aprendam juntos a lidar com essas situações. “Toda a família precisa repensar, em conjunto, a relação com o dinheiro”, recomenda a head de Educação e Metodologia da Dinx.
Um ponto a observar é que a educação financeira vai muito além de avaliar o que é ‘caro ou barato’ ou se dá para parcelar ou não. “A compreensão do valor do dinheiro, o papel do planejamento e o estabelecimento de prioridades são pilares fundamentais para que a pessoa seja capaz de lidar com as suas necessidades”, explica Lucia Stradiotti. “Aos poucos, e respeitando o desenvolvimento de cada idade, os pais precisam ensinar o valor das escolhas e as consequências que elas trazem. É também o momento de lidar com a frustração quando um desejo não pode ser realizado”.
Nessas situações, os pais podem aproveitar para conversar sobre escolhas, prioridades e espera. “Educação financeira começa justamente nesses momentos cotidianos, quando ajudamos a criança a pensar antes de decidir”, afirma Lucia, ao destacar que essas situações também convidam a família inteira a repensar sua relação com o consumo.












