A verdadeira riqueza se revela nas coisas que permanecem quando tudo passa.
Por Blog do Eloilton Cajuhy – BEC
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Há um dia — e ele sempre chega — em que o tempo se aproxima com passos silenciosos e nos mostra, com delicadeza firme, que o dinheiro nunca foi tudo nesta vida. Ele ajuda, resolve, facilita caminhos, constrói confortos. Mas não compra abraços sinceros, nem devolve horas perdidas, nem cura arrependimentos guardados na alma.
Enquanto somos jovens, muitas vezes acreditamos que acumular é sinônimo de viver bem. Corremos atrás de metas, números, status, agendas lotadas. E quase não percebemos que, no meio dessa pressa, deixamos escapar risadas à mesa, conversas sem relógio, o brilho de um pôr do sol visto sem urgência, o carinho de quem nos ama exatamente como somos.
O tempo, porém, é um professor paciente. Ele vai passando e, aos poucos, muda nossas prioridades. O que antes parecia essencial começa a perder o brilho, e aquilo que ignorávamos ganha valor imenso: a saúde preservada, a paz ao deitar a cabeça no travesseiro, a presença de pessoas verdadeiras, a consciência tranquila por termos feito o bem.
Descobrimos que riqueza é ter com quem contar quando tudo desmorona. É acordar e sentir gratidão. É poder dizer “eu vivi” sem pesar no coração. É ter histórias para contar, não apenas contas para pagar. É perceber que a vida não se mede pelo que guardamos nos bolsos, mas pelo que cultivamos no peito.
Quando o tempo finalmente nos mostra isso, não é para nos culpar, mas para nos acordar. Ainda há dias para amar mais, ouvir com calma, perdoar com leveza, simplificar escolhas, valorizar pessoas. Ainda há chance de trocar excesso por presença, corrida por sentido, ambição por propósito.
Porque, no fim, o que permanece não são os bens que acumulamos, mas as marcas que deixamos nos outros — e em nós mesmos. E essa, sem dúvida, é a forma mais alta de riqueza que alguém pode alcançar.












