{"id":59332,"date":"2021-09-08T07:06:50","date_gmt":"2021-09-08T10:06:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=59332"},"modified":"2021-09-08T07:06:51","modified_gmt":"2021-09-08T10:06:51","slug":"setembro-amarelo-colocando-luz-nas-discussoes-sobre-o-suicidio-e-o-desequilibrio-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/setembro-amarelo-colocando-luz-nas-discussoes-sobre-o-suicidio-e-o-desequilibrio-mental\/","title":{"rendered":"Setembro Amarelo: Colocando luz nas discuss\u00f5es sobre o suic\u00eddio e o desequil\u00edbrio mental"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-black-color has-text-color\"><strong><em>*Por Dr\u00aa Andr\u00e9a Ladislau<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/setembro_amarelo_335.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/setembro_amarelo_335.jpg?resize=595%2C595\" alt=\"\" class=\"wp-image-49027\" width=\"595\" height=\"595\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/setembro_amarelo_335.jpg?w=335&amp;ssl=1 335w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/setembro_amarelo_335.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/setembro_amarelo_335.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w\" sizes=\"(max-width: 595px) 100vw, 595px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Neste m\u00eas de setembro, temos a campanha do Setembro Amarelo que \u00e9 voltada para a preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio. Muito se fala sobre o suic\u00eddio, mas quais as implica\u00e7\u00f5es? De que forma podemos ajudar um suicida em potencial? Como perceber atitudes que podem culminar nesta trag\u00e9dia? Qual a faixa et\u00e1ria e g\u00eaneros mais afetados?<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos aos fatos e cuidados que podemos ter, mas, deixando claro que a preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio deve ser feita ao longo de todo o ano. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no m\u00eas da campanha que devemos nos preocupar. Nosso olhar deve estar voltado para qualquer sintoma caracter\u00edstico em rela\u00e7\u00e3o a quem possa vir a cometer o ato. Sabemos que, no Brasil, a taxa de crescimento de casos de suic\u00eddio na faixa et\u00e1ria de 10 a 14 anos aumentou 40% em dez anos e 33,5% entre adolescentes de 15 a 19 anos. Em m\u00e9dia, dois adolescentes tiram a pr\u00f3pria vida por dia, segundo pesquisas. Mas em geral, o suic\u00eddio pode afetar qualquer pessoa e nossos adultos est\u00e3o tamb\u00e9m entre os maiores candidatos, atingindo um percentual em torno de 48% na faixa et\u00e1ria de 35 a 55 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a sobremortalidade masculina foi superior a 2,7 suic\u00eddios masculinos para cada suic\u00eddio feminino. Entre os homens, os meios mais utilizados s\u00e3o o enforcamento (36,4%) e as armas de fogo (31,8%). Entre as mulheres predomina o envenenamento (24,2%), seguido pelas armas de fogo e enforcamento (21,2% cada). Onde a principal causa de morte por suic\u00eddio no mundo \u00e9 a depress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em algum momento de nossas vidas, pode ser que desconfiemos de que algu\u00e9m pr\u00f3ximo est\u00e1 pensando em suicidar-se em decorr\u00eancia de um grande sofrimento. Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, o sentimento de impot\u00eancia pode se fazer presente, fazendo-nos acreditar que n\u00e3o h\u00e1 como intervir, uma vez que a pessoa parece j\u00e1 ter decidido encerrar a pr\u00f3pria vida. Entretanto, ao contr\u00e1rio do que o senso comum tende a reproduzir, existem diversas maneiras de auxiliar essa pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Converse diretamente com quem est\u00e1 sofrendo. Um di\u00e1logo aberto, respeitoso, emp\u00e1tico e compreensivo pode fazer a diferen\u00e7a. Procure saber como a pessoa est\u00e1, o que tem feito ultimamente, como est\u00e1 se sentindo. O foco da conversa deve ser o outro, portanto, n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel: falar muito sobre si mesmo, oferecer solu\u00e7\u00f5es simples para os problemas que a pessoa relatar e desmerecer o que ela sente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa conversa pode obter melhores resultados se for feita em um lugar tranquilo, sem pressa, respeitando o tempo da pessoa para se abrir. Caso a pessoa se sinta \u00e0 vontade para compartilhar o seu sofrimento, n\u00e3o \u00e9 indicado: recha\u00e7ar (\u201cCredo, isso \u00e9 pecado!