{"id":87842,"date":"2025-05-22T19:13:15","date_gmt":"2025-05-22T22:13:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=87842"},"modified":"2025-05-22T19:13:36","modified_gmt":"2025-05-22T22:13:36","slug":"desaposentacao-o-que-foi-o-que-ficou-e-o-que-esta-por-vir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/desaposentacao-o-que-foi-o-que-ficou-e-o-que-esta-por-vir\/","title":{"rendered":"Desaposenta\u00e7\u00e3o: o que foi, o que ficou e o que est\u00e1 por vir"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\"><strong>Jo\u00e3o Badari*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Aposentados-Desaposentacao-Reproducao.png?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"612\" height=\"408\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Aposentados-Desaposentacao-Reproducao.png?resize=612%2C408&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-87843\" style=\"width:678px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Aposentados-Desaposentacao-Reproducao.png?w=612&amp;ssl=1 612w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Aposentados-Desaposentacao-Reproducao.png?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 612px) 100vw, 612px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Durante anos, a palavra &#8220;desaposenta\u00e7\u00e3o&#8221; mobilizou aposentados, advogados e o Judici\u00e1rio em todo o pa\u00eds. O termo se referia \u00e0 possibilidade de um segurado renunciar \u00e0 aposentadoria j\u00e1 concedida para obter novo benef\u00edcio, recalculado com base nas contribui\u00e7\u00f5es feitas ap\u00f3s voltar ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A tese teve impulso especialmente ap\u00f3s a reforma da Previd\u00eancia de 1998, que endureceu crit\u00e9rios e reduziu valores de aposentadorias. Com a volta ao mercado de trabalho, muitos segurados continuaram contribuindo ao INSS, mas sem contrapartida no valor do benef\u00edcio. A sa\u00edda encontrada foi judicializar: buscava-se cancelar a aposentadoria anterior e abrir um novo c\u00e1lculo, somando as contribui\u00e7\u00f5es antigas e novas.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia enfrentava resist\u00eancia do INSS e dividia tribunais. Defensores alegavam viola\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio contributivo-retributivo \u2014 segundo o qual o valor da aposentadoria deve refletir as contribui\u00e7\u00f5es efetivamente feitas. Cr\u00edticos viam risco \u00e0 sustentabilidade do sistema e inseguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaAT7tDLI8Yfj5y9Z50Z\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-vivid-red-color\">>> Siga nosso canal no WhatsApp e veja mais not\u00edcias<\/mark><\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 2016, veio o marco definitivo: o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 7 votos a 4, que a desaposenta\u00e7\u00e3o era inconstitucional. N\u00e3o havia, segundo a Corte, previs\u00e3o legal para ren\u00fancia de benef\u00edcio com o objetivo de recalcular valores. A decis\u00e3o reafirmou a validade do art. 18, \u00a7 2\u00ba, da Lei 8.213\/91, que veda novo benef\u00edcio ao aposentado que permanece trabalhando e contribuindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, a\u00e7\u00f5es judiciais em curso perderam for\u00e7a, e o tema deixou os tribunais superiores praticamente pacificado. A \u00faltima palavra veio em 2020, quando o STF reafirmou sua posi\u00e7\u00e3o e ainda resolveu ponto sens\u00edvel: aposentados que j\u00e1 haviam obtido decis\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 desaposenta\u00e7\u00e3o com tr\u00e2nsito em julgado n\u00e3o precisariam devolver os valores recebidos. Foi um al\u00edvio para milhares de segurados beneficiados por decis\u00f5es anteriores \u00e0 virada da jurisprud\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da negativa judicial, a demanda social por algum tipo de reavalia\u00e7\u00e3o das aposentadorias persistiu. E foi no Congresso que o debate ressurgiu, reformulado. Em maio de 2025, a Comiss\u00e3o de Previd\u00eancia da C\u00e2mara dos Deputados aprovou um substitutivo ao Projeto de Lei 2.567\/2011, relatado pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ). A proposta permite que aposentados que retornem \u00e0 ativa por pelo menos cinco anos solicitem administrativamente o rec\u00e1lculo de sua aposentadoria, sem ren\u00fancia ao benef\u00edcio em vigor.<\/p>\n\n\n\n<p>A medida se aplica ao Regime Geral da Previd\u00eancia Social (RGPS), com exce\u00e7\u00e3o das aposentadorias por incapacidade permanente ou especial. O pedido poder\u00e1 ser feito at\u00e9 duas vezes. Segundo a relatora, o novo modelo corrige distor\u00e7\u00f5es de forma mais segura: \u201cA desaposenta\u00e7\u00e3o exigia a ren\u00fancia a um direito adquirido, criando inseguran\u00e7a. J\u00e1 o rec\u00e1lculo administrativo evita lit\u00edgios e valoriza o esfor\u00e7o contributivo do segurado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto ainda precisa passar pelas comiss\u00f5es de Finan\u00e7as e Tributa\u00e7\u00e3o, e de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania. Se aprovado, segue ao Senado. Por ora, representa um aceno do Legislativo a uma demanda antiga da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>A desaposenta\u00e7\u00e3o, como constru\u00edda judicialmente, est\u00e1 fora do horizonte jur\u00eddico desde 2016. Mas o princ\u00edpio que a motivava \u2014 dar ao segurado que seguiu contribuindo a chance de ver esse esfor\u00e7o reconhecido \u2014 ainda inspira movimentos no Congresso. A eventual aprova\u00e7\u00e3o da proposta pode marcar uma virada: da via litigiosa para a solu\u00e7\u00e3o administrativa, mais previs\u00edvel e alinhada ao equil\u00edbrio financeiro da Previd\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\">*Jo\u00e3o Badari<\/mark><\/strong> <em>\u00e9 advogado especialista em Direito Previdenci\u00e1rio e s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Aith, Badari e Luchin Advogados<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Badari* Durante anos, a palavra &#8220;desaposenta\u00e7\u00e3o&#8221; mobilizou aposentados, advogados e o Judici\u00e1rio em todo o pa\u00eds. O termo se referia \u00e0 possibilidade de um segurado renunciar \u00e0 aposentadoria j\u00e1 concedida para obter novo benef\u00edcio, recalculado com base nas contribui\u00e7\u00f5es feitas ap\u00f3s voltar ao trabalho. 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