A humanidade diante de si mesma
Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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Ao estudioso das estatísticas mundiais, não escapará o anotar de tragédias e acontecimentos que sulcaram a sensibilidade humana, particularmente no terreno das catástrofes naturais ou provocadas. Cinquenta e dois anos do incêndio do edifício Joelma, com três centenas de óbitos. O devastador sinistro num circo, ocorrido na cidade de Niterói em 1961, deixando mais de 500 vítimas fatais. Terremotos e inundações de caráter colossal, chuvas torrenciais que deixaram incontáveis desabrigados e desalojados. A tudo isso, somam-se as guerras localizadas ou generalizadas, produzindo aflição e agonia em milhões de indivíduos.
Sobrevindo a paz e anos de harmonia, as forças da natureza se acalmam, prédios são reconstruídos e as baionetas são recolhidas às casernas, permitindo que o progresso e uma relativa harmonia social soprem sobre a civilização, permitindo avanços culturais e cultivo da religiosidade sem conflitos. A história humana é, antes de tudo, uma epopeia de contradições e opostos, onde forças antagônicas, do ponto de vista político e financeiro, religioso e cultural, colocaram povos uns contra os outros, na dizimação recíproca. Restando escombros pós conflito, cada lado juntou seus pedaços e se refez como era possível, fazendo florescer a esperança em dias melhores.
A ciência médica gestou em laboratórios a superação de enfermidades dolorosas, a vitimarem milhões. A engenharia descortinou novos materiais para a construção civil e o direito colacionou novas leis, reprimindo o crime e assegurando direitos. A proliferação de credos e crenças religiosas diversificou o pensamento, permitindo a liberdade religiosa como nunca se experimentara antes na Terra. Economistas respeitáveis estruturaram cálculos sobre renda e trabalho, organizando sistemas que permitiram o equilíbrio das finanças públicas, sustentando o progresso e a ordem social.
E quando tudo parece calmaria e sossego, ordem e previdência, a terra vomita lava de vulcões, placas tectônicas se chocam em tsunamis devastadores e uma corrida armamentista parece prenunciar o eclodir de uma nova guerra mundial. Em todas as épocas, o planeta se viu visitado por flagelos destrutivos, impondo doloridas reflexões humanas sobre as forças da natureza, que até podem ser previstas, mas nunca detidas. As provocadas tem, quase sempre, por gênese, a inferioridade humana e o predomínio da natureza animal sobre a natureza espiritual. Surgem do egoísmo feroz, da avareza sórdida e da ganância desmedida. Brotam da imperfeição moral e se alastram qual rastilho de fogo em capim seco, sob o vento forte da discórdia de pensamentos antagônicos.
Onde, então, encontrar uma saída ou lenitivo para tão graves ocorrências? Diante das forças incontroláveis da mãe natureza, buscar a oração e a compreensão que Deus renova o mundo pelo aplicar de Suas Divinas leis, a maioria delas desconhecida das frágeis criaturas humanas. As ocorrências de gênese humana precisam do emplastro da educação moral, única ferramenta que colocará fim às disputas estéreis, pacificando homens que se fizeram feras de outros homens.
Adoção da mensagem de Jesus, imprimindo-a no viver e na conduta, no pensamento e nos sentimentos, fazendo florescer a fraternidade legítima na convivência interpessoal. Quando o ser humano conseguir descrucificar o Divino Amigo das traves hediondas do martírio de vinte séculos, iluminar a própria consciência pela lamparina do amor e permitir que o outro seja como ele é, sem imposições e tiranias emocionais, as civilizações terão dado um passo enorme em direção ao mundo novo, erguido sob os escombros da decadente civilização em ruidosa transformação.
Contabilizam-se incontáveis seres que militam na sabotagem dos anseios da paz e da fraternidade, credores de nossa misericórdia e compaixão, mas já não se pode contar os que se doam em testemunho da nova era, sacrificando interesses pessoais para pavimentar o admirável mundo. Em que time estás jogando?
Marta, Salvador, 01.02.2026.