\u201d), esbo\u00e7ar express\u00f5es de choque (\u201cN\u00e3o acredito que voc\u00ea t\u00e1 pensando nisso!\u201d) e reprimir, caso o choro venha (\u201cPra que chorar? Voc\u00ea sempre teve tudo do bom e do melhor!\u201d). \u00c9 muito importante, deixar que a pessoa chore. O choro far\u00e1 com que possa vir o sentimento de al\u00edvio e a sensa\u00e7\u00e3o de esvaziamento da ang\u00fastia do peito.<\/p>\n\n\n\n<p>A escuta ativa deve sempre estar presente nesses di\u00e1logos. Ela consiste em realmente ouvir e compreender o que o outro diz, n\u00e3o apenas esperar uma pausa para poder respond\u00ea-lo. Isso n\u00e3o significa, no entanto, deixar a pessoa falando sozinha. Algumas pontua\u00e7\u00f5es que podem ser feitas consistem em: fazer perguntas abertas; fazer um breve resumo do que a pessoa falou, de tempos em tempos, para que ela saiba que voc\u00ea est\u00e1 atento ao que ela diz; retornar a algum ponto que n\u00e3o tenha ficado claro e tentar, ao m\u00e1ximo, escut\u00e1-la sem julgamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Oferecer suporte emocional e informar sobre a ajuda profissional, bem como se mostrar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, caso ela queira conversar novamente, s\u00e3o pontos importantes. Se a pessoa falar de forma aberta sobre os seus planos de se matar e parecer estar decidida quanto a isso, \u00e9 primordial que ela n\u00e3o seja deixada sozinha. Se voc\u00ea perceber que ela n\u00e3o se sente \u00e0 vontade para se abrir, deixe claro que voc\u00ea estar\u00e1 dispon\u00edvel para conversar em outras oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem infinitos motivos para um ser humano estar desesperan\u00e7ado o suficiente a ponto de querer acabar com a pr\u00f3pria vida; em geral, pode ser por luto, depress\u00e3o, transtorno de ansiedade, outras quest\u00f5es mentais, viol\u00eancia sexual, abuso durante a inf\u00e2ncia, fim de relacionamento, bipolaridade, bulling\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Empatia, funciona muito nestas horas. Ou\u00e7a empaticamente. Tente se colocar no lugar da pessoa. A dor n\u00e3o faz qualquer distin\u00e7\u00e3o. Todos podem ser acometidos por esse sentimento, independentemente de idade, ideologias, g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual, nacionalidade, classe social e etnia. E quando essa sensa\u00e7\u00e3o de desespero, desamparo, \u00e9 profunda demais, a ponto de n\u00e3o ser suportada, os pensamentos suicidas ganham for\u00e7a. Esse fardo \u00e9 t\u00e3o pesado que pode fazer com que a pessoa acredite que o suic\u00eddio seja a \u00fanica maneira de se livrar dos problemas, julgando-se incapaz de suport\u00e1-lo e enxergando a vida como algo sem significado.<\/p>\n\n\n\n<p>Algu\u00e9m que tenha ideias suicidas deixa &#8220;pistas&#8221; de que anda passando por um delicado momento emocional. Contudo, \u00e9 importante pontuar que os sinais variam de acordo com a personalidade do indiv\u00edduo. Um indiv\u00edduo fragilizado pela depress\u00e3o ou qualquer outro problema emocional tem dificuldades para lidar com uma demiss\u00e3o, fim de um namoro (ou casamento) ou perda de um ente querido, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 comum que ele deixe de frequentar os lugares que costumava ir, abra m\u00e3o de seus hobbies e perca o interesse em qualquer atividade que lhe dava prazer. Essa falta de interesse se manifesta, inclusive, no modo de se vestir. A pessoa passa a usar roupa velha, suja ou deixa o cabelo e a barba crescerem.