Quando o vento leva o que já não cabe em nós

Um convite ao desapego, à leveza e à coragem de seguir apenas com o essencial

Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

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Povoado Baraúna, interior de Senhor do Bonfim – Foto: André Santos

“Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: Leve tudo que for desnecessário. Ando cansada de bagagens pesadas… Daqui para frente levo apenas o couber no bolso e no coração”. Cora Coralina

Há momentos na vida em que o cansaço não está no corpo, mas na alma. Um cansaço silencioso, feito de excessos acumulados: mágoas guardadas, culpas desnecessárias, expectativas alheias, dores que já cumpriram seu papel e insistem em ficar. É nesses momentos que o pedido ao vento, como nos lembra Cora Coralina, se torna um ato de coragem.

Pedir que o vento leve o que é desnecessário não é fugir, é escolher. É reconhecer que nem tudo precisa continuar conosco para que sigamos inteiros. Pelo contrário: muitas vezes, só avançamos quando aprendemos a soltar. O desapego não é perda, é alívio. É abrir espaço para o novo, para o simples, para aquilo que realmente importa.

As “bagagens pesadas” nem sempre são visíveis. Elas se escondem nos medos que alimentamos, nas histórias que repetimos, nas dores que já poderiam ter descansado. Carregá-las por tanto tempo nos faz esquecer que a vida pode ser mais leve — e que não fomos feitos para caminhar sobrecarregados.

Seguir levando apenas o que cabe no bolso e no coração é um exercício diário de consciência. No bolso, cabem as experiências, os aprendizados, o necessário para viver. No coração, que fique o amor, a esperança, a fé, a gratidão. O resto, que o vento leve. Ele sabe para onde ir.

Que tenhamos coragem de fechar os olhos, respirar fundo e confiar. Às vezes, tudo o que precisamos é permitir que o vento faça o seu trabalho e nos ensine, com suavidade, que viver também é deixar ir.

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