{"id":79487,"date":"2024-02-29T09:32:37","date_gmt":"2024-02-29T12:32:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=79487"},"modified":"2024-02-29T09:32:40","modified_gmt":"2024-02-29T12:32:40","slug":"as-doencas-esquecidas-que-deixam-28-milhoes-de-brasileiros-sob-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/as-doencas-esquecidas-que-deixam-28-milhoes-de-brasileiros-sob-risco\/","title":{"rendered":"As doen\u00e7as &#8216;esquecidas&#8217; que deixam 28 milh\u00f5es de brasileiros sob risco"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Desafios silenciosos da sa\u00fade p\u00fablica brasileira.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>BBC News Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Doencas-esquecidas-foto-Getty-Images.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"594\" height=\"334\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Doencas-esquecidas-foto-Getty-Images.jpg?resize=594%2C334&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-79488\" style=\"width:804px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Doencas-esquecidas-foto-Getty-Images.jpg?w=594&amp;ssl=1 594w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Doencas-esquecidas-foto-Getty-Images.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 594px) 100vw, 594px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Brasil \u00e9 2\u00ba pa\u00eds com mais casos de hansen\u00edase, doen\u00e7a para a qual h\u00e1 diagn\u00f3stico e tratamento amplamente dispon\u00edveis &#8211; Foto: Getty Images<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Todos os anos, 28,9 milh\u00f5es de brasileiros correm o risco de sofrer com alguma das doen\u00e7as tropicais negligenciadas que ainda assolam o pa\u00eds. Isso representa 14% da popula\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa estimativa praticamente dobrou no per\u00edodo entre 2016 e 2020 \u2014 at\u00e9 2015, acreditava-se que esses problemas de sa\u00fade poderiam afetar cerca de 15 milh\u00f5es de pessoas (ou 7,3% da popula\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses s\u00e3o alguns dos dados que aparecem em um boletim epidemiol\u00f3gico publicado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade no final de janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as condi\u00e7\u00f5es que aparecem na lista, algumas possuem diagn\u00f3stico e tratamento dispon\u00edveis h\u00e1 anos na rede p\u00fablica, como a hansen\u00edase e o tracoma.<\/p>\n\n\n\n<p>Como mostrou o Censo 2022, 49 milh\u00f5es de brasileiros (24% da popula\u00e7\u00e3o) ainda vivem em resid\u00eancias sem descarte adequado de esgoto, 18 milh\u00f5es (9%) n\u00e3o t\u00eam coleta de lixo, 6 milh\u00f5es (3%) n\u00e3o t\u00eam abastecimento de \u00e1gua adequado e 1,2 milh\u00e3o (0,6%) n\u00e3o t\u00eam banheiro ou sequer um sanit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algumas doen\u00e7as que se espalham praticamente por todo o territ\u00f3rio nacional, como os acidentes of\u00eddicos (as mordeduras de serpentes), e outras que est\u00e3o restritas a pouqu\u00edssimos munic\u00edpios, como a raiva humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Em editorial divulgado recentemente em uma publica\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, representantes do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade admitiram que a exist\u00eancia dessas doen\u00e7as no pa\u00eds \u2014 e o fato de elas afetarem principalmente popula\u00e7\u00f5es socialmente vulner\u00e1veis \u2014 &#8220;nos envergonha como na\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um projeto lan\u00e7ado pelo governo federal nas \u00faltimas semanas promete eliminar ou controlar muitas dessas enfermidades.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Dengue-aedes-foto-Getty-Images.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"726\" height=\"409\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Dengue-aedes-foto-Getty-Images.jpg?resize=726%2C409&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-79489\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Dengue-aedes-foto-Getty-Images.jpg?w=726&amp;ssl=1 726w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Dengue-aedes-foto-Getty-Images.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 726px) 100vw, 726px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas favorecem dissemina\u00e7\u00e3o de mosquitos transmissores de doen\u00e7as &#8211; Foto: Getty Images<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Problemas esquecidos<\/mark><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em linhas gerais, as doen\u00e7as tropicais s\u00e3o definidas como aquelas que acontecem nos tr\u00f3picos ou nas regi\u00f5es mais quentes do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o conceito seja um tanto impreciso \u2014 algumas dessas condi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m aparecem nas zonas temperadas, por exemplo \u2014, \u00e9 tradicionalmente usado para reunir uma s\u00e9rie de quadros diferentes, que v\u00e3o desde a mal\u00e1ria e a dengue at\u00e9 a dracuncul\u00edase e as micoses profundas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando uma doen\u00e7a tropical pode ser considerada como negligenciada? &#8220;S\u00e3o aquelas condi\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o existe um investimento importante, principalmente no que diz respeito \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e \u00e0 descoberta de novos medicamentos, vacinas ou testes diagn\u00f3sticos&#8221;, diz o infectologista Julio Croda, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n\n\n\n<p>Essas enfermidades tamb\u00e9m costumam estar relacionadas \u00e0 pobreza e s\u00e3o &#8220;esquecidas&#8221; do ponto de vista do poder p\u00fablico. Geralmente, n\u00e3o h\u00e1 programas para preven\u00e7\u00e3o, detec\u00e7\u00e3o precoce ou tratamento delas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Falamos de doen\u00e7as negligenciadas, mas o correto seria falar de doen\u00e7as que acometem popula\u00e7\u00f5es negligenciadas&#8221;, argumenta Croda, que tamb\u00e9m \u00e9 professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso porque elas est\u00e3o associadas a desigualdades sociais e econ\u00f4micas, o que tamb\u00e9m leva ao baixo interesse da ind\u00fastria farmac\u00eautica em produzir inova\u00e7\u00f5es, pois do ponto de vista financeiro n\u00e3o se trata de um mercado lucrativo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima que as doen\u00e7as tropicais negligenciadas afetam 1,7 bilh\u00e3o de pessoas no planeta e est\u00e3o relacionadas a 200 mil mortes todos os anos.