Entre a luz e a sombra: A civilização em busca de sentido

Do domínio do fogo à era da inteligência artificial, a trajetória humana revela avanços extraordinários e profundos paradoxos — e reacende o chamado eterno por justiça, fé e consciência

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Imagem ilustrativa gerada por Inteligência Artificial

Dificilmente se poderá precisar com quantas alavancas a criatura humana construiu a atual civilização. Do berço das extintas culturas até os tempos presentes, o cérebro fez-se senhor quase que absoluto da marcha do progresso, aperfeiçoando ferramentas e dotando o ser de recursos para domínio do meio onde está inserido.

Perpassa pela memória ancestral os conflitos pela posse do fogo, as batalhas por alimentos, frutos e posse territorial, obrigando as primeiras tribos e clãs a se unirem em torno de interesses comuns.

A organização tribal em volta de uma liderança anciã, guerreiros másculos e o suporte da mulher na retaguarda ajudaram na ampliação do poder material, permitindo dilatação das fronteiras de cada povo. Soma-se a isso o surgimento da escrita, o domínio da metalurgia, a domesticação de animais e elaboração de um vasto conhecimento empírico, rudimentar à princípio, sofisticando-se ao longo das eras incontáveis.

A curiosidade abriu poderosas possibilidades de investigação, a inteligência na confecção de ferramentas agrícolas e armas, facultando domínio sobre grupos mais vulneráveis.

A base religiosa começava a se desenhar no cenário das percepções mais sutis da sensibilidade humana, convidando o ser a interpretar os símbolos da vida e da morte. Totens, mastabas, cerimônias fúnebres e templos para culto aos deuses passaram a imprimir diferente direção ao pensamento humano. E na ampulheta da história os milênios se dobraram vagarosos, mas nunca estagnados.

E num piscar de olhos, o arranha-céu substituiu a taba, a fagulha fez-se clarão, o algodão cobriu a nudez, a medicina erradicou enfermidades dolorosas, o trigo alimentou multidões e as armas decidiram quem mandava e quem obedecia.

O fervor religioso fez-se fanatismo e uma casta sacerdotal passou a manipular mentes e corações, na concepção do pastor a guiar ovelhas cordatas.

Nos últimos dois séculos, quando a ciência explodiu nos laboratórios e multiplicou equipamentos e aparelhos, devassando os abismos oceânicos e fendendo a atmosfera, buscamos hoje o tão sonhado contato imediato de terceiro grau.

Constatar a existência de outras civilizações além das paisagens terrestres. Conquistar outros mundos. Trazer de outros planetas amostras de terra e solo, identificando possíveis traços de vida microscópica alienígena.
Enquanto esse salto vertiginoso vai se desenhando num cenário futurista, a internet aproxima pessoas e organizações, empresas e clientes, tornando o mundo uma aldeia global. A inteligência artificial fascina e o algoritmo desafia o senso comum.

Entretanto, em toda parte ainda se demora o contraste de uma civilização culta, mas profundamente antagônica. A chibata da miséria alucina multidões, a tirania política sufoca os sonhos de liberdade, a impunidade campeia sob desenfreio incontrolável e o fanatismo não cessa de produzir zumbis sociais.

O pensamento é horizontal, enxergando apenas os próprios interesses. A cultura religiosa parece cristalizada, produzindo crianças espirituais no entendimento da diáfana fronteira entre o berço e o túmulo. Deus escolhe raças, alguns são abençoados e outros estão sentenciados pelas amarguras e aflições sem fim.

E em volta dessa criatura paradoxal, um turbilhão de mudanças. O planeta a se agitar em suas entranhas. Colossais mudanças de natureza política e econômica. Um embate sensível e perceptível entre luz e sombra, paixão e amor, cativeiro e alforria.

Impossível ignorar o interesse de alguns grupos em desacreditar na força do cristianismo, suas bases éticas e seu discurso de emancipação do ser dos grilhões da manipulação religiosa. Retirar Jesus do coração da criatura humana, o lançando no limbo dos revolucionários sem causa.

Amigo da estrada comum, te busco os ouvidos pelos portais do coração! Cultiva teus ideais na intimidade profunda de tua alma, preserva teus sentimentos do contágio desses tempos de descrença e negação.

Quando teu entorno parecer tão somente um campo estéril de conflito e posse passageira, volve em espírito e pensamento à Galileia longínqua, resgatando o sublime momento em que Ele anunciou as bem-aventuranças à massa de povo deserdada e carente: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos!
Que ninguém ou coisa alguma te furte essa certeza inabalável.

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