Bahia registra mais de 216 mil processos trabalhistas e figura entre os principais estados do Nordeste, aponta levantamento

FONTE: Antônio Anselmo

Mais de meio milhão de ações trabalhistas foram registradas somente em 2026

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Créditos: Freepik

Mais de 5 milhões de denúncias acerca do trabalho foram registradas no Brasil entre os anos de 2024 e 2026, segundo um levantamento inédito do Escavador. Em maio, o ‘Mês do Trabalhador’, é marcado pelo alto índice de ações trabalhistas entre as federações, fechando o primeiro quadrimestre do ano (2026) com mais de meio milhão de queixas – registrando um total de 760 mil processos.

Em meio às discussões na Câmara pelo fim da Escala 6×1, os processos acerca da jornada exaustiva do trabalhador, problemas com FGTS, férias, estágio, justa causa, aviso prévio, assédio moral e sexual, adicional de risco, gratificação, aposentadoria, seguro-desemprego, planos de saúde e até ‘trabalho aos domingos’ somam mais de 500 categorias de processos trabalhistas divulgadas pela plataforma.

Com pelo menos 183 mil processos rodando os tribunais brasileiros no mês de abril (2026), o primeiro quadrimestre do ano já superou o mesmo período em 2025, com uma diferença de +2,9 pontos percentuais. Diante do alto número de denúncias da classe trabalhadora, a preocupação das autoridades é não repetir a dose recorde de 2025, marcada por cerca de 2,23 milhões de ações trabalhistas.

No comparativo ao ano de 2024, em que o Brasil registrou 2 milhões de denúncias, o ano de 2025 representou um aumento de 8% no número de processos. Segundo a Coordenadora Jurídica e DPO da plataforma Escavador, Dalila Pinheiro, as dificuldades na readequação dos contratos durante o período de transição da escala 6×1, como a manutenção de salários, o redesenho das jornadas de trabalho e a compensação via banco de horas, podem potencializar o aumento de ações trabalhistas em 2026, caso não haja segurança jurídica e clareza nas novas regras.

“A preocupação, neste momento, é não repetir a escalada de 8,5% do número de processos, no comparativo entre 2024 e 2025. No entanto, a oscilação do humor do mercado, com as discussões do fim da Escala 6×1 e as alterações da NR-1 (que contemplam as diretrizes gerais da ‘Segurança e Saúde no Trabalho’ no Brasil), com os riscos psicossociais (saúde mental) agora avaliados durante o expediente, podem fazer com que o ano de 2026 seja um marco no número de processos da classe trabalhista”, explica Dalila Pinheiro.

No comparativo entre as regiões, o Sudeste tem se destacado por agrupar o maior número de denúncias, registrando a fatia de 51,9% dos processos. A avaliação do Escavador por região, referente ao período entre 2024 e 2026, mostra o Sudeste com 2,62 milhões de processos; seguido pelo Nordeste com 909 mil denúncias (18%); Sul, que concentra 770 mil ações (15,2%); o Centro-Oeste com 427 mil ações (8,4%); finalizando com a região Norte, que possui 314 mil processos (6,2%).

Ao mesmo tempo em que o Sudeste brasileiro se destacou por gerar o maior número de empregos em 2025, com 504 mil vagas, segundo dados do Novo Caged, a região também se destacou pelo maior número de queixas entre trabalhadores. Segundo o Escavador, os três primeiros estados do ‘ranking de processos trabalhistas’ compreendem São Paulo, com 1,6 milhões de processos entre 2024 e 2026, seguido por Rio de Janeiro (457 mil) e Minas Gerais (455 mil).

Para se ter uma noção, o estado de São Paulo recebeu 1,9 mil vezes mais denúncias do que o Acre, que aparece entre os últimos estados do ranking trabalhista, com apenas 844 processos. Após o top 3 estados do Sudeste, o ranking continua com Rio Grande do Sul (4º), com 328 mil ações; Paraná (5º), com 277 mil; Bahia (6º), com 216 mil processos; Goiás (7º), com 183 mil; Pernambuco (8º), com 183 mil; Santa Catarina (9º), com 164 mil; e Ceará (10º), com 139 mil ações trabalhistas registradas no período analisado.

Ainda de acordo com Dalila Pinheiro, do Escavador, o cenário atual revela que o trabalhador brasileiro está muito mais atento aos seus direitos. “Isso contribui para um aumento na busca por informações e na formalização das denúncias, refletindo uma maior conscientização no ambiente de trabalho. Em contrapartida, empresas e o setor público também podem mapear as principais denúncias relacionadas ao trabalho, implantando soluções inteligentes e efetivas na raíz do problema”, conclui a Coordenadora Jurídica.

  • São Paulo (SP) – 1.631.488
  • Rio de Janeiro (RJ) – 457.469
  • Minas Gerais (MG) – 455.520
  • Rio Grande do Sul (RS) – 328.984
  • Paraná (PR) – 277.398
  • Bahia (BA) – 216.224
  • Goiás (GO) – 183.207
  • Pernambuco (PE) – 183.076
  • Santa Catarina (SC) – 164.327
  • Ceará (CE) – 139.220
  • Pará (PA) – 122.846
  • Distrito Federal (DF) – 91.040
  • Mato Grosso (MT) – 85.833
  • Maranhão (MA) – 81.332
  • Amazonas (AM) – 79.625
  • Paraíba (PB) – 77.776
  • Espírito Santo (ES) – 76.008
  • Mato Grosso do Sul (MS) – 67.811
  • Rio Grande do Norte (RN) – 62.045
  • Sergipe (SE) – 57.384
  • Alagoas (AL) – 51.182
  • Piauí (PI) – 41.049
  • Amapá (AP) – 39.307
  • Rondônia (RO) – 34.800
  • Tocantins (TO) – 23.642
  • Roraima (RR) – 13.762
  • Acre (AC) – 844

  • Sudeste – 2.620.485
  • Sul – 770.709
  • Nordeste – 909.288
  • Centro-Oeste – 427.891
  • Norte – 314.826

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