<\/p>\n\n\n\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o aponta que, al\u00e9m dos custos \u00e0 sa\u00fade e da perda de produtividade, essas enfermidades &#8220;s\u00e3o respons\u00e1veis por outras consequ\u00eancias, como defici\u00eancias, estigmatiza\u00e7\u00e3o, exclus\u00e3o social e discrimina\u00e7\u00e3o, que colocam uma press\u00e3o consider\u00e1vel sobre os pacientes e as fam\u00edlias deles&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A OMS inclui na lista das doen\u00e7as tropicais negligenciadas 25 condi\u00e7\u00f5es diferentes. Destas, dez s\u00e3o citadas diretamente no mais recente boletim epidemiol\u00f3gico do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade sobre o tema. A maioria delas s\u00e3o causadas por vermes, protozo\u00e1rios, bact\u00e9rias ou v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O tracoma, por exemplo, tem diagn\u00f3stico e tratamento simples, que se baseia em uma dose \u00fanica de antibi\u00f3tico. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que n\u00f3s ainda tenhamos casos de brasileiros que ficam cegos por causa dessa infec\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Croda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/filariose-linfatica-foto-Getty-Images.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" width=\"697\" height=\"392\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/filariose-linfatica-foto-Getty-Images.jpg?resize=697%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-79490\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/filariose-linfatica-foto-Getty-Images.jpg?w=697&amp;ssl=1 697w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/filariose-linfatica-foto-Getty-Images.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 697px) 100vw, 697px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Brasil est\u00e1 prestes a ganhar certificado de elimina\u00e7\u00e3o da filariose linf\u00e1tica &#8211; Foto: Getty Images<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Vulner\u00e1veis duplicados<\/mark><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de brasileiros sob risco todos os anos, que se refere ao per\u00edodo de 2016 a 2020, praticamente dobrou em rela\u00e7\u00e3o ao estimado para 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que explica um salto t\u00e3o grande? Para o m\u00e9dico Andr\u00e9 Siqueira, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI-Fiocruz), n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico fator que esteja por tr\u00e1s desse aumento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Primeiro, tivemos uma melhora nos sistemas de detec\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, que permitem conhecer os cen\u00e1rios em que as pessoas est\u00e3o mais expostas&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, anteriormente, quando nem se sabia ao certo a verdadeira situa\u00e7\u00e3o dessas doen\u00e7as \u2014 n\u00famero de casos e mortes, locais com mais transmiss\u00e3o, etc. \u2014 era ainda mais dif\u00edcil estimar o impacto delas na popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Em segundo lugar, existem condi\u00e7\u00f5es que podem favorecer a ocorr\u00eancia dessas doen\u00e7as&#8221;, diz o especialista, que \u00e9 vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre essas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ignorar o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. O aumento m\u00e9dio da temperatura do planeta favorece o espalhamento de insetos transmissores de doen\u00e7as, como a leishmaniose.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o apare\u00e7am na lista de doen\u00e7as negligenciadas do Brasil, o calor tamb\u00e9m representa uma boa not\u00edcia para o mosquito por tr\u00e1s de dengue, zika e chikungunya \u2014 o Aedes aegypti.<\/p>\n\n\n\n<p>A epidemiologista Ethel Maciel, secret\u00e1ria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade e Ambiente do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, cita ainda dois outros elementos que ajudam a entender este cen\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O pr\u00f3prio aumento da pobreza que vivenciamos nos \u00faltimos anos no Brasil tamb\u00e9m impactou esses n\u00fameros&#8221;, diz Maciel.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na Amaz\u00f4nia, tivemos secas recentes, o que fez muitas popula\u00e7\u00f5es ficarem desassistidas do ponto da sa\u00fade, porque h\u00e1 lugares onde voc\u00ea s\u00f3 chega de barco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista ainda aponta que o garimpo ilegal &#8220;restringiu ou dificultou o acesso \u00e0 \u00e1gua e aos alimentos no territ\u00f3rio Yanomami e em muitas outras regi\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0)\" class=\"has-inline-color has-black-color\">Como resolver esse problema?