Pernambucano da Campina do Barreto, atacante de 21 anos superou dificuldades, vendeu salgados para ajudar no sustento da família e até pedalou 64 quilômetros para não perder um treino.
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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A história de Túlio Eduardo, atacante de 21 anos da Chapecoense, é marcada por determinação, sacrifícios e muita vontade de vencer. Natural de Pernambuco e criado na Campina do Barreto, bairro humilde da Zona Norte do Recife, o jogador precisou superar diversos obstáculos até chegar à Série A do Campeonato Brasileiro.
Um dos episódios que melhor simbolizam sua trajetória aconteceu em 1º de maio deste ano. Na época defendendo o Decisão-PE, Túlio precisava viajar até Goiana, a 64 quilômetros do Recife, para participar de um treinamento na véspera de um jogo da Série D. Uma forte chuva provocou alagamentos e impediu que ele seguisse de carro com o sogro.
A solução? Túlio pegou uma bicicleta e pedalou os 64 quilômetros para não faltar ao treino.
“Eu vou”, teria respondido quando encontrou uma maneira de chegar ao compromisso. Para a irmã, Tayrini, aquele episódio resume bem a personalidade do jogador: alguém que não desiste diante das dificuldades.
Antes de chegar à elite, porém, Túlio precisou lutar muito. Há cerca de dois anos, conciliava os treinamentos com a venda de salgados ao lado da esposa, Joyce Fernanda. Vendia cachorro-quente, pastel e coxinhas para ajudar no sustento da família.

A paixão pelo futebol, entretanto, falou mais alto. Ele decidiu apostar tudo na carreira e seguir o sonho de se tornar jogador profissional.
Criado nos campos de várzea da Campina do Barreto, Túlio começou jogando como volante e, ainda adolescente, já chamava a atenção dos treinadores pela dedicação, força e habilidade. “Quando aqui era lama, ele vinha, não faltava”, lembra um de seus antigos técnicos.
A caminhada passou por clubes como Retrô, Íbis, Santa Cruz, Rio Grande SAF, Nação, Baraúnas, Bandeirante e Decisão, até chegar à Chapecoense.
No caminho, também enfrentou momentos dolorosos. Perdeu o avô Severino, seu grande incentivador no futebol, e mesmo vivendo o luto precisou entrar em campo. A família conta que ele também enfrentou a perda da avó, sem poder se despedir pessoalmente porque estava cumprindo compromissos com o futebol.

Agora, todo esse esforço começa a ser recompensado. Anunciado pela Chapecoense em julho, Túlio estreou no Brasileirão marcando gol contra o Coritiba, no Couto Pereira, e voltou a balançar as redes diante do Bahia, em Chapecó. Em apenas três partidas, já deixou sua marca duas vezes.
A distância entre Chapecó e Recife não diminuiu sua ligação com a comunidade onde tudo começou. Para familiares, amigos e antigos treinadores, Túlio continua sendo “o Túlio da Campina do Barreto”.
Sua história mostra que talento é importante, mas determinação, sacrifício e persistência também podem fazer a diferença.
Da várzea à Série A, dos salgados vendidos para ajudar em casa aos gols no principal campeonato do país, Túlio Eduardo está vivendo o sonho que nunca abandonou. E sua maior vitória talvez seja justamente esta: ter acreditado que era possível, mesmo quando o caminho parecia difícil demais.