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 natural que tenhamos altera\u00e7\u00f5es de humor durante o dia. Voc\u00ea pode acordar mal humorado e melhorar com o passar do tempo. Quando essa mudan\u00e7a \u00e9 muito extrema, por\u00e9m, o sinal de alerta deve ser aceso. Geralmente, quem tem inclina\u00e7\u00f5es suicidas \u00e9 tomado por uma tristeza profunda, procurando o isolamento e se sentindo sozinho, mesmo quando est\u00e1 cercado por outras pessoas. Al\u00e9m disso, exibe sinais de vergonha e experimenta crises de raiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante que a pessoa que est\u00e1 com esses pensamentos saiba que n\u00e3o est\u00e1 sozinha e que pode contar com seu aux\u00edlio para superar esse desafio. Demostre amor e empatia por ela, procurando entender o que est\u00e1 acontecendo, sem fazer qualquer tipo de julgamento. Quem tem tend\u00eancias suicidas sente-se envergonhado ou culpado por se encontrar nesta situa\u00e7\u00e3o. Esclare\u00e7a que ela n\u00e3o precisa sentir culpa ou ter vergonha de estar assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Problemas emocionais podem ser tratados. Reitere que h\u00e1 outras pessoas preocupadas e que ela pode contar com o apoio de todas elas, mas tamb\u00e9m deve procurar ajuda de um profissional, como um psicanalista, psic\u00f3logo ou psiquiatra. Esse acompanhamento m\u00e9dico \u00e9 importante para que ela veja que existem outras sa\u00eddas para a situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o o suic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>A melhor arma no combate ao sentimento de isolamento (um forte fator de risco) \u00e9 o apoio emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, n\u00e3o devemos ter medo de falar sobre o suic\u00eddio. Algumas culturas e fam\u00edlias tratam o suic\u00eddio como um tabu, evitando falar sobre o assunto. Existe um medo de que isso pode instigar pensamentos suicidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso geralmente pode levar uma pessoa a nunca falar abertamente sobre a quest\u00e3o. Mas na verdade, ocorre o oposto; falar abertamente sobre suic\u00eddio pode fazer um suicida em potencial repensar suas escolhas. Acolha, demonstre apoio, tenha empatia e fique atento aos sinais que as pessoas podem nos emitir, demonstrando que algo est\u00e1 errado.<\/p>\n\n\n\n<p>O equil\u00edbrio emocional \u00e9 fundamental para afastar qualquer tipo de pensamento ruim. Mas sabemos que para atingir esse equil\u00edbrio uma s\u00e9rie de fatores est\u00e3o envolvidos. N\u00e3o deixe para o dia seguinte, se voc\u00ea pode acolher, ouvir e ajudar uma pessoa em sofrimento. Muitas vezes, temos pessoas a nossa volta que est\u00e3o sorrindo por fora, mas internamente, apresentam um psicol\u00f3gico abalado e fragilizado, e j\u00e1 n\u00e3o suportam mais a dor. Entendem que a melhor maneira de MATAR a dor \u00e9 tirando sua vida. Uma solu\u00e7\u00e3o definitiva para problemas tempor\u00e1rios. Suic\u00eddio \u00e9 coisa s\u00e9ria, n\u00e3o ignore os sinais. A melhor arma no combate a este mal \u00e9 o apoio emocional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\"><strong><em>*Dr\u00aa Andr\u00e9a Ladislau<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\"><strong><em>Psicanalista, doutora em psican\u00e1lise, psicopedagoga, palestrante, administradora, membro da Academia Fluminense de Letras, colunista do site UOL e de outros ve\u00edculos importantes do pa\u00eds.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Dr\u00aa Andr\u00e9a Ladislau Neste m\u00eas de setembro, temos a campanha do Setembro Amarelo que \u00e9 voltada para a preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio. Muito se fala sobre o suic\u00eddio, mas quais as implica\u00e7\u00f5es? De que forma podemos ajudar um suicida em potencial? Como perceber atitudes que podem culminar nesta trag\u00e9dia? 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