{"id":62393,"date":"2022-01-21T08:29:38","date_gmt":"2022-01-21T11:29:38","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=62393"},"modified":"2022-01-21T08:29:42","modified_gmt":"2022-01-21T11:29:42","slug":"a-violencia-obstetrica-e-a-saude-mental-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/a-violencia-obstetrica-e-a-saude-mental-da-mulher\/","title":{"rendered":"A viol\u00eancia obst\u00e9trica e a sa\u00fade mental da mulher"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Dr\u00aa Andr\u00e9a Ladislau\/Psicanalista<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Andrea-Ladislau-07012022.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"534\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Andrea-Ladislau-07012022.jpg?resize=800%2C534\" alt=\"\" class=\"wp-image-62095\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Andrea-Ladislau-07012022.jpg?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Andrea-Ladislau-07012022.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Andrea-Ladislau-07012022.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Pouco se fala sobre o parto traum\u00e1tico. Por\u00e9m, nas \u00faltimas semanas o tema ganhou for\u00e7a e visibilidade, quando veio \u00e0 tona a den\u00fancia realizada por uma famosa influencer digital, Shantal Verdelho, dos abusos sofridos durante o trabalho de parto, por parte de um conhecido obstetra de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso serve para descortinar in\u00fameras situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia obst\u00e9trica n\u00e3o expostas. Uma viol\u00eancia caracterizada por abusos, maus tratos ou desrespeito ao longo da gesta\u00e7\u00e3o ou durante o trabalho de parto, tanto de forma f\u00edsica quanto psicol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente esse assunto \u00e9 muito importante, mas ainda \u00e9 bastante velado em nossa sociedade, apesar de ser um grande causador do sofrimento materno. Em m\u00e9dia, 30% das mulheres descrevem o parto como traum\u00e1tico, com a preval\u00eancia de Transtorno do Estresse p\u00f3s Traum\u00e1tico (TEPT). Mas um dos grandes pontos \u00e9 que este transtorno n\u00e3o se resume apenas \u00e0s les\u00f5es f\u00edsicas, temos muitos relatos de dores subjetivas, relacionadas \u00e0 inadequa\u00e7\u00e3o na assist\u00eancia m\u00e9dica durante os procedimentos de urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos entender melhor. A viol\u00eancia obst\u00e9trica \u00e9 um tipo de viol\u00eancia de g\u00eanero, praticada durante o cuidado obst\u00e9trico profissional, caracterizada pelo desrespeito, abusos e maus-tratos durante a gesta\u00e7\u00e3o e\/ou no momento do parto, de forma psicol\u00f3gica, verbal ou f\u00edsica e, consequentemente, torna um dos momentos mais importantes na vida de uma mulher em um momento traum\u00e1tico e devastador.<\/p>\n\n\n\n<p>Compreende desde ter o direito de um acompanhante na hora do parto negado, falta de esclarecimentos sobre o procedimento, at\u00e9 interven\u00e7\u00f5es invasivas desnecess\u00e1rias, como tamb\u00e9m coment\u00e1rios constrangedores, ofensas, humilha\u00e7\u00f5es ou xingamentos e neglig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quais s\u00e3o os impactos dessa viol\u00eancia para a sa\u00fade mental de uma mulher que vive um momento t\u00e3o delicado como o nascimento de um filho? As consequ\u00eancias da viol\u00eancia obst\u00e9trica v\u00e3o al\u00e9m dos danos imediatos, o trauma reflete seriamente na sa\u00fade da mulher, pois, \u00e9 vivenciado em um momento decisivo em v\u00e1rios aspectos da vida e na sa\u00fade, f\u00edsica e mental, tanto do beb\u00ea como da m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>O parto traz grandes altera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, hormonais e ps\u00edquicas. A mulher se v\u00ea diante de uma transforma\u00e7\u00e3o dos seus pap\u00e9is sociais e suas rela\u00e7\u00f5es. Por consequ\u00eancia, existem possibilidades do aparecimento de um quadro de tristeza ou surgimento de transtornos psiqui\u00e1tricos que interfere no v\u00ednculo afetivo saud\u00e1vel entre a m\u00e3e e o beb\u00ea, que \u00e9 potencializado no caso de viol\u00eancia obst\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>O constrangimento \u00e9 o primeiro sentimento que as mulheres enfrentam ap\u00f3s a viol\u00eancia. A ang\u00fastia \u00e9 intensificada e pode desenvolver e potencializar uma sensa\u00e7\u00e3o de inferioridade, medo e inseguran\u00e7a, atrav\u00e9s da humilha\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando sentimentos de incapacidade, inadequa\u00e7\u00e3o e impot\u00eancia da mulher e do seu corpo. Outro ponto extremamente relevante \u00e9 que, tanta dor e sofrimento podem desencadear o medo de uma nova gesta\u00e7\u00e3o por causa da experi\u00eancia vivida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, essa \u00e9 uma das principais queixas da mulher que sofreu esse tipo de viol\u00eancia. Em geral, a grande maioria aponta ind\u00edcios de depress\u00e3o p\u00f3s-parto. Al\u00e9m disso, a vida sexual e a auto estima s\u00e3o afetadas, interferindo na sua imagem corporal e despertando inc\u00f4modos f\u00edsicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido, \u00e9 muito dif\u00edcil a mulher responder de maneira imediata \u00e0 viol\u00eancia sofrida, de forma a se defender, pois \u00e9 normal que, inicialmente, ela permane\u00e7a passiva por se encontrar totalmente desamparada. Isso faz com que, posteriormente, surjam sentimentos de indigna\u00e7\u00e3o, revolta e de incapacidade por n\u00e3o ter conseguido se manifestar diante do abuso; o que acontece com grande parte das mulheres, j\u00e1 que nem todas conseguem ter essa consci\u00eancia sobre o trauma.<\/p>\n\n\n\n<p>Fato \u00e9 que, as viv\u00eancias experimentadas desse momento, fazem parte dos sentimentos, pensamentos e das rela\u00e7\u00f5es das mulheres no processo de constru\u00e7\u00e3o do significado da maternidade, por isso, \u00e9 preciso considerar o impacto que o trauma provoca em cada mulher. Ou seja, significa que as consequ\u00eancias de uma viol\u00eancia obst\u00e9trica atravessam o sentido de ser m\u00e3e e a pr\u00f3pria hist\u00f3ria dessa gestante.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, diante de toda essa descri\u00e7\u00e3o, constata-se que muitas situa\u00e7\u00f5es que acontecem durante o parto podem e devem ser evitadas. \u00c9 preciso que as mulheres tenham consci\u00eancia das circunst\u00e2ncias desse trauma e verbalizem, denunciem e busquem ajuda de um profissional de sa\u00fade mental para que possam fortalecer o seu emocional a ponto de n\u00e3o ferir e prejudicar o desenvolvimento saud\u00e1vel da maternidade e do cuidado com o rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do trauma perinatal ou relacionado com o nascimento \/ parto ainda ser relativamente pouco estudado e divulgado, o caso da Influencer Shantal demonstra, al\u00e9m da real necessidade de denunciar e expor as agress\u00f5es f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas, uma urgente demanda do preparo das equipes obst\u00e9tricas para que n\u00e3o provoquem traumas e saibam entender a import\u00e2ncia de um trato humanizado neste momento sublime da mulher, minimizando assim, o sofrimento e promovendo a qualidade de vida, tanto para ela quanto para o rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Dr\u00aa Andr\u00e9a Ladislau\/Psicanalista Pouco se fala sobre o parto traum\u00e1tico. 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