Câncer nos ossos: como detectar, entender e tratar

FONTE: Folha de S.Paulo

Um guia essencial sobre sinais de alerta, diagnóstico precoce e opções de tratamento do câncer ósseo

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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📷 Reprodução

Quando um paciente recebe um diagnóstico de câncer nos ossos, o cenário mais comum é que o novo tumor seja, na verdade, uma metástase, ou seja, a disseminação de um câncer que começou em outro órgão e atingiu partes do esqueleto. Isso é frequente, por exemplo, em casos de câncer de mama, de pulmão ou de próstata avançados.

Ainda assim, o tumor também pode começar no próprio osso, em diferentes tecidos que compõem o esqueleto. Quando isso acontece, ele é chamado de câncer ósseo. Embora raro, o câncer ósseo merece atenção especial, principalmente porque o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de tratamento bem-sucedido.

O câncer ósseo é um tipo incomum de câncer que começa quando células do osso passam a crescer de forma descontrolada. Quando o tumor tem origem no próprio osso, recebe o nome de câncer ósseo primário ou sarcoma ósseo, um grupo de tumores que também pode se desenvolver em músculos, tecidos fibrosos, vasos sanguíneos, gordura e outros tecidos.

É importante diferenciar o câncer ósseo primário, que começa no osso, das metástases ósseas, quando o tumor tem origem em outro órgão e se espalha para o esqueleto. Por exemplo: se um paciente tem uma metástase óssea de câncer de pulmão, ou seja, um tumor que começou no pulmão, mas que se espalhou para o osso, as células cancerígenas presentes no osso terão características parecidas com as do tumor no pulmão.

Nesse caso, o tratamento segue o protocolo da doença primária, que é o câncer de pulmão. As metástases podem ser descobertas junto ao diagnóstico inicial ou meses, até anos depois. No caso de o câncer primário ser no osso, ou seja, o tumor se desenvolveu no esqueleto, metástases em outros órgãos também podem ocorrer.

O diagnóstico do câncer ósseo começa pela atenção aos sinais e sintomas e pela realização de exames físicos e de imagem. No entanto, para confirmar a presença de um tumor maligno, é necessário analisar uma amostra de tecido ou células por meio de biópsia. A biópsia é fundamental não apenas para confirmar se o tumor é maligno, mas também para diferenciar entre câncer ósseo primário, metástases ósseas, tumores benignos e outras condições ósseas não relacionadas ao câncer. O diagnóstico preciso considera qual osso e qual parte dele foi afetada, como o tumor aparece nos exames de imagem e as características das células ao microscópio.

O primeiro passo para o diagnóstico é reconhecer os sinais de alerta. Embora incomum, o câncer nos ossos apresenta alguns sinais que não devem ser ignorados, como dor persistente no osso, fraturas, inchaço ou caroço, perda de peso e fadiga, além de sintomas neurológicos (formigamento, fraqueza ou perda de sensibilidades).

Além de conhecer os sintomas, é importante saber quais os fatores de risco para esse tipo de tumor. Os fatores de risco são condições que aumentam a probabilidade de desenvolver câncer ósseo. As principais são síndromes genéticas hereditárias raras, como Li-Fraumeni e retinoblastoma hereditário, doenças ósseas pré-existentes, como doença de Paget e displasia fibrosa, e tratamentos de câncer, incluindo radioterapia e alguns quimioterápicos.

Embora não haja exames de rastreamento amplamente recomendados para a população em geral, muitos casos de câncer nos ossos são descobertos em estágios iniciais, devido a sintomas como dor persistente ou inchaço que levam o paciente a procurar um médico.

Para quem tem risco aumentado, o acompanhamento médico regular pode ajudar na detecção precoce. “Observar sinais e sintomas é uma ferramenta valiosa para encontrar o câncer ósseo cedo e iniciar o tratamento mais rapidamente”, destaca o oncologista Rodrigo Coutinho.

“O diagnóstico precoce é o maior aliado contra a doença, permitindo um tratamento mais eficaz e maior bem-estar ao paciente e sua família. Por isso, informação é sempre o primeiro passo para cuidar da saúde”, finaliza Coutinho.

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