{"id":59658,"date":"2021-09-20T09:02:33","date_gmt":"2021-09-20T12:02:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=59658"},"modified":"2021-09-20T09:02:34","modified_gmt":"2021-09-20T12:02:34","slug":"bandas-filarmonicas-nossas-origens-por-wellington-das-merces","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/bandas-filarmonicas-nossas-origens-por-wellington-das-merces\/","title":{"rendered":"Bandas Filarm\u00f4nicas: Nossas Origens &#8211; Por Wellington das Merc\u00eas"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FilarmonicaBonfinense.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"474\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FilarmonicaBonfinense.png?resize=800%2C474\" alt=\"\" class=\"wp-image-51179\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FilarmonicaBonfinense.png?w=1005&amp;ssl=1 1005w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FilarmonicaBonfinense.png?resize=300%2C178&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/FilarmonicaBonfinense.png?resize=768%2C455&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption><em><sub>Filarm\u00f4nica Uni\u00e3o dos Ferrovi\u00e1rios Bonfinenses &#8211; Foto: Arquivo<\/sub><\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde o Brasil col\u00f4nia, couberam \u00e0s irmandades religiosas e, posteriormente, aos senhores de engenho, a forma\u00e7\u00e3o de bandas com os mais diferentes objetivos. Com a finalidade de manter as tradi\u00e7\u00f5es portuguesas por aqui, os m\u00fasicos que tocavam para as entidades religiosas buscavam, al\u00e9m do aprendizado musical, aprender a ler, como tamb\u00e9m, em troca de alimenta\u00e7\u00e3o; j\u00e1 com os fazendeiros, a rela\u00e7\u00e3o continuava escravagista, sendo que o valor de mercado aumentava devido \u00e0 pratica musical. Deve-se mencionar que, ainda no per\u00edodo colonial, esses grupos musicais eram tamb\u00e9m conhecidos como bandas de barbeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir do s\u00e9culo XVIII, como forma de mostrar poder e riqueza, fazendeiros passaram a ostentar suas respectivas bandas tornando-se um costume de \u00e9poca. Essas forma\u00e7\u00f5es musicais eram oferecidas em diversas ocasi\u00f5es: festas religiosas, festas c\u00edvicas, leil\u00f5es, rifas, campanhas pol\u00edticas, sauda\u00e7\u00f5es a personagens ilustres, enterros, carnaval, como outras diversas fun\u00e7\u00f5es. A presen\u00e7a da banda em centros urbanos era sinal de prest\u00edgio de seu dono. Pr\u00e1tica essa que, depois, passou a ser exercida mediante cobran\u00e7a pecuni\u00e1ria pelas tocatas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o advento da rep\u00fablica no Brasil e a diminui\u00e7\u00e3o das bandas de fazenda, come\u00e7aram a surgir no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, as primeiras filarm\u00f4nicas, em formato de sociedades civis, tendo como mantenedores fazendeiros, comerciantes, pessoas da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Bahia, de acordo com Regina Cajazeiras, s\u00e3o essas filarm\u00f4nicas criadas no final do s\u00e9culo XIX , ou j\u00e1 centen\u00e1rias: \u201c25 de Mar\u00e7o\u201d (Feira de Santana \u2013 1868); Lira Ceciliana (Cachoeira \u2013 1870); \u201cVit\u00f3ria\u201d (Feira de Santana \u2013 1873); 2 de Janeiro (Jacobina \u2013 1878); Minerva Cachoeirana, em 1878; Terps\u00edcore Popular (Maragojipe &#8211; 1880); 2 de Julho (Maragojipe \u2013 1887); 5 de Mar\u00e7o (Muritiba &#8211; 1887); Erato Nazarena (Nazar\u00e9 das Farinhas, 1863); Euterpe Alagoinhense (1893); Filarm\u00f4nica Uni\u00e3o Ceciliana (1863), ambas em Alagoinhas; 24 de Junho (Jeremoabo \u2013 1894); 15 de Setembro (Belmonte \u2013 1895); Lyra Popular (Belmonte \u2013 1914); 30 de Junho (Serrinha \u2013 1896); 23 de Dezembro (Mucug\u00ea \u2013 1901); 13 de Junho (Paratinga \u2013 1902). Acrescenta-se a esta