{"id":75781,"date":"2023-08-03T21:32:31","date_gmt":"2023-08-04T00:32:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=75781"},"modified":"2023-08-03T21:32:33","modified_gmt":"2023-08-04T00:32:33","slug":"bullying-na-escola-afeta-40-dos-estudantes-aponta-pesquisa-do-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/bullying-na-escola-afeta-40-dos-estudantes-aponta-pesquisa-do-ibge\/","title":{"rendered":"Bullying na escola afeta 40% dos estudantes, aponta pesquisa do IBGE"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Lisandra Barbiero comenta que o bullying adotivo, ainda pouco debatido, tem uma dose maior de perversidade porque criminaliza a origem gen\u00e9tica da pessoa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bartira Betini<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Bullyinge_pexels-keira-burton-6147156.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Bullyinge_pexels-keira-burton-6147156.jpg?resize=800%2C533&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-75782\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Bullyinge_pexels-keira-burton-6147156.jpg?w=880&amp;ssl=1 880w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Bullyinge_pexels-keira-burton-6147156.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Bullyinge_pexels-keira-burton-6147156.jpg?resize=768%2C511&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"><sub>Foto: Pexels\/Keira Burton<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Quatro em cada dez estudantes foram v\u00edtimas de bullying na escola, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) de julho do ano passado. De acordo com o estudo, 24% dos alunos disseram que \u201ca vida n\u00e3o vale a pena\u201d. Os principais motivos de chacota e humilha\u00e7\u00e3o referem-se \u00e0 apar\u00eancia do corpo, do rosto, da cor e etnia. Embora quase nunca seja descrito em pesquisas, o bullying adotivo engrossa as estat\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na legisla\u00e7\u00e3o, bullying \u00e9 definido como todo ato de viol\u00eancia f\u00edsica ou psicol\u00f3gica, intencional e repetitivo. De acordo com o entendimento legal, diversos crimes podem ser praticados por meio do bullying, principalmente nas escolas. Ainda que os menores de idade n\u00e3o cometam crimes, mas infra\u00e7\u00e3o penal, eles podem ser punidos com medidas socioeducativas previstas pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA).<\/p>\n\n\n\n<p>Um projeto de lei (1333\/20) est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional desde 2020 para tipificar como crime o ato de praticar ou incitar discrimina\u00e7\u00e3o ou preconceito contra crian\u00e7a ou adolescente em raz\u00e3o de sua filia\u00e7\u00e3o civil diversa da consangu\u00ednea, como a adotiva, a socioafetiva e a decorrente da chamada reprodu\u00e7\u00e3o assistida heter\u00f3loga, quando h\u00e1 doa\u00e7\u00e3o de s\u00eamen ou de embri\u00e3o. Ainda n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de quando o projeto ser\u00e1 inclu\u00eddo na pauta de vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A servidora p\u00fablica federal, jornalista e escritora Lisandra Barbiero interessou-se pelo tema bullying adotivo por n\u00e3o ter encontrado refer\u00eancias sobre ele na literatura dispon\u00edvel. Ela comenta que os bullyings tradicionais re\u00fanem as caracter\u00edsticas de trazer dor, medo e ang\u00fastia para a v\u00edtima. Segundo Lisandra, o adotivo re\u00fane essas mesmas caracter\u00edsticas, mas tem uma dose maior de perversidade porque criminaliza a origem gen\u00e9tica da pessoa, expondo a origem de forma pejorativa, colocando a crian\u00e7a adotada como cidad\u00e3o de segunda classe, inferior at\u00e9 mesmo dentro da hierarquia familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 uma criminaliza\u00e7\u00e3o da gen\u00e9tica dessa crian\u00e7a, mesmo ap\u00f3s o processo finalizado da ado\u00e7\u00e3o. Eu vivenciei isso e outros adotados com quem conversei tamb\u00e9m, se sentiam muito inferiores dentro da hierarquia familiar, tinham vergonha de contar sua hist\u00f3ria. A\u00ed vem o medo, a falta de pertencimento da fam\u00edlia\u201d, alega Lisandra. Ela diz que o bullying adotivo provoca o sentimento de n\u00e3o fazer parte da fam\u00edlia, de