{"id":56869,"date":"2021-05-31T22:09:40","date_gmt":"2021-06-01T01:09:40","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=56869"},"modified":"2021-05-31T22:09:42","modified_gmt":"2021-06-01T01:09:42","slug":"para-os-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/para-os-pais\/","title":{"rendered":"Para os pais"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-photo-5875850.jpeg\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-photo-5875850.jpeg?resize=800%2C533\" alt=\"peaceful lake with residential cottages and lush trees on shore in autumn\" class=\"wp-image-51548\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-photo-5875850.jpeg?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-photo-5875850.jpeg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-photo-5875850.jpeg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-photo-5875850.jpeg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-photo-5875850.jpeg?w=1880&amp;ssl=1 1880w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/pexels-photo-5875850.jpeg?w=1600 1600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><figcaption><em><sub>Photo by Marta Wave on <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/www.pexels.com\/photo\/peaceful-lake-with-residential-cottages-and-lush-trees-on-shore-in-autumn-5875850\/\">Pexels.com<\/a><\/sub><\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um per\u00edodo em que os pais v\u00e3o ficando \u00f3rf\u00e3os dos seus pr\u00f3prios filhos. \u00c9 que as crian\u00e7as crescem independentes de n\u00f3s, como \u00e1rvores tagarelas e p\u00e1ssaros estabanados. Crescem sem pedir licen\u00e7a \u00e0 vida. Crescem com uma estrid\u00eancia alegre e, \u00e0s vezes, com alardeada arrog\u00e2ncia. Mas n\u00e3o crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia sentam-se perto de voc\u00ea e dizem uma frase com tal maturidade que voc\u00ea sente que n\u00e3o pode mais trocar as fraldas daquela criatura.<\/p>\n\n\n\n<p>Onde \u00e9 que andou crescendo aquela danadinha que voc\u00ea n\u00e3o percebeu? Cad\u00ea a pazinha de brincar na areia, as festinhas de anivers\u00e1rio com palha\u00e7os e o primeiro uniforme do Maternal? A crian\u00e7a est\u00e1 crescendo num ritual de obedi\u00eancia org\u00e2nica e desobedi\u00eancia civil.<\/p>\n\n\n\n<p>E voc\u00ea est\u00e1 agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela n\u00e3o apenas cres\u00e7a, mas apare\u00e7a! Ali est\u00e3o muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos, soltos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre hamb\u00fargueres e refrigerantes nas esquinas, l\u00e1 est\u00e3o nossos filhos com o uniforme de sua gera\u00e7\u00e3o: inc\u00f4modas mochilas da moda nos ombros. Ali estamos, com os cabelos esbranqui\u00e7ados. Esses s\u00e3o os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das not\u00edcias, e da ditadura das horas.<\/p>\n\n\n\n<p>E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros. Principalmente com os erros que esperamos que n\u00e3o repitam. H\u00e1 um per\u00edodo em que os pais v\u00e3o ficando um pouco \u00f3rf\u00e3os dos pr\u00f3prios filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas. Passou o tempo do ballet, do ingl\u00eas, da nata\u00e7\u00e3o e do jud\u00f4. Sa\u00edram do banco de tr\u00e1s e passaram para o volante de suas pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dever\u00edamos ter ido mais \u00e0 cama deles ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confid\u00eancias entre os len\u00e7\u00f3is da inf\u00e2ncia, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, p\u00f4steres, agendas coloridas e discos ensurdecedores.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o os levamos suficientemente aos nossos passeios, n\u00e3o lhes demos suficientes hamb\u00fargueres e cocas, n\u00e3o lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostar\u00edamos de ter comprado. Eles cresceram sem que esgot\u00e1ssemos neles todo o nosso afeto.<\/p>\n\n\n\n<p>No princ\u00edpio subiam a serra ou iam \u00e0 casa de nossos parentes entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, p\u00e1scoas, piscina e amiguinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim. Depois chegou o tempo em que viajar com os pais come\u00e7ou a ser um esfor\u00e7o, um sofrimento, pois era imposs\u00edvel deixar a turma e os primeiros namorados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solid\u00e3o que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas \u201cpestes\u201d. Chega o momento em que s\u00f3 nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar) para que eles acertem nas escolhas em busca de felicidade. E que a conquistem do modo mais completo poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>O jeito \u00e9 esperar: qualquer hora podem nos dar netos. O neto \u00e9 a hora do carinho ocioso e estocado, n\u00e3o exercido nos pr\u00f3prios filhos e que n\u00e3o pode morrer conosco.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso os av\u00f3s s\u00e3o t\u00e3o desmesurados e distribuem t\u00e3o incontrol\u00e1vel carinho. Os netos s\u00e3o a \u00faltima oportunidade de reeditar o nosso afeto. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio fazer alguma coisa a mais, antes que eles cres\u00e7am.<\/p>\n\n\n\n<p>Aprendemos a ser filhos depois que somos pais. S\u00f3 aprendemos a ser pais depois que somos av\u00f3s\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 um per\u00edodo em que os pais v\u00e3o ficando \u00f3rf\u00e3os dos seus pr\u00f3prios filhos. \u00c9 que as crian\u00e7as crescem independentes de n\u00f3s, como \u00e1rvores tagarelas e p\u00e1ssaros estabanados. Crescem sem pedir licen\u00e7a \u00e0 vida. Crescem com uma estrid\u00eancia alegre e, \u00e0s vezes, com alardeada arrog\u00e2ncia. Mas n\u00e3o crescem todos os dias de igual maneira. 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