Convulsão, estresse extremo e neurodiversidade: médico alerta para riscos neurológicos em ambientes de alta pressão

FONTE: Andrea Feliconio

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Reprodução

O episódio envolvendo o ator Henri Castelli durante o Big Brother Brasil reacendeu discussões nas redes sociais sobre convulsões e saúde neurológica.

No entanto, segundo o Dr. Matheus Trilico, neurologista e referência no tratamento de adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), é preciso cautela ao se afirmar, apenas com base nas imagens disponibilizadas, que se tratou de uma convulsão.

“Convulsões são diagnósticos clínicos. Elas exigem avaliação médica, análise do contexto, histórico do paciente e, muitas vezes, exames complementares. Existem diversos quadros que podem simular uma crise convulsiva, como síncope, hipoglicemia, queda de pressão ou exaustão extrema”, explica ele.

De acordo com o Dr. Trilico, uma convulsão ocorre quando há uma descarga elétrica excessiva e desorganizada no cérebro. As causas são variadas e incluem epilepsia, alterações metabólicas, privação de sono, infecções, traumas cranianos, uso ou suspensão abrupta de medicamentos, além do consumo de álcool ou drogas.

Um ponto pouco conhecido pela população é que crises convulsivas podem acontecer mesmo em pessoas sem diagnóstico prévio de doença neurológica.

“Estresse físico e emocional intenso, privação de sono, desidratação e esforço prolongado, especialmente quando combinados, podem funcionar como gatilhos. Isso não significa, necessariamente, epilepsia, mas indica que o cérebro entrou em estado de sobrecarga”, afirma.

Os sinais mais conhecidos de uma convulsão incluem movimentos involuntários, rigidez muscular, alteração ou perda de consciência, salivação excessiva e confusão mental após o episódio. No entanto, o médico ressalta que nem toda convulsão é intensa ou evidente, e algumas crises são sutis.

O neurologista alerta para práticas equivocadas ainda muito difundidas. “Puxar a língua é um mito perigoso e pode causar lesões graves”, destaca.

A conduta correta inclui proteger a pessoa contra quedas, afastar objetos ao redor, não conter os movimentos, colocá-la de lado, se possível, para facilitar a respiração, e acionar atendimento médico após o episódio.

Reality shows, segundo o Dr. Trilico, reúnem fatores de risco importantes para o sistema nervoso, como confinamento, privação de sono, pressão emocional constante e esforço físico. “Mesmo que um evento seja isolado, o acompanhamento médico é fundamental para descartar causas graves e prevenir novos episódios”, ressalta.

O neurologista também chama atenção para uma associação ainda pouco discutida: a relação entre epilepsia, TEA e TDAH na vida adulta. Pessoas com autismo apresentam risco aumentado de epilepsia, e a relação entre epilepsia e TDAH é considerada bidirecional.

“Essas condições compartilham mecanismos neurobiológicos e genéticos. Na prática clínica, isso impacta diretamente o diagnóstico, o tratamento e a qualidade de vida do paciente adulto. O manejo exige abordagem multidisciplinar e atenção especial à escolha de medicamentos, devido às possíveis interações entre anticonvulsivantes e fármacos usados no TDAH, alerta Dr Matheus.

Para o Dr. Matheus Trilico, episódios neurológicos não devem ser tratados como espetáculo. “É preciso responsabilidade. O cérebro é sensível ao ambiente, ao estresse e à privação. Informar com qualidade é uma forma de promover saúde e reduzir estigmas”, conclui.

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