{"id":97948,"date":"2026-08-29T00:20:00","date_gmt":"2026-08-29T03:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=97948"},"modified":"2026-08-28T12:01:29","modified_gmt":"2026-08-28T15:01:29","slug":"na-bahia-tres-em-cada-dez-mulheres-viveram-situacoes-de-violencia-domestica-em-12-meses-sem-declara-las-como-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/na-bahia-tres-em-cada-dez-mulheres-viveram-situacoes-de-violencia-domestica-em-12-meses-sem-declara-las-como-violencia\/","title":{"rendered":"Na Bahia, tr\u00eas em cada dez mulheres viveram situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica em 12 meses sem declar\u00e1-las como viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\">Atualiza\u00e7\u00e3o do Mapa Nacional da Viol\u00eancia de G\u00eanero com dados da 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Pesquisa Nacional de Viol\u00eancia contra a Mulher permite comparar o cen\u00e1rio de viol\u00eancia dom\u00e9stica declarada e n\u00e3o declarada entre as unidades da Federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Blog do Eloilton Cajuhy \u2013 BEC<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#x1f4f2;\u00a0<a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaAT7tDLI8Yfj5y9Z50Z\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">Siga o canal do BEC no WhatsApp<\/mark><\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Violencia-contra-mulheres-negras-Freepik.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"510\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Violencia-contra-mulheres-negras-Freepik.png?resize=680%2C510\" alt=\"\" class=\"wp-image-95404\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Violencia-contra-mulheres-negras-Freepik.png?w=680&amp;ssl=1 680w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Violencia-contra-mulheres-negras-Freepik.png?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>&#x1f4f7; Freepik<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Mapa Nacional da Viol\u00eancia de G\u00eanero, rec\u00e9m-atualizado com os resultados por unidade da Federa\u00e7\u00e3o da 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Pesquisa Nacional de Viol\u00eancia contra a Mulher, aponta que a Bahia registra cerca de 32% das mulheres que relataram ter vivido, nos 12 meses anteriores \u00e0 pesquisa, ao menos uma das situa\u00e7\u00f5es concretas de viol\u00eancia investigadas, embora n\u00e3o tenham declarado espontaneamente ter sofrido viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar. O resultado do estado oscila dentro da margem de erro da estimativa do pa\u00eds (29%), o que n\u00e3o permite classific\u00e1-lo como distinto do patamar nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise, poss\u00edvel pelo cruzamento de dados \u2014 uma das premissas do Mapa Nacional da Viol\u00eancia de G\u00eanero, plataforma mantida pelo Observat\u00f3rio da Mulher contra a Viol\u00eancia (OMV), o Instituto Natura e a G\u00eanero e N\u00famero \u2014, evidencia a dist\u00e2ncia entre a viol\u00eancia vivenciada pelas mulheres e aquela que chega aos registros oficiais e, consequentemente, ao alcance das pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o e acolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A 11\u00aa Pesquisa Nacional de Viol\u00eancia contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025, tem prop\u00f3sito semelhante: investigar o problema al\u00e9m das estat\u00edsticas oficiais do pa\u00eds. O levantamento ouviu 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o Brasil entre 16 de maio e 8 de julho de 2025. A pesquisa tem amostra probabil\u00edstica e n\u00edvel de confian\u00e7a de 95%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAmpliar a Rede de Prote\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, mas os dados mostram que precisamos olhar tamb\u00e9m para o que acontece antes de a mulher chegar na Rede. Uma pol\u00edtica p\u00fablica s\u00f3 consegue proteger plenamente quando as mulheres t\u00eam informa\u00e7\u00e3o para reconhecer a viol\u00eancia, conhecem seus direitos e encontram caminhos acess\u00edveis e seguros para buscar ajuda\u201d, afirma Maria Teresa