A idade que mora dentro de mim

Quando a alma decide viver sem pedir permissão ao calendário.

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Imagem: Pexels

Disseram que eu estava velha demais. E, por um instante, a frase ecoou como se fosse uma sentença — dessas que tentam nos colocar dentro de caixas invisíveis, medidas por números e expectativas alheias. Mas, em vez de me encolher, fiz algo diferente: parei. Respirei. Ouvi meu corpo. Olhei para minha alma.

E foi ela quem respondeu primeiro.

Há idades que se contam em aniversários. E há outras que se revelam em coragem, em alegria, em vontade de rir alto, em passos soltos pela rua, em músicas que ainda fazem o coração bater mais forte. Essas não cabem em calendários. Essas se escrevem na maneira como seguimos vivendo, apesar dos rótulos.

Aprendi que maturidade não é silêncio imposto, nem recato obrigatório, nem renúncia automática. Maturidade é escolher. É saber quem se é — e continuar sendo, mesmo quando o mundo insiste em sugerir versões menores de nós mesmos. É vestir-se com autenticidade, caminhar no próprio ritmo, ocupar espaços sem pedir desculpas por existir.

A idade, quando bem vivida, não diminui. Expande. Traz leveza para o que antes pesava, firmeza para o que antes tremia, serenidade para o que antes assustava. Ela não nos rouba sonhos — apenas troca as urgências por prazeres mais conscientes, e as pressas por presenças.

Não se trata de desafiar o tempo, mas de fazer as pazes com ele. De perceber que cada ruga pode ser uma história, cada cicatriz uma travessia, cada riso solto uma vitória silenciosa contra tudo o que tentou nos conter.

A verdadeira juventude mora na permissão que damos a nós mesmos: permissão para experimentar, para errar, para recomeçar, para celebrar, para dançar no meio da sala, para usar o que nos faz bem, para gostar do que gostamos sem explicar demais.

Porque viver não tem manual. E felicidade não aceita cronograma.

A idade certa é aquela em que a gente decide ser inteira.

Inteira no amor-próprio.
Inteira na liberdade.
Inteira na alegria de continuar vivendo — do nosso jeito.

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