{"id":40742,"date":"2020-01-27T21:25:05","date_gmt":"2020-01-28T00:25:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=40742"},"modified":"2020-01-27T21:25:11","modified_gmt":"2020-01-28T00:25:11","slug":"reflexao-o-animal-satisfeito-dorme-texto-de-mario-sergio-cortella","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/reflexao-o-animal-satisfeito-dorme-texto-de-mario-sergio-cortella\/","title":{"rendered":"Reflex\u00e3o: \u201cO animal satisfeito dorme\u201d; texto de M\u00e1rio S\u00e9rgio Cortella"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><em>Um bom filme n\u00e3o \u00e9 exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando quietos para a tela, desejando que n\u00e3o cesse?<\/em><\/h5>\n\n\n\n<p><strong>Por CONTI outra<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"384\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Reflex%C3%A3o_0706.jpg?resize=640%2C384\" alt=\"\" class=\"wp-image-36034\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Reflex%C3%A3o_0706.jpg?w=640&amp;ssl=1 640w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Reflex%C3%A3o_0706.jpg?resize=300%2C180&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Reflex%C3%A3o_0706.jpg?resize=250%2C150&amp;ssl=1 250w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O sempre surpreendente Guimar\u00e3es Rosa dizia: \u201co animal satisfeito dorme\u201d. Por tr\u00e1s dessa aparente obviedade est\u00e1 um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redund\u00e2ncia afetiva e na indig\u00eancia intelectual. O que o escritor t\u00e3o bem percebeu \u00e9 que a condi\u00e7\u00e3o humana perde subst\u00e2ncia e energia vital toda vez que se sente plenamente confort\u00e1vel com a maneira como as coisas j\u00e1 est\u00e3o, rendendo-se \u00e0 sedu\u00e7\u00e3o do repouso e imobilizando-se na acomoda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A advert\u00eancia \u00e9 preciosa: n\u00e3o esquecer que a satisfa\u00e7\u00e3o conclui, encerra, termina; a satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persist\u00eancia, para o desdobramento. A satisfa\u00e7\u00e3o acalma, limita, amortece.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, quando algu\u00e9m diz \u201cfiquei muito satisfeito com voc\u00ea\u201d ou \u201cestou muito satisfeita com teu trabalho\u201d, \u00e9 assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual \u00e9 meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais al\u00e9m se pode esperar? Que est\u00e1 bom como est\u00e1? Assim seria apavorante; passaria a id\u00e9ia de que desse jeito j\u00e1 basta. Ora, o agrad\u00e1vel \u00e9 quando algu\u00e9m diz: \u201cteu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou m\u00fasica etc.) \u00e9 bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um bom filme n\u00e3o \u00e9 exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando quietos para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que n\u00e3o cesse? Um bom livro n\u00e3o \u00e9 aquele que, quando encerramos a leitura, o deixamos um pouco apoiado no colo, absortos e distantes, pensando que n\u00e3o poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerim\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 aquela que queremos que se prolongue?<\/p>\n\n\n\n<p>Com a vida de cada um e de cada uma tamb\u00e9m tem de ser assim; afinal de contas, n\u00e3o nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo \u00e9 considerar-se terminado e constrangido ao poss\u00edvel da condi\u00e7\u00e3o do momento.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/M%C3%A1rio-S%C3%A9rgio-Cortella.jpg?resize=434%2C385\" alt=\"\" class=\"wp-image-1328\" width=\"434\" height=\"385\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/M%C3%A1rio-S%C3%A9rgio-Cortella.jpg?w=434&amp;ssl=1 434w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/M%C3%A1rio-S%C3%A9rgio-Cortella.jpg?resize=300%2C266&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/M%C3%A1rio-S%C3%A9rgio-Cortella.jpg?resize=250%2C222&amp;ssl=1 250w\" sizes=\"(max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/><figcaption>M\u00e1rio S\u00e9rgio Cortella &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Quando crian\u00e7as (s\u00f3 as crian\u00e7as?), muitas vezes, diante da tens\u00e3o provocada por algum desafio que exigia esfor\u00e7o (estudar, treinar, EMAGRECER etc.) fic\u00e1vamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: por que a gente j\u00e1 n\u00e3o nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ing\u00eanua perspectiva. \u00c9 fundamental n\u00e3o nascermos sabendo e nem prontos; o ser que nasce sabendo n\u00e3o ter\u00e1 novidades, s\u00f3 reitera\u00e7\u00f5es. Somos seres de insatisfa\u00e7\u00e3o e precisamos ter nisso alguma dose de ambi\u00e7\u00e3o; todavia, ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente de gan\u00e2ncia, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer s\u00f3 para si pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>Nascer sabendo \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais ref\u00e9m do que j\u00e1 se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre \u00e9 o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situa\u00e7\u00f5es que, por serem in\u00e9ditas, n\u00e3o saber\u00edamos enfrentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa realidade, \u00e9 absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que algu\u00e9m quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o ocorre com gente, e sim com fog\u00e3o, sapato, geladeira. Gente n\u00e3o nasce pronta e vai se gastando; gente nasce n\u00e3o-pronta, e vai se fazendo. Eu, no ano que estamos, sou a minha mais nova edi\u00e7\u00e3o (revista e, \u00e0s vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se \u00e9 o tempo a medida) est\u00e1 no meu passado e n\u00e3o no presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Demora um pouco para entender tudo isso; ali\u00e1s, como falou o mesmo Guimar\u00e3es, \u201cn\u00e3o conv\u00e9m fazer esc\u00e2ndalo de come\u00e7o; s\u00f3 aos poucos \u00e9 que o escuro \u00e9 claro\u201d\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>Do livro <strong>\u201cN\u00e3o nascemos prontos! \u2013 provoca\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas\u201d<\/strong>. De <strong><em>M\u00e1rio S\u00e9rgio Cortella<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um bom filme n\u00e3o \u00e9 exatamente aquele que, quando termina, ficamos insatisfeitos, parados, olhando quietos para a tela, desejando que n\u00e3o cesse? Por CONTI outra O sempre surpreendente Guimar\u00e3es Rosa dizia: \u201co animal satisfeito dorme\u201d. Por tr\u00e1s dessa aparente obviedade est\u00e1 um dos mais fundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1,9],"tags":[],"class_list":["post-40742","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","category-reflexao"],"acf":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"publishpress_future_workflow_manual_trigger":{"enabledWorkflows":[]},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40742"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40742\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40743,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40742\/revisions\/40743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}