{"id":79963,"date":"2024-03-29T19:53:25","date_gmt":"2024-03-29T22:53:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=79963"},"modified":"2024-03-29T19:53:27","modified_gmt":"2024-03-29T22:53:27","slug":"a-santa-ceia-do-cangaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/a-santa-ceia-do-cangaco\/","title":{"rendered":"A Santa Ceia do Canga\u00e7o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Do fato, a foto a montagem tem de fato poder.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Darlan Valverde<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Fotomontagem-Luci-Guimaraes.jpeg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"533\" height=\"453\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Fotomontagem-Luci-Guimaraes.jpeg?resize=533%2C453&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-79964\" style=\"width:688px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Fotomontagem-Luci-Guimaraes.jpeg?w=533&amp;ssl=1 533w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Fotomontagem-Luci-Guimaraes.jpeg?resize=300%2C255&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 533px) 100vw, 533px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Fotomontagem: Luci Guimar\u00e3es<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Uma composi\u00e7\u00e3o muito bem distribu\u00edda, talvez o retrato que Benjamim tenha guardado em seus sonhos e nunca tenha tido a oportunidade de corporific\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa atmosfera em variada paleta de tons s\u00e9pia ilustra com certa poesia a hist\u00f3ria e o desfecho de cada mulher estampada hoje em pixel. \u00c9 o novo refazendo o velho. Se o objetivo era reconstruir uma concep\u00e7\u00e3o poderosa da imagem, aqui est\u00e1 ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a textura de uma ef\u00edgie, as Marias que observo agrupadas nesse quadro, bem como as outras al\u00e9m delas, hoje meros espectros impressos em p\u00e1ginas de livros e softwares. Claramente inflamamadas por um novo reposicionamento vultoso, essas figuras despertam em mim profunda e desconcertante reflex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos come\u00e7ar com S\u00e9rgia Ribeiro que, em p\u00fablica declara\u00e7\u00e3o ao ser entrevistada, dizia alertar outras mulheres (meninas) sobre os perigos e mazelas de emergirem naquela vida desolada do canga\u00e7o. L\u00e1 est\u00e1 ela, a primeira cangaceira fixada da esquerda para a direita, ao lado da que, certamente, tenha sido a \u00faltima depoente do nosso nordewestern. Ah, doce Dulce, \u00faltima remanescente do bando, parece estar sendo abra\u00e7ada por Dad\u00e1, logo ela que, ironicamente, nunca quis aquela vida e foi levada contra vontade ainda mo\u00e7oila.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o vejo Maria Jovina estrategicamente posta no fundo e ao centro entre Mo\u00e7a e Cristina, que portam not\u00f3ria similaridade com suas chapeletas sobre as cabe\u00e7as. Por\u00e9m, n\u00e3o iriam compartilhar do mesmo destino. Coincidentemente, as duas foram obrigadas a sair da horda n\u00f4made de salteadores. Uma, apesar de presa e vi\u00fava por duas vezes, pode ter sua vida continuada, enquanto a outra encontrou tr\u00e1gico fim sendo covardemente assassinada.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma sequ\u00eancia, ainda em segundo plano e em p\u00e9, percebe-se interessante detalhe: as compatriotas Ad\u00edlia e Sila, al\u00e9m de uma terceira que me parece ser Durvinha. Por favor, algu\u00e9m me corrija se eu estiver equivocado. Distingue-se por esbo\u00e7arem algo em comum. Incrustadas nessa paisagem vividamente destacam-se por serem as \u00fanicas a estarem sorrindo.<\/p>\n\n\n\n<p>O canga\u00e7o e suas mulheres remotando fotos de fatos. A m\u00edstica cena tem cheiro, tem cor, tem barulho. Ela nos entrega onze mulheres sustentadas nessa intrigante e epif\u00e2nica imagem, revelando, portanto o n\u00famero exato que corresponde aos cangaceiros mortos na Grota do Angico.<\/p>\n\n\n\n<p>E por fim, temos o primeiro plano provocando-nos para o deleite de uma perfeita concep\u00e7\u00e3o est\u00e9tica: a pequena pankarar\u00e9 Inacinha, estadeando ao lado da figura central, Maria Gomes de Oliveira, a Maria de D\u00e9a, a Maria do Capit\u00e3o transmutada para a posteridade como Maria Bonita, empalada na soberania, sentindo por hora ocupar-se do trono de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Respons\u00e1vel pela virada de chave que permitiu a entrada das mulheres na cabru\u00earagem. Mima-se despreocupada, rutila-se e ostenta em seu lado direito Nen\u00ea do Ouro. Ouro motivo qual tanto se matou e morreu. Ouro que tanto cintilava de forma ardente nos corpos que o carregavam. Trajes adornados, aformoseados, polido como espelho que refletia aventura, viol\u00eancia, dor e morte.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do fato, a foto a montagem tem de fato poder. Por Darlan Valverde Uma composi\u00e7\u00e3o muito bem distribu\u00edda, talvez o retrato que Benjamim tenha guardado em seus sonhos e nunca tenha tido a oportunidade de corporific\u00e1-lo. 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