Blog do Eloilton Cajuhy – BEC

Poucos momentos na história do jornalismo brasileiro são tão simbólicos e emocionantes quanto o encontro de Glória Maria com Michael Jackson no Morro Dona Marta, no Rio de Janeiro. A repórter, conhecida por sua coragem e curiosidade sem fronteiras, subiu o morro a pé, suada, cansada, sem se importar com o glamour — e foi ali, sentada no chão, que viveu uma das entrevistas mais especiais de sua carreira.
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Na época, muitos rumores cercavam o Rei do Pop. Diziam que ele tinha nojo de pessoas, que era intocável, que não suportava o contato humano. Glória, com seu jeito genuíno e olhar atento, descobriu o contrário. Ao encontrá-lo, percebeu que por trás das fofocas e especulações existia apenas um homem marcado por uma condição de pele — o vitiligo — que o obrigava a clarear a pele, e não uma suposta obsessão por “querer ser branco”, como muitos diziam.

Durante duas horas de conversa, sentados no chão do Dona Marta, Michael Jackson se mostrou acessível, carinhoso e real. Eles riram, falaram da vida e trocaram confidências. Glória Maria, acostumada a viajar o mundo e entrevistar líderes, artistas e anônimos, saiu dali com algo maior do que uma exclusiva internacional: saiu com a certeza de que havia conquistado um amigo, alguém que lhe ofereceu afeto e simplicidade em um cenário improvável.
“Ele me abraçou, me beijou. Foi um dos momentos mais bonitos da minha vida”, contou Glória, emocionada ao relembrar o episódio. Aquele abraço, em meio à comunidade, foi mais do que um gesto de afeto — foi uma quebra de estereótipos, um recado silencioso de que, mesmo o maior astro do planeta, era também humano.
Esse encontro é lembrado até hoje como um dos capítulos mais bonitos da trajetória de Glória Maria, que sempre soube enxergar além das aparências e das manchetes. E também é lembrado como um dos raros momentos em que Michael Jackson se deixou ver de forma tão íntima, no coração de uma favela carioca, abraçando uma repórter brasileira que tinha o dom de se tornar amiga de quem entrevistava.