A mulher, o mendigo e a saúde mental do ser humano: psicanalista apresenta possíveis transtornos da moça envolvida

Por Drª Andréa Ladislau / Psicanalista*

Caso do mendigo de Planaltina – Foto: Reprodução

Na última semana, um caso, no mínimo inusitado, aconteceu e viralizou de forma avassaladora em todas as redes sociais e em todos os meios de comunicação. Uma mulher resolveu ter relações sexuais na rua (dentro do carro) com um mendigo e foram surpreendidos pelo marido da moça que espancou o rapaz, diante de um ataque de fúria.

O vídeo deste episódio, ao cair nas redes, incentivou a criação de memes, críticas, julgamentos, especulações, dúvidas e muita polêmica. Mas o que de fato pode ter mesmo acontecido com essa mulher? O que motivou a atitude de se envolver sexualmente com um morador de rua?

Suposições podem ser levantadas, mas é muito leviano afirmar qualquer coisa. Uma coisa é certa: não tem nada engraçado aqui. Todos os personagens envolvidos neste caso precisam de ajuda. Todos saíram perdendo: a mulher, muito julgada, está extremamente exposta e vulnerável.

O marido virou motivo de piada e vem recebendo muitos dedos apontados, seja por ter agredido o mendigo ou por declarar que vai permanecer casado. E o morador de rua também perdeu, afinal apanhou bastante, a ponto de ir parar em um hospital.

Porém, apesar de todos os fatos apresentados, sem dúvida, é preciso um acompanhamento psicológico para todos. Principalmente para essa mulher que, pelos áudios vazados, demonstra estar desconectada da realidade. Não cabe a nós julgarmos a atitude dela, muito menos a do marido.

Mas pelo olhar psicanalítico, analisando todos os fatos, nos parece que a mulher estava em um surto psicótico, pois em sã consciência, certamente, não teria cometido o tal ato.

Algumas atitudes são bastante características de uma possível Esquizofrenia Hebefrênica. Esse tipo de transtorno provoca ideias delirantes, perturbações e alucinações fragmentárias, com comportamentos imprevisíveis, pautados em afetos superficiais e inapropriados.

Além disso, pessoas que apresentam a esquizofrenia também podem apresentar surtos relacionados à religião e divindades, o que pode ser justificado pelo fato de que ela, disse que viu Deus no morador de rua e precisava cumprir seu propósito.

A pessoa acometida por este tipo de transtorno passa a ter uma despersonalização, pode ouvir vozes e, a confusão mental sugere delírios constantes. Infelizmente, a esquizofrenia não tem cura, mas tem tratamento e é preciso o acompanhamento permanente.

Também pode ser evidenciado nesta análise, a presença de um quadro psiquiátrico de uma bipolaridade ou psicose maníaca depressiva. Essa psicose bipolar suscita aumento exacerbado da libido, bem como das alucinações auditivas e visuais.

No entanto, tudo são suposições. Somente através de um acompanhamento adequado com um profissional de saúde mental, se pode de fato, definir um diagnóstico e explicar o real motivo para o ocorrido.

Enfim, que fique claro que estamos todos sujeitos a passar por crises ou surtos. O que não cabe são os julgamentos de valores, as piadas, as críticas e deboches em torno do fato. A empatia precisa estar presente em nossas vidas a todo momento. Devemos ter muito cuidado com o que se escolhe comentar, levar a diante, o que se propaga, o que se escolhe achar engraçado. É importante ter consciência e atitudes mais positivas, responsáveis e acolhedoras. Atitude mais positiva, responsável e empática. Que possamos ser mais humanos ao se tratar de outra vida. Saúde mental é coisa séria e vidas importam.

*Drª Andréa Ladislau / Psicanalista

Psicanalista (SPM); Doutora em Psicanálise, membro da Academia Fluminense de Letras –cadeira de número 15 de Ciências Sociais; administradora hospitalar e gestão em saúde (AIEC/Estácio); pós-graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social (Facei); professora na graduação em Psicanálise; embaixadora e diplomata In The World Academy of Human Sciences US Ambassador In Niterói; membro do Conselho de Comissão de Ética e Acompanhamento Profissional do Instituto Miesperanza; professora associada no Instituto Universitário de Pesquisa em Psicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo; professora associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada, situado em souhaites; graduada em Letras – Português e Inglês pela PUC de Belo Horizonte.

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