{"id":94295,"date":"2026-03-16T16:02:25","date_gmt":"2026-03-16T19:02:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=94295"},"modified":"2026-03-16T16:11:01","modified_gmt":"2026-03-16T19:11:01","slug":"como-combater-o-odio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/como-combater-o-odio\/","title":{"rendered":"Como combater o \u00f3dio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Por Ricardo Viveiros*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaAT7tDLI8Yfj5y9Z50Z\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">&gt;&gt; Siga o canal do BEC no WhatsApp<\/mark><\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Como-combater-o-odio-ChatGPT-Image-16-mar-2026.png?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"780\" height=\"520\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Como-combater-o-odio-ChatGPT-Image-16-mar-2026.png?resize=780%2C520&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-94296\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Como-combater-o-odio-ChatGPT-Image-16-mar-2026.png?w=780&amp;ssl=1 780w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Como-combater-o-odio-ChatGPT-Image-16-mar-2026.png?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Como-combater-o-odio-ChatGPT-Image-16-mar-2026.png?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 780px) 100vw, 780px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>Antes de qualquer debate acalorado nas redes sociais, conv\u00e9m olhar para um dado inc\u00f4modo. Segundo o Indicador de Analfabetismo Funcional (INAF), pesquisa conduzida pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a A\u00e7\u00e3o Educativa, apenas 8% dos brasileiros conseguem interpretar adequadamente um conte\u00fado publicado; somente 6% sabem diferenciar fato de opini\u00e3o; e 29% dos adultos s\u00e3o analfabetos funcionais \u2013 leem, mas n\u00e3o compreendem plenamente o que leem. Antes de apontarmos o dedo para o \u201cabsurdo\u201d do coment\u00e1rio alheio, \u00e9 preciso reconhecer o terreno fr\u00e1gil sobre o qual estamos discutindo.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada, assistimos \u00e0 retomada de uma polariza\u00e7\u00e3o que parecia perder for\u00e7a. Ressurgiram embates envolvendo ra\u00e7a, g\u00eanero, classe social, ideologias, religi\u00f5es e por a\u00ed v\u00e3o. O que antes estava contido por certo constrangimento social ganhou palco, curtidas e compartilhamentos. Uma parcela barulhenta, que talvez se mantivesse \u00e0 margem por falta de espa\u00e7o, encontrou nas m\u00eddias digitais um megafone potente. A cultura do \u00f3dio, antes envergonhada, passou a se apresentar com orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ambiente, a dissemina\u00e7\u00e3o de fake news prospera. Informa\u00e7\u00f5es falsas circulam com velocidade impressionante, explorando emo\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias: medo, indigna\u00e7\u00e3o, ressentimento. Cria-se um processo de disson\u00e2ncia cognitiva, sobretudo em quem j\u00e1 possui limita\u00e7\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o ou acesso prec\u00e1rio a fontes confi\u00e1veis. Em ano eleitoral, o fen\u00f4meno se intensifica. Mentiras repetidas \u00e0 exaust\u00e3o ganham apar\u00eancia de verdade. A repeti\u00e7\u00e3o n\u00e3o transforma erro em fato, mas o torna familiar \u2013 e o que \u00e9 familiar tende a parecer verdadeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro \u201cTribos Morais\u201d, do neurocientista norte-americano Joshua Greene, est\u00e1 uma quest\u00e3o interessante. Segundo ele, nossas decis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o guiadas apenas pela raz\u00e3o, mas por instintos morais ligados ao grupo ao qual pertencemos. Evolu\u00edmos para proteger nossa \u201ctribo\u201d, n\u00e3o para buscar a verdade objetiva. Assim, quando lemos algo que desafia nossas cren\u00e7as, nossa rea\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 compreender, mas defender nossa identidade. O debate deixa de ser sobre ideias e passa a ser sobre pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando somamos esse impulso tribal \u00e0s limita\u00e7\u00f5es de interpreta\u00e7\u00e3o apontadas pelo INAF, o cen\u00e1rio torna-se ainda mais preocupante. O resultado s\u00e3o discuss\u00f5es rasas, polarizadas, marcadas por ru\u00eddo constante e pouca constru\u00e7\u00e3o de conhecimento. Muitas brigas virtuais n\u00e3o fracassam por falta de informa\u00e7\u00e3o, mas por aus\u00eancia de compreens\u00e3o e de \u00e2nimo para refletir com profundidade. Debate exige escuta, leitura atenta e capacidade de distinguir opini\u00e3o de evid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez, antes de responder ou atacar, a pergunta mais madura seja: estou dialogando com algu\u00e9m disposto a examinar ideias ou apenas reagindo para defender minha pr\u00f3pria tribo? Essa reflex\u00e3o muda nossa postura. Nem toda provoca\u00e7\u00e3o merece resposta; nem toda diverg\u00eancia exige confronto p\u00fablico. Em certos casos, o sil\u00eancio estrat\u00e9gico \u00e9 mais eficaz do que a r\u00e9plica impulsiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso significa renunciar \u00e0 liberdade de express\u00e3o. Ao contr\u00e1rio: liberdade n\u00e3o combina com imposi\u00e7\u00e3o de ideias, mas com responsabilidade. Argumentos s\u00f3lidos, baseados em dados verific\u00e1veis, apresentados em linguagem clara e respeitosa, ampliam horizontes. Gritos e ofensas apenas refor\u00e7am muros.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica resposta estrutural para esse ciclo \u00e9 educa\u00e7\u00e3o de qualidade. Educa\u00e7\u00e3o que ensine n\u00e3o apenas a ler palavras, mas a interpretar contextos; n\u00e3o apenas a opinar, mas a fundamentar; n\u00e3o apenas a discordar, mas a respeitar. Informa\u00e7\u00e3o circunstanciada, em linguagem simples e direta, provoca reflex\u00e3o. E reflex\u00e3o \u00e9 ant\u00eddoto contra manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos responsabilidade individual nesse processo. Antes de compartilhar, verificar. Antes de acusar, compreender. Antes de impor, dialogar. Mostrar, com intelig\u00eancia emocional, que vers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fato. Apresentar conte\u00fados l\u00f3gicos e confi\u00e1veis para que cada pessoa possa pensar e escolher sem press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos de polariza\u00e7\u00e3o intensa, maturidade c\u00edvica \u00e9 ato de coragem. Defender a verdade exige menos barulho e mais consist\u00eancia. Se quisermos uma sociedade menos fragmentada, precisamos come\u00e7ar pelo b\u00e1sico: compreender o que lemos, questionar o que sentimos e lembrar que, acima de qualquer tribo, est\u00e1 o compromisso com a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\">*Ricardo Viveiros<\/mark><\/strong>, jornalista, professor e escritor, \u00e9 doutor em Educa\u00e7\u00e3o, Arte e Hist\u00f3ria da Cultura (UPM); membro da Academia Paulista de Educa\u00e7\u00e3o (APE) e conselheiro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o Empresarial (ABERJE); autor, entre outros livros, de <em>A vila que descobriu o Brasil<\/em>, <em>Mem\u00f3rias de um tempo obscuro<\/em> e <em>O sol brilhou \u00e0 noite<\/em>. Apresenta pela TV Cultura, aos domingos, \u00e0s 10h30, o programa <em>\u201cBrasil, mostra a tua cara!\u201d<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ricardo Viveiros* &gt;&gt; Siga o canal do BEC no WhatsApp Antes de qualquer debate acalorado nas redes sociais, conv\u00e9m olhar para um dado inc\u00f4modo. 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