{"id":9320,"date":"2016-04-28T19:57:04","date_gmt":"2016-04-28T22:57:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=9320"},"modified":"2016-04-28T19:57:04","modified_gmt":"2016-04-28T22:57:04","slug":"a-luta-pela-terra-e-a-mae-de-todas-as-lutas-carta-da-xviii-assembleia-da-cpt-bahiasergipe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/a-luta-pela-terra-e-a-mae-de-todas-as-lutas-carta-da-xviii-assembleia-da-cpt-bahiasergipe\/","title":{"rendered":"\u201cA luta pela Terra \u00e9 a m\u00e3e de todas as lutas\u201d. Carta da XVIII Assembleia da CPT Bahia\/Sergipe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>\u201cVim trazer fogo \u00e0 terra e como gostaria que j\u00e1 estivesse queimando!\u201d (Lucas 12,49)<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/40-anos-cpt.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9321\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/40-anos-cpt.jpg?resize=550%2C301\" alt=\"40-anos-cpt\" width=\"550\" height=\"301\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/40-anos-cpt.jpg?w=550&amp;ssl=1 550w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/40-anos-cpt.jpg?resize=300%2C164&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/40-anos-cpt.jpg?resize=250%2C137&amp;ssl=1 250w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a>Em meio \u00e0 crise generalizada que assola o Pa\u00eds, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra Bahia\/Sergipe, vinda das lutas pela terra e pela dignidade da vida na terra, juntando for\u00e7as para resistir e alimentar esperan\u00e7as, reuniu-se em sua XVIII Assembleia Regional, entre os dias 12 e 14 de abril de 2016, no Recanto Maria de Nazar\u00e9, em Feira de Santana, onde h\u00e1 40 anos foi criada. Tomados pela perplexidade do momento nacional, mas animados pelo lema do IV Congresso Nacional da CPT (Porto Velho, 2015) \u201cFaz escuro, mas eu canto: mem\u00f3ria, rebeldia e esperan\u00e7a dos pobres da terra\u201d, 34 trabalhadores e trabalhadoras rurais, agentes pastorais e assessores puderam refletir sobre a conjuntura atual, avaliar o \u00faltimo tri\u00eanio de trabalho, definir prioridades e estrat\u00e9gias para os pr\u00f3ximos anos e eleger nova coordena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os angustiantes retrocessos pol\u00edticos em curso s\u00f3 agravam a situa\u00e7\u00e3o e as perspectivas para o campo na Bahia e no Brasil. Os testemunhos de trabalhadores\/as e agentes teceram um quadro de mazelas vividas cotidianamente pelas comunidades camponesas e tamb\u00e9m urbanas, nos quatro cantos do estado: perda das terras e territ\u00f3rios, destrui\u00e7\u00e3o de nascentes e matas, expuls\u00e3o das fam\u00edlias, desemprego e carestia, viol\u00eancia f\u00edsica e simb\u00f3lica, degrada\u00e7\u00e3o cultural etc.<\/p>\n<p>Fica expl\u00edcito que o atual modelo econ\u00f4mico-pol\u00edtico, baseado na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de commodities dos setores do agroneg\u00f3cio, energia e minera\u00e7\u00e3o, com as obras p\u00fablicas e privadas de infraestrutura a servi\u00e7o deles, n\u00e3o tem limites e sup\u00f5e e requer a grilagem da terra e dos territ\u00f3rios dos camponeses e dos povos e comunidades tradicionais, em especial ind\u00edgenas, e mesmo seu aniquilamento. O recrudescimento da viol\u00eancia no campo, sobretudo com os assassinatos de camponeses e ind\u00edgenas e suas lideran\u00e7as, n\u00e3o deixa d\u00favidas: estamos, em pleno global s\u00e9culo XXI, vivendo um novo ciclo de expropria\u00e7\u00e3o camponesa e acumula\u00e7\u00e3o capitalista da terra.<\/p>\n<p>Impactos se d\u00e3o por primeiro no campo fundi\u00e1rio e ambiental, em que territ\u00f3rios e \u00e1reas pleiteadas para a Reforma Agr\u00e1ria s\u00e3o disputados por \u00e1vidos interesses empresariais e bens naturais s\u00e3o tomados como inesgot\u00e1veis e meras mercadorias, sob o falso e velho discurso do \u201cdesenvolvimento\u201d, ao rev\u00e9s das evid\u00eancias de reconcentra\u00e7\u00e3o da renda e da riqueza e do que a pr\u00f3pria natureza vem crescentemente sinalizando com a exaust\u00e3o de recursos e ciclos naturais, como na crise h\u00eddrica. Evidenciou-se para n\u00f3s que a crise pol\u00edtica, que chega ao auge nesta semana de vota\u00e7\u00e3o do impedimento da presidente no Congresso Nacional, tem muito de fabricada, nada tem de \u00e9tica e visa o controle absoluto do Estado para uma nova e mais aprofundada fase deste modelo predat\u00f3rio, corrupto e aniquilante de bens comuns e direitos. Seja qual for o resultado, entraremos numa per\u00edodo ainda mais dif\u00edcil de luta e resist\u00eancia popular, \u00e0 qual n\u00e3o nos furtaremos! N\u00e3o abrimos m\u00e3o desta democracia, mesmo com seus \u00f3bvios limites, e exigimos respeito \u00e0s regras estabelecidas e uma reforma pol\u00edtica radical conduzida pela sociedade civil organizada.