Prado, coordenadora do Observat\u00f3rio da Mulher contra a Viol\u00eancia do Senado Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento realizado pelo DataSenado revela que 25% das baianas j\u00e1 sofreram viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar ao longo da vida (valor estatisticamente equivalente ao registrado no Brasil, de 27%) e 20% afirmam ter passado por esse tipo de viol\u00eancia nos 12 meses anteriores \u00e0 pesquisa, realizada em 2025. Entre as mulheres que declararam ter sofrido viol\u00eancia provocada por um homem, 86% relataram viol\u00eancia psicol\u00f3gica, 78% viol\u00eancia moral e 75% viol\u00eancia f\u00edsica. Em 71% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro da v\u00edtima no momento da agress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do total de v\u00edtimas no estado, 19% ainda convivem com a pessoa que as agrediu e, destas, 83% moram com o agressor. Nas situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia mais grave, 60% das entrevistadas afirmaram que o agressor estava com ci\u00fames e 44% disseram que ele estava b\u00eabado. J\u00e1 para 80% das mulheres que encerraram o relacionamento com o agressor, a viol\u00eancia teve muita influ\u00eancia na decis\u00e3o. O impacto na vida profissional ou especificamente no trabalho remunerado foi sentido por 45% das v\u00edtimas, enquanto 43% disseram que seus estudos foram impactados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs dados ajudam a romper com uma leitura da viol\u00eancia dom\u00e9stica como um epis\u00f3dio isolado e que a viol\u00eancia n\u00e3o termina quando a agress\u00e3o acaba. Ela reorganiza a rotina, afeta rela\u00e7\u00f5es, trabalho, renda e as possibilidades que uma mulher tem de tomar decis\u00f5es sobre a pr\u00f3pria vida. Quando olhamos para esses dados em conjunto, conseguimos entender que enfrentar a viol\u00eancia de g\u00eanero exige mais do que responder \u00e0 agress\u00e3o: exige pol\u00edticas capazes de olhar para as condi\u00e7\u00f5es que permitem que essas mulheres reconstruam suas vidas\u201d, afirma Vit\u00f3ria R\u00e9gia da Silva, diretora executiva da G\u00eanero e N\u00famero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A den\u00fancia em delegacias comuns ou especializadas foi realizada por apenas 14% das v\u00edtimas no estado e a pesquisa aponta que o conhecimento aprofundado sobre os instrumentos de prote\u00e7\u00e3o permanece limitado. Embora 93% das mulheres tenham afirmado conhecer ou j\u00e1 ter ouvido falar da Delegacia da Mulher e 80% do Ligue 180, 68% dizem conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 11% afirmam n\u00e3o conhecer nada sobre a legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas protetivas, 66% relatam conhec\u00ea-las pouco e 20% afirmam n\u00e3o ter conhecimento sobre o recurso (somando 86% com conhecimento superficial ou inexistente). A Delegacia da Mulher \u00e9 o servi\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o mais conhecido pelas baianas, citado por 93% das entrevistadas, seguida pela Defensoria P\u00fablica, com 88%, e pelo Ligue 180 e CRAS\/CREAS, ambos com 80%. Ao mesmo tempo, 69% afirmam conhecer alguma amiga, familiar ou pessoa pr\u00f3xima que j\u00e1 sofreu viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados indicam ainda que 84% das baianas perceberam aumento da viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra as mulheres nos 12 meses anteriores \u00e0 pesquisa (patamar acima da m\u00e9dia nacional) e que 71% enxergam o Brasil como um pa\u00eds \u201cmuito machista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-1 wp-block-paragraph\"><strong>No Brasil, 93,6% das v\u00edtima n\u00e3o reconheceram a viol\u00eancia dom\u00e9stica como tal ou n\u00e3o buscaram prote\u00e7\u00e3o policial<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Das quase 29 milh\u00f5es de mulheres que sofreram viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar nos \u00faltimos 12 meses no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Viol\u00eancia contra a Mulher, 24,97 milh\u00f5es de mulheres, cerca de 87%, relataram situa\u00e7\u00f5es concretas de viol\u00eancia sem