<\/mark><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para lidar com as doen\u00e7as negligenciadas e outras condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, o governo federal anunciou no in\u00edcio de fevereiro o programa Brasil Saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do lan\u00e7amento do projeto, que contou com a presen\u00e7a do bi\u00f3logo Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, o Brasil se tornou o primeiro pa\u00eds do mundo a lan\u00e7ar uma pol\u00edtica que pretende eliminar ou reduzir o impacto de 14 doen\u00e7as ou infec\u00e7\u00f5es que t\u00eam um componente social, relacionado \u00e0 pobreza ou \u00e0s popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil Saud\u00e1vel visa erradicar at\u00e9 2030 doen\u00e7as como mal\u00e1ria, Chagas, tracoma, filariose, esquistossomose, oncocercose e algumas verminoses intestinais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 metas para reduzir casos de tuberculose, HIV, hansen\u00edase e hepatites virais \u2014 e acabar com a transmiss\u00e3o vertical (quando o agente infeccioso passa da m\u00e3e para o beb\u00ea na gesta\u00e7\u00e3o, parto ou amamenta\u00e7\u00e3o) de HIV, s\u00edfilis, hepatite B, Chagas e HTLV.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil Saud\u00e1vel \u00e9 liderado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mas conta com a participa\u00e7\u00e3o de 14 minist\u00e9rios reunidos em um comit\u00ea, porque muitas das a\u00e7\u00f5es n\u00e3o envolvem apenas a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os m\u00e9dicos, mas tamb\u00e9m quest\u00f5es de saneamento b\u00e1sico, moradia e combate \u00e0 pobreza.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Precisamos do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, porque algumas das doen\u00e7as se concentram no sistema prisional. Precisamos do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas, porque algumas dessas popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais afetadas por determinadas condi\u00e7\u00f5es. Precisamos do Minist\u00e9rio da Igualdade Racial, uma vez que parte das enfermidades acomete desproporcionalmente a popula\u00e7\u00e3o negra. E assim por diante&#8221;, exemplifica Maciel. &#8220;O Brasil pode ser protagonista no enfrentamento de muitas dessas doen\u00e7as&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dos problemas negligenciados que aparecem no boletim epidemiol\u00f3gico j\u00e1 est\u00e3o bem pr\u00f3ximos de virar coisa do passado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso da filariose linf\u00e1tica, tamb\u00e9m conhecida como elefant\u00edase. O Brasil tinha poucos focos, em cidades pernambucanas, e n\u00e3o registrou casos nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, as autoridades sanit\u00e1rias fizeram um dossi\u00ea no final do ano passado pedindo que a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana de Sa\u00fade (Opas), o bra\u00e7o da OMS nas Am\u00e9ricas, conceda o certificado de elimina\u00e7\u00e3o dessa verminose ao pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Maciel espera que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade consiga fazer ainda em 2024 uma requisi\u00e7\u00e3o parecida sobre a oncocercose e o tracoma, para que esses quadros tamb\u00e9m estejam oficialmente fora do mapa brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Siqueira pondera que a elimina\u00e7\u00e3o de uma mol\u00e9stia n\u00e3o significa que a hist\u00f3ria acabou. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel, sim, eliminar essas doen\u00e7as, e nosso pa\u00eds j\u00e1 fez isso em outras ocasi\u00f5es. Mas a fragilidade dos sistemas de sa\u00fade locais podem fazer com que elas voltem&#8221;, observa ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Para muitas delas, precisamos de estrat\u00e9gias conjuntas que ultrapassam o setor da sa\u00fade e est\u00e3o relacionadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida e de habita\u00e7\u00e3o melhores&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Croda tamb\u00e9m v\u00ea com bons olhos a iniciativa do governo e chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de investimentos. &#8220;\u00c9 importante existir uma vontade pol\u00edtica para eliminar essas doen\u00e7as, mas precisamos ir al\u00e9m&#8221;, aponta ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Necessitamos de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, porque n\u00e3o h\u00e1 interesse da ind\u00fastria farmac\u00eautica em criar tratamentos, vacinas ou testes diagn\u00f3sticos para essas condi\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O infectologista lembra que, h\u00e1 alguns anos, existia uma grande dificuldade em se obter exames para detectar a doen\u00e7a de Chagas \u2014 e isso s\u00f3 mudou quando o poder p\u00fablico decidiu que o Brasil iria liderar essa busca por testes.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Sem investimentos destinados para isso, n\u00e3o conseguiremos atingir as metas de elimina\u00e7\u00e3o&#8221;, alerta Croda.<\/p>\n\n\n\n<p>Maciel pontua que haver\u00e1 financiamento para o projeto, e os valores ser\u00e3o maiores ao que \u00e9 historicamente gasto com as doen\u00e7as negligenciadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, o Novo PAC [Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento] tamb\u00e9m tem os vazios assistenciais como alvo, com foco especial no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde muitas dessas condi\u00e7\u00f5es t\u00eam maior concentra\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desafios silenciosos da sa\u00fade p\u00fablica brasileira. BBC News Brasil Todos os anos, 28,9 milh\u00f5es de brasileiros correm o risco de sofrer com alguma das doen\u00e7as tropicais negligenciadas que ainda assolam o pa\u00eds. Isso representa 14% da popula\u00e7\u00e3o total. 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