n\u00e3o ser amado como deveria e alerta os pais adotivos a manterem o olhar atento sobre os filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam o arcabou\u00e7o intelectual que o adulto tem, mas observa e absorve. O que as pessoas \u00e0s vezes consideram timidez pode ser silenciamento\u201d, afirma a escritora. Adotada aos 7 meses, Lisandra enfrentou um processo traum\u00e1tico de bullying adotivo na escola. Ela conta que descobriu a ado\u00e7\u00e3o ao confrontar a m\u00e3e porque se viu diferente dos demais membros da fam\u00edlia nos porta-retratos espalhados pela casa. Na \u00e9poca, h\u00e1 30 anos, conta que se sentiu especial quando a m\u00e3e disse que ela n\u00e3o tinha sido gerada na barriga, mas no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAchei aquilo bonito, verdadeiro e me senti especial, nos abra\u00e7amos e essa foi a maior confid\u00eancia de amor entre n\u00f3s. Eu me senti filha e amada\u201d, lembra. No entanto, ao contar a novidade na escola, a escritora descobriu todo o preconceito que ainda cerca o tema. Ela lembra que quando dividiu a hist\u00f3ria com os colegas eles n\u00e3o entenderam o que era ser gerada no cora\u00e7\u00e3o, mas, no dia seguinte passaram a olhar com desconfian\u00e7a e reprova\u00e7\u00e3o. Ao entrar na sala de aula, no quadro verde estava escrito em letra grande: \u201cvoc\u00ea foi adotada\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs colegas disseram que eu tinha sido encontrada no lixo, que ningu\u00e9m me quis, que nunca havia sido amada, que era feia e pobre. Foi um bullying devido \u00e0 ado\u00e7\u00e3o, \u00e0 hist\u00f3ria gen\u00e9tica. E at\u00e9 hoje n\u00e3o tem ningu\u00e9m que escreve sobre isso. Que outras crian\u00e7as n\u00e3o sofrem caladas o que sofri?\u201d. questiona a escritora. Ela comenta que precisou de muitos anos para ressignificar sua ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Lisandra defende que o tema bullying adotivo seja debatido na escola. \u201cA educa\u00e7\u00e3o precisa ter um olhar voltado para isso\u201d, comenta. Ela \u00e9 autora de tr\u00eas livros e um e-book sobre ado\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o Nascemos Filhos, Nos Tornamos: o amor na ado\u00e7\u00e3o sempre vencer\u00e1 o medo do abandono e do desamor\u201d defende que toda crian\u00e7a, consangu\u00ednea ou n\u00e3o, percorre o mesmo processo para se tornar filho, que passa pela conviv\u00eancia di\u00e1ria com a fam\u00edlia, pela decis\u00e3o dos pais de amar, acolher e cuidar dessa crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Incr\u00edvel Hist\u00f3ria de Aninha\u201d, volumes 1 e 2, fala sobre a descoberta da ado\u00e7\u00e3o, de maneira amorosa, e sobre o que representa passar por esse processo. O e-book \u201c15 Li\u00e7\u00f5es de Uma Adotada\u201d foi escrito a partir da experi\u00eancia da autora, sobre como ressignificou a ado\u00e7\u00e3o para moldar-se como pessoa, na forma de construir sua fam\u00edlia e de ter amizades.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo do trabalho liter\u00e1rio de Lisandra \u00e9 lan\u00e7ar luz sobre o tema ado\u00e7\u00e3o. \u201cQuero que mais crian\u00e7as tenham a oportunidade que tive, de ser amada, acolhida e ter o aconchego de viver em uma fam\u00edlia. Tenho m\u00e3e, irm\u00e3o, raiz, hist\u00f3ria. Por mais que as institui\u00e7\u00f5es de acolhimento deem todas as condi\u00e7\u00f5es para as crian\u00e7as viverem ali, n\u00e3o \u00e9 o local adequado para uma crian\u00e7a crescer. A crian\u00e7a precisa de v\u00ednculo, da conviv\u00eancia familiar, da prote\u00e7\u00e3o de uma casa. Quero que mais fam\u00edlias sejam despertadas para esse encontro oportunizado pela vida. Quero que mais crian\u00e7as tenham oportunidade de terem orgulho da sua hist\u00f3ria, da sua origem, de se sentirem amadas e respeitadas pela sua fam\u00edlia\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisandra Barbiero comenta que o bullying adotivo, ainda pouco debatido, tem uma dose maior de perversidade porque criminaliza a origem gen\u00e9tica da pessoa. Bartira Betini Quatro em cada dez estudantes foram v\u00edtimas de bullying na escola, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) de julho do ano passado. 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