{"id":60827,"date":"2021-11-12T10:55:20","date_gmt":"2021-11-12T13:55:20","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=60827"},"modified":"2021-11-12T10:55:21","modified_gmt":"2021-11-12T13:55:21","slug":"perdas-subitas-e-inesperadas-podem-trazer-cicatrizes-emocionais-e-ate-mesmo-fisicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/perdas-subitas-e-inesperadas-podem-trazer-cicatrizes-emocionais-e-ate-mesmo-fisicas\/","title":{"rendered":"Perdas s\u00fabitas e inesperadas podem trazer cicatrizes emocionais e at\u00e9 mesmo f\u00edsicas"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Psicanalista aborda em artigo trag\u00e9dia ocorrida com a cantora Mar\u00edlia Mendon\u00e7a<\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Por Dr\u00aa Andr\u00e9a Ladislau*<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/formacao_-verdade-que-homem-nao-chora-.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"426\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/formacao_-verdade-que-homem-nao-chora-.jpg?resize=800%2C426\" alt=\"\" class=\"wp-image-5117\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/formacao_-verdade-que-homem-nao-chora-.jpg?w=940&amp;ssl=1 940w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/formacao_-verdade-que-homem-nao-chora-.jpg?resize=300%2C160&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/formacao_-verdade-que-homem-nao-chora-.jpg?resize=250%2C133&amp;ssl=1 250w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Um luto coletivo. Uma perda que nos faz repensar a morte e repensar a vida. Uma dor aumentada por ter sido ceifada em seu auge. A morte de Maria Mendon\u00e7a, cantora sertaneja de 26 anos, em um tr\u00e1gico acidente a\u00e9reo, suscita reflex\u00f5es, do tipo: Como lidar com as perdas inesperadas de pessoas queridas? Como lidar com o sumi\u00e7o imediato de pessoas que, em um piscar de olhos, sabemos que nunca mais veremos? Estamos preparados para isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Dores intensas que demonstram as fragilidades, vulnerabilidades do ser humano ao se ver frente a um processo de finitude. A verdade \u00e9 que n\u00e3o estamos nunca preparados.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a grande quest\u00e3o est\u00e1 relacionada a como devemos passar pelo processo de elabora\u00e7\u00e3o do luto, seja ele coletivo ou n\u00e3o. Apesar da dor, a consci\u00eancia da morte de algu\u00e9m querido \u00e9 saud\u00e1vel e uma \u00f3tima oportunidade para rever e mudar sua vida, encontrando formas de melhorar no que for preciso a cada dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Dizer que a vida \u00e9 um sopro, acaba sendo uma redund\u00e2ncia. Despedidas n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis. Estamos a todo momento ouvindo que podemos partir a qualquer tempo. Ouvimos e muito essa frase, principalmente nos \u00faltimos dias com a descoberta da morte tr\u00e1gica e inesperada, t\u00e3o precoce de Marilia Mendon\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito jovem, no auge de uma carreira brilhante de muito sucesso. \u00c9 claro que, sabemos todos que n\u00e3o h\u00e1 uma morte anunciada. Todo dia pode ser nosso \u00faltimo dia nessa trajet\u00f3ria chamada vida.<\/p>\n\n\n\n<p>E, infelizmente, essa consci\u00eancia s\u00f3 se faz realmente presente quando vemos a morte se aproximar de algu\u00e9m que conhecemos, seja famoso ou n\u00e3o. A grande verdade \u00e9 que estamos sempre envolvidos na pressa de viver. Na urg\u00eancia ef\u00eamera da vida que nos agita e nos leva a extremos de sensa\u00e7\u00f5es e sentimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>E este \u00e9, talvez, o principal motivo pelo qual evitamos pensar na morte. E tudo bem por isso. A grande realidade \u00e9 que n\u00e3o queremos nos certificar do quanto nossa estadia neste mundo \u00e9 limitada e que n\u00e3o temos o controle de nada. Pois bem, ningu\u00e9m est\u00e1 no controle de nada. A ang\u00fastia, o medo e a inseguran\u00e7a do ser humano est\u00e3o alicer\u00e7ados exatamente na condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o conseguir controlar o que ir\u00e1 acontecer no minuto seguinte. Quando as quest\u00f5es fogem das nossas m\u00e3os nos sentimos vazios, fr\u00e1geis e perdidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, a empatia deve estar presente em todo o processo de elabora\u00e7\u00e3o do luto, uma vez que o mais importante \u00e9 n\u00e3o haver julgamentos, afinal cada um ir\u00e1 reagir e viver seu momento da forma como aprendeu, da forma como consegue e da maneira como processa e compreende suas perdas.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada um entende dentro de si como ir\u00e1 vivenciar a dor do luto. A morte, por mais presente que esteja, precisa ser lembrada para que possamos aprender a valorizar a pr\u00f3pria vida. N\u00e3o d\u00e1 para ficar pensando nisso a todo momento, n\u00e3o \u00e9 preciso viver sob a atmosfera do medo. Mas \u00e9 importante viver a cada dia tentando fazer o seu melhor e ser melhor para voc\u00ea e para o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>Visto que, somos seres humanos e imperfeitos e saber lidar com nossas imperfei\u00e7\u00f5es, certamente, \u00e9 o nosso maior aprendizado. Pois, nada \u00e9 para sempre. Celebrar e honrar a vida \u00e9 a forma mais genu\u00edna de reconhecer nossas potencialidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro de um luto coletivo, onde multid\u00f5es