Petrolina transforma o Sertão em potência mundial da fruticultura irrigada

FONTE: O Antagonista

Às margens do Rio São Francisco, o polo Petrolina-Juazeiro lidera as exportações brasileiras, abastece mais de 50 países e se aproxima da marca de US$ 1 bilhão em vendas

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Petrolina reúne lavouras irrigadas em meio à paisagem do Sertão – 📷 Reprodução

Como uma cidade no meio do Sertão pernambucano virou o maior polo exportador de frutas do Brasil? Ao lado de Juazeiro, na Bahia, Petrolina lidera a produção irrigada do Vale do São Francisco, que em 2024 vendeu frutas para mais de 50 países e faturou perto de US$ 1 bilhão.

O polo Petrolina-Juazeiro reúne produtores de fruta irrigada às margens do Rio São Francisco, no Sertão. A região se estende por vários municípios de Pernambuco e da Bahia e junta mais de 200 empresas ligadas à exportação, segundo a Valexport, associação dos produtores. Segundo a Prefeitura de Petrolina, o carro-chefe são a manga e a uva de mesa.

O Vale do São Francisco chegou a responder por 98% a 99% das exportações brasileiras de uva em 2024, segundo dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Só de uva, a produção passa de 236 mil toneladas por ano.

Uma ponte, dois estados, dois fusos de cultura: o caso brasileiro em que a divisa estadual divide uma cidade ao meio – 📷 Wikipédia / Wikimédia Commons

A resposta está na combinação de água, sol e tecnologia. O Rio São Francisco garante irrigação o ano inteiro, e o clima seco, com pouca chuva e sol constante, evita muitas doenças de lavoura. Isso permite duas ou mais colheitas por ano, algo raro no Brasil.

Petrolina reúne lavouras irrigadas em meio à paisagem do Sertão – Imagem ilustrativa

Os principais compradores estão na Europa e nos Estados Unidos. Nos últimos anos, entraram novos mercados: China, Japão, Coreia do Sul e países do Oriente Médio. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco confirmou em 2024 a abertura do mercado asiático para a uva pernambucana, o que promete acelerar o crescimento. A janela mais forte de exportação vai de agosto a setembro, quando a produção do Vale atinge o pico.

FrutaDestaquePrincipais destinos
Manga
Variedades Tommy, Kent, Palmer
Líder nacionalEUA e Europa
Uva de mesa
Sem semente e com semente
98% do que o Brasil exportaEuropa e Ásia
Melão e melancia
Cultivo consorciado
Alta produtividadeHolanda e Reino Unido
Goiaba, banana e acerola
Mercado nacional forte
Complemento da cadeiaBrasil e Mercosul

Segundo estimativas do setor, entre 200 mil e 250 mil pessoas dependem direta ou indiretamente do polo Petrolina-Juazeiro. A fruticultura é um dos setores agrícolas que menos mecaniza e mais emprega. Colheita, embalagem, transporte, laboratórios e escritórios de exportação formam uma cadeia longa que sustenta cidades inteiras.

A Apex-Brasil, agência de exportação do governo federal, mantém um Centro de Excelência em Exportação de Frutas em Petrolina, em parceria com a Facape. O programa PEIEX já capacitou 275 empresas nos últimos 3 anos.

O maior gargalo é logístico. Quase nada da fruta sai pelo Porto de Suape, em Pernambuco. Os produtores preferem os portos de Pecém, no Ceará, Natal, no Rio Grande do Norte, e Salvador, na Bahia. A distância entre o campo e o cais chega a 800 km, o que encarece o frete e reduz a margem dos produtores. A aposta seguinte é a Ferrovia Transnordestina, ainda em obras, que promete cortar esse custo pela metade.

Junto com a abertura do mercado chinês para a uva e as novas variedades da Embrapa Semiárido, a expectativa é que Petrolina e o Vale do São Francisco ultrapassem o marco de US$ 1 bilhão em exportações nos próximos anos.

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