<\/p>\n<p>Este horizonte sombrio nos provoca a um olhar para tr\u00e1s, quando as organiza\u00e7\u00f5es populares tiveram \u00eaxito em um processo de repensar a sociedade brasileira a partir do povo, nos movimentos de educa\u00e7\u00e3o de base, alicer\u00e7ados nos m\u00e9todos da Educa\u00e7\u00e3o Popular, na emancipa\u00e7\u00e3o e autonomia dos pobres e em um projeto para o Brasil. Sob esta inspira\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, urge retomar as iniciativas de educa\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o populares para reinventar a luta, a sociedade e a pol\u00edtica. Nesta caminhada, de onde, como Pastoral da Terra, nunca arredamos p\u00e9, nos reencontramos \u2013 o que nos permite vislumbrar horizontes menos sombrios, n\u00e3o s\u00f3 para o Pa\u00eds, mas tamb\u00e9m para a Am\u00e9rica Latina, a P\u00e1tria Grande, e todo o Planeta.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o dos trabalhos revelou que, apesar das adversidades, o povo lutou e resistiu em defesa dos seus direitos; empreendimentos degradantes foram barrados ou condicionados; comunidades unidas conseguiram manter seus territ\u00f3rios e modos de produzir e viver e mesmo nestes avan\u00e7ar. Muito foi feito e os resultados, insuficientes, apontam para a necessidade de continuar fazendo. A articula\u00e7\u00e3o e a troca de experi\u00eancias entre os diversos grupos e povos, em interc\u00e2mbios, redes e \u201cteias\u201d, mostram o quanto \u00e9 importante a constru\u00e7\u00e3o coletiva do conhecimento, que nasce da pr\u00e1tica cotidiana e da luta. A agroecologia aparece a\u00ed como elemento unificador e provocador de que os povos tradicionais e comunidades camponesas possuem um modo de vida e de trabalho e de rela\u00e7\u00e3o com os bens da terra e entre si \u2013 marcados pelo Bem Viver em constru\u00e7\u00e3o permanente \u2013 que sinaliza na dire\u00e7\u00e3o do que pode e deve ser a supera\u00e7\u00e3o das crises atuais do Pa\u00eds e da humanidade. N\u00e3o se trata de uma imposs\u00edvel volta ao passado, mas de reconstru\u00e7\u00e3o destas rela\u00e7\u00f5es vitais, na contemporaneidade, em base a estes princ\u00edpios essenciais, a Vida e as vidas acima das mercadorias e do lucro. Este o novo sentido da Reforma Agr\u00e1ria para os sem-terra e os povos territoriais.<\/p>\n<p>Neste rumo, entendendo que a \u201cluta pela Terra \u00e9 a m\u00e3e de todas as lutas\u201d, v\u00e3o as prioridades e estrat\u00e9gias definidas para os pr\u00f3ximos tr\u00eas anos da CPT Bahia\/Sergipe: apoio \u00e0s lutas pelos territ\u00f3rios e pela reforma agr\u00e1ria e de enfrentamento aos projetos do capital (agroneg\u00f3cio, de energia \u2013 barragens e parques e\u00f3licos \u2013 e minera\u00e7\u00e3o), lan\u00e7ando m\u00e3o do trabalho de base \/ educa\u00e7\u00e3o popular \/ forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica comunit\u00e1ria e da comunica\u00e7\u00e3o alternativa e alterativa. Comemorando os 40 anos da CPT no Brasil e na Bahia, reafirmamos nossa posi\u00e7\u00e3o de autonomia pol\u00edtico-pastoral a servi\u00e7o do protagonismo campon\u00eas, para o que v\u00e3o se tornando mais urgentes a sustentabilidade de nosso trabalho e a contribui\u00e7\u00e3o de agentes volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>O momento \u00e9 de vig\u00edlia permanente em defesa da democracia e da dignidade do povo brasileiro. Nesta sua XVIII Assembleia assumimos dar prosseguimento \u00e0 hist\u00f3rica atua\u00e7\u00e3o da CPT Bahia\/Sergipe junto aos povos e comunidades do campo, em suas trincheiras de resist\u00eancia a todo tipo de golpe contra a terra e os territ\u00f3rios de vida na Terra. Renova-se em n\u00f3s o desejo do \u201cfogo\u201d revolucion\u00e1rio e libertador de todas as opress\u00f5es, que Cristo veio trazer \u00e0 terra, por uma nova forma de nela bem viver.<\/p>\n<p><em>Feira de Santana \u2013 BA, 14 de abril de 2016.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVim trazer fogo \u00e0 terra e como gostaria que j\u00e1 estivesse queimando!\u201d (Lucas 12,49) Em meio \u00e0 crise generalizada que assola o Pa\u00eds, a Comiss\u00e3o Pastoral da Terra Bahia\/Sergipe, vinda das lutas pela terra e pela dignidade da vida na terra, juntando for\u00e7as para resistir e alimentar esperan\u00e7as, reuniu-se em sua XVIII Assembleia Regional, entre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":9321,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[5,1],"tags":[],"class_list":["post-9320","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-noticias"],"acf":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/40-anos-cpt.jpg?fit=550%2C301&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"publishpress_future_workflow_manual_trigger":{"enabledWorkflows":[]},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9320","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9320"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9320\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9322,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9320\/revisions\/9322"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9321"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}