{"id":69086,"date":"2022-09-29T20:02:07","date_gmt":"2022-09-29T23:02:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=69086"},"modified":"2022-09-29T20:02:09","modified_gmt":"2022-09-29T23:02:09","slug":"pecados-publicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/pecados-publicos\/","title":{"rendered":"Pecados p\u00fablicos"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Photo_Mensagem-padre-Fabio.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"727\" height=\"301\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Photo_Mensagem-padre-Fabio.jpg?resize=727%2C301\" alt=\"\" class=\"wp-image-69087\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Photo_Mensagem-padre-Fabio.jpg?w=727&amp;ssl=1 727w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Photo_Mensagem-padre-Fabio.jpg?resize=300%2C124&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 727px) 100vw, 727px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o reclamo. Apenas constato. Tem ficado cada vez mais dif\u00edcil a gente se reconciliar com os erros cometidos. O motivo \u00e9 simples. A vida privada acabou. O acontecimento particular passa a pertencer a todos. A internet \u00e9 um recurso para que isso aconte\u00e7a. Os poucos minutos noticiados n\u00e3o cair\u00e3o no esquecimento. H\u00e1 um modo de faz\u00ea-los perdurarem. Quem n\u00e3o viu poder\u00e1 ver. Repetidas vezes. \u00c9 s\u00f3 procurar o caminho, digitar uma palavra para a busca.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo tem sido assim. A socializa\u00e7\u00e3o da not\u00edcia \u00e9 um fato novo, interessant\u00edssimo. Possibilita a informa\u00e7\u00e3o aos que n\u00e3o estavam diante da TV no momento em que foi exibida.<\/p>\n\n\n\n<p>A internet nos oferece uma porta que nos devolve ao passado. Fico fascinado com a possibilidade de rever as aberturas dos programas do meu tempo de inf\u00e2ncia. As imagens que permaneciam vivas no inconsciente reencontram a realidade das cores, movimentos e dos sons.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que fazer quando a imagem dispon\u00edvel refere-se ao momento tr\u00e1gico da vida de uma pessoa? Indig\u00eancia exposta, ferida que foi cavada pelos dedos pontiagudos da fragilidade humana? Ainda \u00e9 cedo para dizer. Este novo tempo ainda balbucia suas primeiras palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>O certo \u00e9 que a imagem eterniza o erro, o deslize. Ficar\u00e1 para posteridade. Estar\u00e1 resguardada, assim como o museu resguarda documentos que nos recordam a hist\u00f3ria do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Coisas da contemporaneidade. Os recursos tecnol\u00f3gicos nos permitem eternizar belezas e feiuras. Uma fala sobre o erro. Eles nascem de nossa condi\u00e7\u00e3o humana. Somos fal\u00edveis. \u00c9 estatuto que n\u00e3o podemos negar. Somos insuficientes, como t\u00e3o bem sugeriu o fil\u00f3sofo franc\u00eas, Blaise Pascal. O bem que conhecemos nem sempre atinge nossas a\u00e7\u00f5es. Todo mundo erra. Uns mais, outros menos. Admitir os erros \u00e9 quest\u00e3o de maturidade. Esperamos que todos o fa\u00e7am. \u00c9 nobre assumir a verdade, esclarecer os fatos. Mais que isso. \u00c9 necess\u00e1rio assumir as consequ\u00eancias jur\u00eddicas e morais dos erros cometidos. N\u00e3o se trata de sugerir acobertamento, nem tampouco solicitar que afrouxem as regras. Quero apenas refletir sobre uma das inadequa\u00e7\u00f5es que a vida moderna estabeleceu para a condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho aprendido que o direito de colocar uma pedra sobre o erro faz parte de toda experi\u00eancia de reconcilia\u00e7\u00e3o pessoal. Virar a p\u00e1gina, recome\u00e7ar, esquecer o peso do deslize \u00e9 fundamental para que a pessoa possa ser capaz de reassumir a vida depois da queda. \u00c9 como ajeitar uma pe\u00e7a que ficou sem encaixe. O prosseguimento requer adequa\u00e7\u00e3o dos desajustes. E isso requer esquecer. Depois de pagar pelo erro cometido a pessoa deveria ter o direito de perder o peso da culpa. O arrependimento edifica, mas a culpa destr\u00f3i.