lamentam a mesma partida e se amparam na mesma dor, surgem v\u00e1rias quest\u00f5es que consternam as pessoas e nos fazem refletir sobre a necessidade de viver um dia de cada vez, valorizar as pequenas coisas da vida, se aproximar de quem amamos, dizer que amamos, verbalizar o que sentimos e o que o outro representa para n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o fechar os olhos para a dor e expressar o sentimento, pode aliviar e ajudar a elaborar as emo\u00e7\u00f5es e os sentimentos que est\u00e3o sendo evidenciados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito v\u00e1lido para nosso equil\u00edbrio emocional, n\u00e3o deixar para depois. Praticar a empatia, o autocuidado e a gratid\u00e3o por estarmos vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Perdas s\u00fabitas e inesperadas podem nos levar, naturalmente, a desconfortos f\u00edsicos e emocionais. Tristeza profunda, dores no peito, sensa\u00e7\u00f5es de afogamento e at\u00e9 a momentos de depress\u00e3o profunda; rea\u00e7\u00f5es dolorosas que podem surgir e se perpetuar quando n\u00e3o exploradas todas as etapas do luto.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos demonstram que os est\u00e1gios precisam ser vividos para que a aceita\u00e7\u00e3o, \u00faltima etapa do luto, venha coroar a necessidade real de seguir a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>De continuar trilhando seu caminho, mesmo com a mem\u00f3ria do outro que se foi. \u00c9 preciso desta maneira, compreender a morte como um rem\u00e9dio amargo, do qual estamos todos sujeitos a tomar um dia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 inevit\u00e1vel. Apesar de estarmos sempre em busca de respostas, as interrup\u00e7\u00f5es da vida s\u00e3o carregadas por ang\u00fastias, questionamentos e uma mistura insana de emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes momentos, lembramos dos beijos que n\u00e3o demos. Dos abra\u00e7os que ficaram escondidos. Dos afetos que nunca chegamos a retribuir ou expressar. Vem a indigna\u00e7\u00e3o e a culpa velada no inconsciente. Pois, sempre acreditamos que ainda teremos tempo de aparar arestas, de aproveitar mais, ou mesmo de viver aquilo que postergamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos sempre sofrendo por antecipa\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, o ser humano vive a dor do futuro e esquece do momento presente. No entanto, uma li\u00e7\u00e3o que deve ser aprendida com a import\u00e2ncia de se vivenciar o luto \u00e9 que, nenhuma morte ser\u00e1 capaz de apagar a mem\u00f3ria de quem vive em n\u00f3s, mesmo que a interrup\u00e7\u00e3o seja abrupta e precoce.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, Mar\u00edlia Mendon\u00e7a se foi, assim como tantas outras almas que se desligaram por conta de um v\u00edrus invis\u00edvel que nos assolou e ainda nos assola nos \u00faltimos 2 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que temos para viver \u00e9 o hoje. Pensar na falta que a vida lhe far\u00e1 um dia, refletir sobre nossa vida agora. Morrer \u00e9 inevit\u00e1vel, mas viver bem \u00e9 uma arte di\u00e1ria que temos o privil\u00e9gio de saborear.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, viva hoje amando, dizendo o quanto ama, demonstrando afeto, favorecendo seus desejos, buscando leveza para seus dias e sua alma, se afastando de tudo o que lhe traz sensa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis e lhe tira a paz. Isso sim est\u00e1 na sua m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 em seu controle. Basta desenvolver o autoconhecimento, reconhecer suas for\u00e7as, fraquezas, elevar sua autoestima e compreender o qu\u00e3o importante voc\u00ea \u00e9 para si e para muitos. Valorize sua vida e sua hist\u00f3ria que \u00e9 \u00fanica. Lembrando sempre que voc\u00ea \u00e9 o amor da vida de algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, honre a vida e cuide cada vez mais de suas rela\u00e7\u00f5es, valorizando as coisas boas que o outro lhe traz. Isso ajuda a minimizar a dor da perda e a criar mais empatia.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, epis\u00f3dios como esses mostram o quanto a morte pode ridicularizar as nossas urg\u00eancias, revelando nossas fragilidades e nos fazer concluir que precisamos amar mais e viver um dia de cada vez. Al\u00e9m de dar a import\u00e2ncia devida aos pequenos detalhes, gerando leveza e paz atrav\u00e9s do cultivo de bons h\u00e1bitos que favore\u00e7am o equil\u00edbrio da sa\u00fade f\u00edsica e mental.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>*Dr\u00aa Andr\u00e9a Ladislau &#8211; Graduada em Letras e Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, p\u00f3s-graduada em Administra\u00e7\u00e3o Hospitalar e Psican\u00e1lise e doutora em Psican\u00e1lise Contempor\u00e2nea. Possui especializa\u00e7\u00e3o em Psicopedagogia e Inclus\u00e3o Digital. \u00c9 palestrante, membro da Academia Fluminense de Letras e escreve para diversos ve\u00edculos. Na pandemia, criou no Whatsapp o grupo Reflex\u00f5es Positivas, para apoio emocional de pessoas do Brasil inteiro.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Psicanalista aborda em artigo trag\u00e9dia ocorrida com a cantora Mar\u00edlia Mendon\u00e7a Por Dr\u00aa Andr\u00e9a Ladislau* Um luto coletivo. Uma perda que nos faz repensar a morte e repensar a vida. Uma dor aumentada por ter sido ceifada em seu auge. 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