nome\u00e1-las espontaneamente como viol\u00eancia. Quando se soma a esse grupo 1,87 milh\u00e3o de mulheres que declararam ter sofrido viol\u00eancia, mas n\u00e3o acionaram a delegacia, o Ligue 180 ou o 190, chega-se a 26,84 milh\u00f5es de brasileiras, ou 93,6% das v\u00edtimas na lacuna entre a viol\u00eancia vivenciada e a busca por prote\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Beatriz Accioly, Gerente de Pol\u00edticas P\u00fablicas pelo Fim da Viol\u00eancia contra as Mulheres do Instituto Natura, esses dados mostram que o problema \u00e9 maior do que os registros oficiais conseguem captar. Muitas mulheres vivem situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia sem nome\u00e1-las dessa forma e isso significa que a necessidade real de prote\u00e7\u00e3o e atendimento \u00e9 muito maior do que a que hoje chega \u00e0s delegacias, aos servi\u00e7os de sa\u00fade e \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPara quase 25 milh\u00f5es de brasileiras, a viol\u00eancia aparece apenas quando perguntamos o que aconteceu, mas desaparece quando perguntamos diretamente se elas sofreram viol\u00eancia. Isso revela uma barreira anterior ao pr\u00f3prio acesso \u00e0 pol\u00edtica p\u00fablica: reconhecer e nomear o que se est\u00e1 vivendo. Se a mulher n\u00e3o reconhece o que vive como viol\u00eancia, torna-se muito mais dif\u00edcil procurar prote\u00e7\u00e3o e acolhimento. Por isso, informa\u00e7\u00e3o de qualidade n\u00e3o \u00e9 algo acess\u00f3rio: \u00e9 parte fundamental de qualquer pol\u00edtica p\u00fablica de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres. N\u00e3o basta que a rede esteja preparada para acolher quem chega; precisamos tamb\u00e9m criar caminhos para alcan\u00e7ar quem ainda n\u00e3o consegue reconhecer que pode buscar ajuda\u201d, afirma Beatriz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o levantamento, apenas 4% das brasileiras declararam ter sofrido viol\u00eancia dom\u00e9stica ou familiar nos \u00faltimos 12 meses. Por\u00e9m, ao serem questionadas sobre situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de viol\u00eancia, sem que o termo fosse citado na pergunta, esse percentual sobe para 33% das brasileiras que relatam experi\u00eancias compat\u00edveis com viol\u00eancia dom\u00e9stica. Isso significa que 29% da popula\u00e7\u00e3o feminina brasileira vivenciaram essas situa\u00e7\u00f5es sem identific\u00e1-las e nome\u00e1-las espontaneamente como viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Creio que a grande contribui\u00e7\u00e3o do Senado Federal seja revelar a realidade da viol\u00eancia dom\u00e9stica contra as mulheres, em todas as unidades da Federa\u00e7\u00e3o, e, mais importante, expor claramente como esta realidade ainda est\u00e1 muito distante dos registros oficiais de todas estas localidades, logo, do alcance de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas. O Mapa Nacional n\u00e3o \u00e9 apenas mais um agregador de dados sobre o tema, ao contr\u00e1rio, \u00e9 talvez o principal instrumento p\u00fablico, efetivo, capaz de expor, comparar, confrontar e mudar a realidade vivida, a cada 12 meses, pelas mulheres no Brasil\u201d, afirma Jos\u00e9 Henrique Varanda, coordenador do Instituto de Pesquisa DataSenado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acesse o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.senado.leg.br\/institucional\/datasenado\/mapadaviolencia\/#\/inicio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Mapa<\/mark><\/strong><\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.senado.leg.br\/institucional\/datasenado\/mapadaviolencia\/#\/pesquisanacional\/novidades\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-cyan-blue-color\">Pesquisa<\/mark><\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualiza\u00e7\u00e3o do Mapa Nacional da Viol\u00eancia de G\u00eanero com dados da 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Pesquisa Nacional de Viol\u00eancia contra a Mulher permite comparar o cen\u00e1rio de viol\u00eancia dom\u00e9stica declarada e n\u00e3o declarada entre as unidades da Federa\u00e7\u00e3o. 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