{"id":66353,"date":"2022-07-04T21:27:55","date_gmt":"2022-07-05T00:27:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=66353"},"modified":"2022-07-04T21:27:56","modified_gmt":"2022-07-05T00:27:56","slug":"a-arte-de-ouvir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/a-arte-de-ouvir\/","title":{"rendered":"A arte de ouvir"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Photo_Pinterest-04072022.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Photo_Pinterest-04072022.png?resize=526%2C500\" alt=\"\" class=\"wp-image-66354\" width=\"526\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Photo_Pinterest-04072022.png?w=629&amp;ssl=1 629w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/Photo_Pinterest-04072022.png?resize=300%2C285&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 526px) 100vw, 526px\" \/><\/a><figcaption><sub>Pinterest<\/sub><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ela era uma senhora solit\u00e1ria, envolta no luto da dor, desde que o marido morrera. Vivia s\u00f3, na grande casa do meio da quadra. Casa com varanda e cadeira de balan\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as manh\u00e3s, o entregador de jornais, garoto de uns 10 anos, passava pedalando sua bicicleta e, num gesto bem planejado, atirava o jornal nos degraus da varanda. Nunca errava. Paff! Era o sinal caracter\u00edstico do jornal caindo no segundo degrau.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, numa manh\u00e3 de inverno, quando se preparava para lan\u00e7ar o jornal, ele a viu. Parada nos degraus da varanda, de p\u00e9, acenando-lhe para que se aproximasse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele desceu da bicicleta e foi andando em dire\u00e7\u00e3o a ela. O que ser\u00e1 que ela quer? \u2013 Pensou o garoto. Ser\u00e1 que vai reclamar de alguma coisa?<\/p>\n\n\n\n<p>Venha tomar um caf\u00e9, falou a senhora. Tenho biscoitos gostosos. Enquanto ele saboreava o lanche que lhe aquecia as entranhas, ela come\u00e7ou a falar.<\/p>\n\n\n\n<p>Falou a respeito do marido, de suas vidas, da sua saudade. Passado um quarto de hora, ele se levantou, agradeceu e saiu. No dia seguinte e no outro, a cena se repetiu.<\/p>\n\n\n\n<p>O menino decidiu falar a seu pai a respeito. Afinal, ele achava muito estranha aquela atitude. O pai, homem experiente, lhe disse: Filho, ou\u00e7a apenas. A senhora Almeida deve estar se sentindo solit\u00e1ria, ap\u00f3s a morte do marido.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixe-a falar. Recordar os dias de felicidade vividos deve lhe fazer bem ao cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante que algu\u00e9m a ou\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias que se seguiram, nas semanas e nos meses, o garoto aprendeu a ouvir, demonstrando interesse em seus olhos verdes e espertos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a primavera chegou, ela substituiu o caf\u00e9 quentinho pelo suco de frutas. O ver\u00e3o trouxe sorvete.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, o entregador de jornais j\u00e1 iniciava sua tarefa pensando na parada obrigat\u00f3ria em casa da vi\u00fava. Habituou-se a escutar e escutar. Percebeu, com o tempo, que a velha senhora foi mudando o tom das conversas. Como a primavera, ela voltou a florir, nos meses que vieram depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o ano findou, o menino foi estudar em outra cidade. O tempo se encarregaria de lecionar mais esperan\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o da vi\u00fava e amadurecer ideias no c\u00e9rebro jovem.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos fatores contribu\u00edram para que o garoto e a vi\u00fava n\u00e3o tornassem a se encontrar. Contudo, uma li\u00e7\u00e3o o acompanhou por toda a vida. Ele nunca se esqueceu da import\u00e2ncia de ouvir as pessoas, suas dificuldades, seus problemas, suas queixas. Li\u00e7\u00e3o que contribuiu tamb\u00e9m para o seu sucesso como esposo, pai de fam\u00edlia e profissional.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Saber ouvir \u00e9 uma virtude. De um modo geral, nos cumprimentamos, perguntando uns aos outros, como est\u00e1 a sa\u00fade e a dos familiares.<\/em> <em>Raramente esperamos por uma resposta que n\u00e3o seja a padr\u00e3o: Tudo bem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Normalmente, se o outro passa a desfiar o ros\u00e1rio das suas dores e a problem\u00e1tica da fam\u00edlia, nos desculpamos apontando as nossas obriga\u00e7\u00f5es e quefazeres.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entretanto, quando nos sentimos tristes, desejamos ardentemente que algu\u00e9m nos ou\u00e7a, que escute a cantilena das nossas m\u00e1goas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Pensemos nisso. Mas pensemos agora, enquanto ainda nos encontramos a caminho com nossos irm\u00e3os, na estrada terrena.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela era uma senhora solit\u00e1ria, envolta no luto da dor, desde que o marido morrera. Vivia s\u00f3, na grande casa do meio da quadra. Casa com varanda e cadeira de balan\u00e7o. 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