lista ainda: Lira Popular Muritibana (Muritiba \u2013 1899); Sociedade Musical Lira Sango\u00e7alense (S\u00e3o Gon\u00e7alo dos Campos \u2013 1901); Sociedade Filarm\u00f4nica Amantes da Lira (Santo Ant\u00f4nio de Jesus \u2013 1904); Sociedade Filarm\u00f4nica Minerva (Morro do Chap\u00e9u \u2013 1906); Sociedade Beneficente Musical Uni\u00e3o dos Artistas (Bom Jesus dos Passos &#8211; 1914); Lyra Popular de Len\u00e7\u00f3is (Len\u00e7\u00f3is \u2013 1895), dentre outras que n\u00e3o s\u00e3o poss\u00edveis relacionar aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Bahia, atrav\u00e9s da banda de m\u00fasica, o ensino de m\u00fasica sobreviveu aos embates pol\u00edticos e se fortaleceu como escola de m\u00fasica em localidades onde, at\u00e9 hoje, n\u00e3o existe o ensino dessa arte em escolas da rede p\u00fablica de ensino. Mas, algumas quest\u00f5es ainda persistem sem uma resposta convincente: Ser\u00e1 que ainda existe uma heran\u00e7a de rivalidades nos \u00e2mbitos pol\u00edtico e musical, mesmo com um contexto hist\u00f3rico t\u00e3o diferente onde n\u00e3o h\u00e1 sentido (aparentemente) de disputas? Como escolas de m\u00fasica, haveria sentido em promover esse esp\u00edrito de disputa, t\u00e3o contradit\u00f3rio ao esp\u00edrito da m\u00fasica? Ent\u00e3o, por que, atualmente, essas associa\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o \u201cinvis\u00edveis\u201d perante os poderes p\u00fablicos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o incont\u00e1veis a quantidade de bandas cuja vida \u00e9 breve. Geralmente, quando bancadas pelo poder municipal sucumbem \u00e0s intemp\u00e9ries do poder em cada regi\u00e3o. Em \u00e2mbitos estadual e federal faltam pol\u00edticas que permitam a continuidade quanto \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de instrumentos, cursos eficazes para forma\u00e7\u00e3o continuada e inicia\u00e7\u00e3o de novos mestres de m\u00fasica, ou mesmo, manuten\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios hist\u00f3ricos. No entanto, estamos em um Estado territorialmente maior que determinados pa\u00edses europeus e a falta de comunica\u00e7\u00e3o, concatena\u00e7\u00e3o entre essas bandas s\u00e3o fatores que influenciam em quest\u00f5es de fortalecimento pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo, volta \u00e0 tona a seguinte indaga\u00e7\u00e3o: Ser\u00e1 que as bandas n\u00e3o se afastaram por demais de suas comunidades ao ponto de ficarem totalmente dependentes de situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas locais? Caso, esse distanciamento tenha acontecido, quais medidas poderiam ser tomadas para resgatar esses s\u00f3cios, que na origem dessas agremia\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s a Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura, foram respons\u00e1veis pelo advento dessas sociedades? Ou ainda, at\u00e9 que ponto a conjuntura socioecon\u00f4mica ainda permite essa parceria? Lembremo-nos que ao contr\u00e1rio das orquestras sinf\u00f4nicas, que t\u00eam sua tradi\u00e7\u00e3o nos pal\u00e1cios e salas de concertos; as bandas t\u00eam sua origem pr\u00f3xima ao povo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Wellington-das-Merces.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Wellington-das-Merces.png?w=800\" alt=\"\" class=\"wp-image-59659\"   srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Wellington-das-Merces.png?w=755&amp;ssl=1 755w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Wellington-das-Merces.png?resize=300%2C91&amp;ssl=1 300w\" sizes=\"(max-width: 755px) 100vw, 755px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o Brasil col\u00f4nia, couberam \u00e0s irmandades religiosas e, posteriormente, aos senhores de engenho, a forma\u00e7\u00e3o de bandas com os mais diferentes objetivos. 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