Na minha sepultura

Blog do Eloilton Cajuhy

Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor. Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for. Quero brincar de manhã à noite, seja no que for.

Quando for grande, quero ser um brincador. A mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois acrescenta, a suspirar: ‘É assim a vida’.

Custa tanto acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram moças e rapazes, mas já não podem brincar. A vida é assim? Não para mim.

Quando for grande, quero ser brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.

Na minha sepultura, vão escrever: Aqui jaz um brincador. Era um homem simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras.

Álvaro Magalhães

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