{"id":33967,"date":"2019-05-08T19:58:22","date_gmt":"2019-05-08T22:58:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=33967"},"modified":"2019-05-08T19:58:28","modified_gmt":"2019-05-08T22:58:28","slug":"depressao-nao-e-preguica-e-nem-desculpa-depressao-e-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/depressao-nao-e-preguica-e-nem-desculpa-depressao-e-luta\/","title":{"rendered":"Depress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pregui\u00e7a e nem desculpa, depress\u00e3o \u00e9 luta"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter is-resized\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/depressao.jpg?resize=623%2C338\" alt=\"\" class=\"wp-image-33968\" width=\"623\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/depressao.jpg?w=830&amp;ssl=1 830w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/depressao.jpg?resize=300%2C163&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/depressao.jpg?resize=768%2C416&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/depressao.jpg?resize=250%2C136&amp;ssl=1 250w\" sizes=\"(max-width: 623px) 100vw, 623px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Ah, como eu queria que fosse frescura, como eu queria que fosse uma fase, como eu queria que fosse pregui\u00e7a e que s\u00f3 a vontade bastasse para mudar tudo aquilo. O que ningu\u00e9m entendia era a autoestima perdida e o desencanto que se fazia presente.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 ouvi v\u00e1rias coisas a respeito da depress\u00e3o. J\u00e1 a nomearam como \u201cfrescura\u201d e dizem ser coisa de quem n\u00e3o tem o que fazer. J\u00e1 falaram para eu ocupar minha cabe\u00e7a e parar de pensar besteira. Falaram que eu deveria trabalhar mais, estudar mais e deixar de pensar em todas essas loucuras. J\u00e1 falaram, tamb\u00e9m, que s\u00f3 reclamo e que uso o termo depress\u00e3o porque me conv\u00e9m, para que as pessoas acabem tendo pena de mim. <\/p>\n\n\n\n<p>Outros j\u00e1 se incomodaram com o meu choro e falaram que eu precisava ir ao psiquiatra com urg\u00eancia. O que ningu\u00e9m entendia, por\u00e9m, era o medo que eu sentia de falar das minhas dores, era o peso da ang\u00fastia em me manter acordada, era o fato de eu buscar o ref\u00fagio dormindo para me esquecer da dor e fazer o tempo passar mais r\u00e1pido. Era a luta de todos os dias de ter de enfrentar o seu \u201ceu\u201d em peda\u00e7os e, depois, junt\u00e1-lo novamente. Ningu\u00e9m entendia o quanto eu queria sair daquilo: era como uma pris\u00e3o. Eu era prisioneira de medos, fracassos, m\u00e1goas e ang\u00fastia. <\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m entendia que eu n\u00e3o via mais gra\u00e7a em nada e isso n\u00e3o tinha nada a ver com antipatia. N\u00e3o entendiam que a for\u00e7a que me puxava para cama era bem maior do que a que me encorajava a levantar dela e sair para o mundo para ver e conhecer pessoas. Eu n\u00e3o tinha for\u00e7as para falar, saudar algu\u00e9m ou mesmo me arrumar. Eu me olhava no espelho e gostava do meu pijama velho, rasgado e do meu cabelo bagun\u00e7ado. Eu n\u00e3o me preocupava com isso, pois a bagun\u00e7a e os rasgos eram bem maiores dentro de mim. Ah, como eu queria que fosse frescura, como eu queria que fosse uma fase, como eu queria que fosse pregui\u00e7a e que s\u00f3 a vontade bastasse para mudar tudo aquilo. <\/p>\n\n\n\n<p>O que ningu\u00e9m entendia era a autoestima perdida e o desencanto que se fazia presente. Ningu\u00e9m conseguia ver a minha luta di\u00e1ria para virar a p\u00e1gina, como eu me sentia impotente demais diante de tanta dor e, quantas vezes, eu n\u00e3o pensei em entregar os pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quantas vezes eu chorei sozinha no banheiro para ningu\u00e9m ver. Quantas vezes eu quis dormir e acordar leve. Nunca chame algo assim de falta de f\u00e9 ou de falta de Deus. Depress\u00e3o n\u00e3o tem a ver com falta de religiosidade. Depress\u00e3o tem a ver com conflitos, com situa\u00e7\u00f5es que muitas vezes nos jogam no buraco.<\/p>\n\n\n\n<p>Depress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fraqueza e est\u00e1 bem longe disso. \u00c9 como estar no meio da mar\u00e9 e ela querer te levar: voc\u00ea tenta, com todas as suas for\u00e7as, mas uma hora cansa. A tal da depress\u00e3o quase me levou e ela pode levar muita gente, se continuarem acreditando ser frescura, se continuarem achando que o outro precisa de motivos para as suas dores, que \u00e9 falta de vontade ou que, sei l\u00e1, a pessoa \u00e9 muito sentimental.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode levar muita gente, como j\u00e1 tem levado, porque muitos continuam acreditando que rem\u00e9dios bastam e que \u201d\u00e9 fase e vai passar\u201d. Sabe, as pessoas querem ser ouvidas, elas t\u00eam sede de ver as suas dores acolhidas. Mas, em meio a tantos julgamentos e conceitos errados, eu preferia me calar, mesmo que isso n\u00e3o parecesse t\u00e3o simp\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Era mais f\u00e1cil dizer que estava tudo bem e depois chorar, do que ter que contar sobre mim e ter de ouvir uma resposta desagrad\u00e1vel. Era mais f\u00e1cil inventar desculpa para n\u00e3o sair, do que ter que enfrentar a mim mesma e a todos. Qualquer coisa era mais f\u00e1cil do que ter que parecer bem. Ningu\u00e9m parou para ver a tempestade que havia em mim. Ningu\u00e9m entendia o quanto eu lutava pra n\u00e3o chorar quando estava rodeada de pessoas e que, cansada de tanto lutar contra esses sentimentos que me sufocavam, na maioria das vezes preferia o meu quarto.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 do dia para a noite que voc\u00ea se liberta. \u00c9 com apoio, \u00e9 com ajuda, \u00e9 com acolhimento e muito esfor\u00e7o. \u00c9 um processo. \u00c9 um le\u00e3o que voc\u00ea mata todos os dias dentro de voc\u00ea, \u00e9 sentir o seu dia tomando cor novamente devagarinho, \u00e9 aprender a apreciar aqueles filmes velhos de que voc\u00ea tanto gostava e parou de assistir, \u00e9 ler um livro novo e sentir prazer com cada frase terminada. \u00c9 conseguir sorrir sem ter que fazer esfor\u00e7o, \u00e9 olhar no rel\u00f3gio e querer parar o tempo ao inv\u00e9s de aceler\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 ver a gra\u00e7a chegando aos poucos e a alegria fazendo morada. N\u00e3o sou melhor do que ningu\u00e9m por n\u00e3o ter me rendido totalmente, s\u00f3 eu sei o quanto era dolorido conviver com aquela dor e a imensa falta de for\u00e7a que sentia todos os dias. No entanto, posso ser melhor do que muita gente que n\u00e3o entende que depress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 e est\u00e1 bem longe de ser frescura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Relato de uma mulher que superou a depress\u00e3o, publicado no site Flor Santa<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ah, como eu queria que fosse frescura, como eu queria que fosse uma fase, como eu queria que fosse pregui\u00e7a e que s\u00f3 a vontade bastasse para mudar tudo aquilo. O que ningu\u00e9m entendia era a autoestima perdida e o desencanto que se fazia presente. J\u00e1 ouvi v\u00e1rias coisas a respeito da depress\u00e3o. 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