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas como perder o malef\u00edcio do erro se a imagem perpetua no tempo o que na alma n\u00e3o queremos mais trazer? Nasce o impasse. O homem hoje perdoado ainda permanecer\u00e1 aprisionado na imagem. A vida virtual n\u00e3o liberta a real, mas a coloca na perspectiva de um julgamento eterno. A morbidez do momento n\u00e3o se esvai da imagem. Ser\u00e1 recordada toda vez que algu\u00e9m se sentir no direito de retirar a pedra da sepultura. E assim o passado n\u00e3o passa, mas permanece digitalizado, pronto para reacender a dor moral que a imagem recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos na era dos pecados p\u00fablicos. Acusadores e defensores se digladiam nos in\u00fameros territ\u00f3rios da vida virtual. Ambos a acenderem o fogo que indica o lugar onde a v\u00edtima padece. A alguns o anonimato encoraja. Gritam suas den\u00fancias como se estivessem protegidos por uma blindagem moral. Como se tamb\u00e9m n\u00e3o cometessem erros. Como se estivessem em estado de absoluta coer\u00eancia. No conforto de suas hist\u00f3rias preservadas, empunham as pedras para atacar os eleitos do momento.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que o pecador p\u00fablico exerce o papel de v\u00edtima expiat\u00f3ria social. Nele todas as iras s\u00e3o depositadas porque nele todas as mis\u00e9rias s\u00e3o reconhecidas. No pecado do outro n\u00f3s tamb\u00e9m queremos purgar o pecado que est\u00e1 em n\u00f3s. Em formatos diferentes, mas est\u00e1. Crimes menores, maiores; n\u00e3o sei. Mas crimes. Deslizes di\u00e1rios que nos recordam que somos territ\u00f3rio da indig\u00eancia. O pecador exposto na vitrine deixa de ser organismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em sua dignidade negada ele se transforma em mecanismo de purifica\u00e7\u00e3o coletiva. \u00c9 preciso cautela. Nossos gritos de indigna\u00e7\u00e3o nem sempre s\u00e3o sinceros. Podem estar a servi\u00e7o de nossos medos. Ao gritar a defesa ou a condena\u00e7\u00e3o podemos criar a doce e tempor\u00e1ria sensa\u00e7\u00e3o de que o erro \u00e9 uma realidade que n\u00e3o nos pertence. Assumimos o direito de nos excluir da classe dos miser\u00e1veis, porque enquanto o pecador permanecer exposto em sua mis\u00e9ria, n\u00f3s nos sentiremos protegidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa prote\u00e7\u00e3o que n\u00e3o protege \u00e9 a m\u00e3e da hipocrisia. Dela n\u00e3o podemos esperar crescimento humano, nem tampouco o florescimento da miseric\u00f3rdia. Uma coisa \u00e9 certa. Quando a miseric\u00f3rdia deixa de fazer parte da vida humana, tudo fica mais dif\u00edcil. \u00c9 a partir dela que podemos reencontrar o caminho. O erro humano s\u00f3 pode ser superado quando aquele que erra encontra um espa\u00e7o misericordioso que o ajude a reorientar a conduta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nisso somos todos iguais. Acusadores e defensores. Ou h\u00e1 algu\u00e9m entre n\u00f3s que nunca tenha necessitado de ser olhado com miseric\u00f3rdia?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o reclamo. Apenas constato. Tem ficado cada vez mais dif\u00edcil a gente se reconciliar com os erros cometidos. O motivo \u00e9 simples. A vida privada acabou. O acontecimento particular passa a pertencer a todos. A internet \u00e9 um recurso para que isso aconte\u00e7a. Os poucos minutos noticiados n\u00e3o cair\u00e3o no esquecimento. 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