Dorothy Stang: A fé que enfrentou a violência e virou símbolo da Amazônia

Vinte e um anos após seu assassinato em Anapu, a missionária segue como referência na defesa da reforma agrária, dos direitos humanos e da preservação da floresta amazônica.

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Reprodução / Facebook

Vinte e um anos após o assassinato de Dorothy Stang, a missionária conhecida por defender o direito à terra para camponeses e por criar projetos de proteção da floresta amazônica, junto à população e ao governo, é ainda hoje um marco da luta ambiental no Brasil.

Irmã Dorothy tinha 73 anos quando foi alvo de uma emboscada em 12 de fevereiro de 2005 em Anapu (PA) e levou seis tiros. Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Dorothy afirmou: “eis a minha arma!”, e mostrou a Bíblia Sagrada. Leu ainda alguns trechos das Sagradas Escrituras para aquele que logo em seguida lhe mataria.

Mais do que lembrar o crime que chocou o país, é importante refletir sobre seu legado. Ela acreditava que o cultivo da roça passava não só pela plantação de alimentos, mas também pela preservação da floresta. Assim, criou na cidade dois Projetos de Desenvolvimento Sustentável, o PDS Esperança e o PDS Virola Jatobá.

Um PDS é uma modalidade de assentamento onde 20% da terra é destinada à agricultura enquanto os outros 80%, à reserva legal, ou seja, deve-se manter a vegetação natural podendo ser explorada com o manejo sustentável.

Ainda em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (seção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos.

Dentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande.

No dia de sua morte, era para a freira estar na assembleia de criação da Reserva Extrativista Verde para Sempre, no Pará, ao lado de Marina Silva, então ministra do Meio Ambiente.

“A gente fez um apelo muito forte para que ela fosse com a gente, mas ela preferiu fazer os cadastros do assentamento. Ela tinha uma personalidade muito parecida com a do Chico Mendes”, lembra a ex-ministra em conversa com Ecoa.

Apesar de a morte de Dorothy ter sido uma surpresa para muitos, quem a acompanhava na linha de frente sabia que a vida dela estava em risco. A missionária que nasceu Dayton Ohio e chegou ao Brasil em 1966, vinha sendo ameaçada e, inclusive, já havia informado as autoridades sobre isso.

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