O homem que não brigava

Final de tarde em Senhor do Bonfim / Foto: José Augusto (taxista)

Em cidade interiorana, havia um homem que não se irritava e não discutia com ninguém. Sempre encontrava saída cordial, não feria a ninguém, nem se aborrecia com as pessoas.

Morava em modesta pensão, onde era admirado e querido. Seus companheiros combinaram levá-lo à irritação e à discussão num determinado jantar. Serviam saborosa sopa, de que o nosso amigo era apreciador. A garçonete chegou próximo à sua mesa, pela esquerda, e ele, prontamente, levou o próprio prato para aquele lado, a fim de facilitar a tarefa.

Ela serviu todos os demais e, quando chegou a vez dele, foi embora para outra mesa. Ele esperou calmamente e em silêncio, que ela voltasse, quando ela outra vez se aproxima, agora pela direita. Volta ele a levar o prato para a direção da jovem, que novamente se distancia, ignorando-o.

Após servir a todos, passa rente a ele, acintosamente, com a sopeira fumegante, exalando saboroso aroma, como quem concluiu a tarefa e retorna à cozinha.

Neste momento, não se ouvia qualquer ruído. Todos observavam discretamente, para ver a sua reação. Educadamente, ele chama a garçonete, que se volta, fingindo impaciência: – O que o senhor deseja?

E ele responde, naturalmente: – A senhora não me serviu a sopa.

Novamente ela retruca, para provocá-lo, desmentindo-o: – Servi sim senhor!

Ele olha para ela, olha para o próprio prato vazio e limpo… Todos pensam que ele vai brigar… Suspense e silêncio total. É quando ele surpreende a todos, ponderando tranquilamente: – A senhorita serviu sim, mas eu aceito mais!

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