Os falsos anúncios de dinheiro em conta continuam a fazer vítimas sob o nome do Banco Central. Saiba como descobrir se você realmente possui alguma quantia em aberto.
Por João Voltarelli

Golpistas entram em contato com vítimas ao enviar um link falso do Brasil Consultas, alegando que existe um valor esquecido a ser retirado. Porém, para essa transação ser efetivada, é preciso realizar o pagamento de uma taxa de R$ 97. Com diversas reclamações no ReclameAqui, a própria empresa se manifestou pelas redes para alertar a respeito dos golpes.
Para evitar o aparecimento de novas vítimas, a Kaspersky revela detalhes de como o golpe funciona e dá dicas de como descobrir se realmente há algum dinheiro esquecido.
O golpe se mostra uma variação do “Valores a Receber”, utilizando a temática dos valores recém liberados pelo Banco Central. A novidade desse golpe do “Brasil Consulta” ou “Consulta Brasileira” é que, para liberar o valor, a vítima precisa pagar uma suposta “taxa de saque”.
Ao clicar no link para a página maliciosa, o site pede dados pessoais como CPF, data de nascimento e chave PIX – dados que o golpista poderá usar posteriormente em novas fraudes. A página também aceita qualquer dado falso, sem fazer verificação. Caso a vítima efetue o pagamento (por PIX ou cartão de crédito), o valor poderá ser perdido, com o PIX como uma forma mais difícil de reaver o dinheiro. O pagamento era processado por empresa legítima que processa pagamentos online e, no momento da análise, a página estava fora do ar, provavelmente retirada por denúncias de fraude.

É comum que criminosos usem elementos visuais que imitam o site do Banco Central ou até termos conhecidos como “Valores a Receber” e “gov” no nome do domínio. O objetivo é fazer as vítimas pensarem que se trata de um site verdadeiro. Por essa semelhança muitas vezes entre um site oficial e uma fraude, é importante ter cuidado antes de fornecer suas informações ou enviar pagamentos, por mais que o site pareça verdadeiro e de uma empresa de renome.
“No site analisado da fraude, é possível ver uma palavra com a ortografia incorreta. Essa atenção com as palavras, layout da página e até se o site possui outras “páginas” dentro dele, como abas e seções que podem ser acessadas com mais informações, podem dizer se ele tem traços confiáveis ou não. Um site verdadeiro dificilmente terá erros ortográficos facilmente identificáveis e também as chances de um site íntegro ser uma página única são baixas”, comenta Fabio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina.

“Essa atenção é crucial para evitar golpes, mas muitas vezes não é suficiente. Além desse cuidado, pesquise com o site oficial do Consulta Brasil: entre em seu navegador e digite manualmente a URL do site oficial para conferir. Os sites e redes sociais oficiais podem auxiliar as pessoas a tirar qualquer dúvida e evitar o surgimento de mais vítimas”, complementa Assolini.
Para evitar mais vítimas desse golpe, a Kaspersky recomenda:
- Preste atenção no site antes de colocar qualquer dado ou fazer algum pagamento: Veja a URL e como é a estrutura desse site. Ele possui erros ortográficos ou página única, sem outras seções? Então possui chances de ser um golpe.
- Pesquise: Antes de fornecer alguma informação sua, busque pelo site no Google, no ReclameAqui ou, no caso de apps, na área de comentários antes de fazer o download. Se é um golpe, provavelmente terá reclamações de outras vítimas ali.
- Use uma boa solução de segurança: Ela irá avisar sobre os possíveis sites maliciosos e ataques de phishing.
Caí no golpe! E agora?
- Caso o pagamento tenha sido feito usando cartão de crédito, comunique-se com seu banco e solicite o cancelamento do pagamento.
- Caso tenha feito via PIX, comunique-se com seu banco o mais rápido possível solicitando o MED (mecanismo especial de devolução).
- Caso o pagamento tenha sido feita via boleto, não há muito o que fazer. Abrir um boletim de ocorrência também é recomendável para registrar a fraude.
Sobre a Kaspersky
A Kaspersky é uma empresa global de cibersegurança e privacidade digital fundada em 1997.













