{"id":31993,"date":"2019-02-28T16:07:05","date_gmt":"2019-02-28T19:07:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=31993"},"modified":"2019-02-28T16:07:11","modified_gmt":"2019-02-28T19:07:11","slug":"alcoolismo-em-familia-quais-as-marcas-emocionais-para-seus-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/alcoolismo-em-familia-quais-as-marcas-emocionais-para-seus-filhos\/","title":{"rendered":"Alcoolismo em fam\u00edlia: quais as marcas emocionais para seus filhos?"},"content":{"rendered":"\n<h5 class=\"wp-block-heading\" style=\"text-align:center\"><strong>O alcoolismo \u00e9 uma doen\u00e7a que afeta membros de diversas fam\u00edlias<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"576\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/alcoolismo-em-familia.jpg?resize=768%2C576\" alt=\"\" class=\"wp-image-31994\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/alcoolismo-em-familia.jpg?w=768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/alcoolismo-em-familia.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/alcoolismo-em-familia.jpg?resize=250%2C188&amp;ssl=1 250w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption><em>Foto ilustrativa: vadimguzhva by Getty Images<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><em>\u201cEm minha inf\u00e2ncia, quando meu pai bebia, eu j\u00e1 sabia o que vinha pela frente: discuss\u00f5es, brigas, viol\u00eancia. Eu morria de medo o tempo todo. Quando se aproximava a hora da chegada dele, eu pensava em minha pouca idade: \u2018ser\u00e1 que ele vem daquele jeito?\u2019\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cPara mim era muito vergonhoso ver como minha m\u00e3e bebia: ela se transformava em outra pessoa. Eu n\u00e3o reconhecia aqueles gestos, aquelas palavras que ela dizia. De fato, era como se eu nunca tivesse visto aquela pessoa alterada pelo \u00e1lcool\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEu perdi o tio que mais amava da forma mais triste poss\u00edvel: tomado pelo v\u00edcio do \u00e1lcool, negando que fosse um alcoolista, e sendo mais uma v\u00edtima deste v\u00edcio terr\u00edvel\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esses s\u00e3o relatos fict\u00edcios, n\u00e3o vieram de nenhum testemunho, mas muitos de n\u00f3s j\u00e1 vimos essas cenas em algum momento da vida, seja com familiares, amigos ou pelo relato de outras pessoas. O alcoolismo \u00e9 uma doen\u00e7a que afeta membros de diversas fam\u00edlias, e nelas muitas crian\u00e7as vivem as marcas emocionais de adultos, que, transformados pela bebida, foram capazes de sensibilizar crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, as crian\u00e7as, frente ao ambiente familiar que sofre com a depend\u00eancia qu\u00edmica de um dos pais, assumem o papel de cuidadores: cuidam dos seus irm\u00e3os, das tarefas de casa at\u00e9 mesmo dos pais quando alcoolizados. Nesse sentido, acabam por perder sua inf\u00e2ncia ou parte dessa inf\u00e2ncia, e v\u00e3o vivendo cercadas pela inseguran\u00e7a e pelo desamparo.<\/p>\n\n\n\n<p>A vis\u00e3o de uma crian\u00e7a ou adolescente a respeito de seus pais, quando alco\u00f3licos, acaba perdendo a alegria, o sentido de autoridade desses pais, sentem a neglig\u00eancia dos cuidados b\u00e1sicos, dentre tantas outras situa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 incomum adolescentes e crian\u00e7as v\u00edtimas dessa situa\u00e7\u00e3o acabarem por conviver em ambientes mais agressivos, violentos, e, neste contexto, tamb\u00e9m sem perceber, adotam a agressividade como forma de perceber o mundo e relacionar-se com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias para o decorrer da vida dessas crian\u00e7as e jovens podem ser as mais variadas poss\u00edveis: h\u00e1 aqueles que se tornam emocionalmente aut\u00f4nomos e at\u00e9 mesmo frios pela realidade da vida. Outros, tornam-se dependentes em v\u00e1rias esferas da vida, como relacionamentos afetivos em geral e sentem um imenso vazio emocional. H\u00e1 aqueles que viram v\u00edtimas do medo e da m\u00e1goa, por n\u00e3o compreenderem o que viveram e n\u00e3o conseguirem superar essas marcas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Instabilidade emocional<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto que pode estar presente \u00e9 uma dificuldade em lidar com as emo\u00e7\u00f5es, visto que podem ter convivido com alco\u00f3licos ambivalentes, ou seja, que ora estavam bem e carinhosos, ora mal e sem qualquer tipo de afeto; ora agressivos, ora passivos e ap\u00e1ticos. Essa instabilidade emocional, especialmente para uma crian\u00e7a, \u00e9 uma marca psicol\u00f3gica bastante agressiva, que pode gerar comportamentos inst\u00e1veis na fase adulta.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda instabilidade tamb\u00e9m gera culpa: uma crian\u00e7a ainda n\u00e3o tem plena consci\u00eancia de que o alcoolismo de seus pais n\u00e3o \u00e9 gerado por ela. Os frutos dessa instabilidade emocional que a crian\u00e7a vive num lar onde esteja um dos pais alcoolista, pode gerar dificuldade em estabelecer um v\u00ednculo saud\u00e1vel e est\u00e1vel, pode gerar, no futuro, relacionamentos negativos e dificultosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras poss\u00edveis situa\u00e7\u00f5es podem gerar maior chance de desenvolvimento de \u201cdepress\u00e3o, suic\u00eddio, desordens alimentares, ansiedade, fobia social e para o desenvolvimento de comportamentos violentos, depend\u00eancia qu\u00edmica, envolvimento com acidentes e gravidez na adolesc\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, ao centrar-se na depend\u00eancia, h\u00e1 um esquecimento de suporte \u00e0s crian\u00e7as e jovens. Por exemplo, as necessidades normais de depend\u00eancia dos filhos n\u00e3o s\u00e3o satisfeitas, e a crian\u00e7a pode experienciar um sentimento cr\u00f4nico de tristeza e perda, que se manifesta em depress\u00e3o e num senso de ser \u201cdiferente\u201d dos outros. Quando adulto, esse indiv\u00edduo pode experienciar isolamento emocional, medo da intimidade e tend\u00eancia a reagir passivamente em vez de agir em seu pr\u00f3prio interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja um assunto delicado, e muitas vezes velado, o uso do \u00e1lcool acaba sendo socialmente aceito e comum em diversos ambientes, por\u00e9m, quanto mais compreendermos este tipo de funcionamento familiar conflituoso, poderemos, como fam\u00edlia e sociedade, sermos suporte a essas crian\u00e7as e jovens que necessitam de modelos mais sadios e, muitas vezes, necessitar\u00e3o tamb\u00e9m de apoio emocional especializado para lidar com tais situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Elaine Ribeiro dos Santos &#8211; <\/em><\/strong><em>Psic\u00f3loga Cl\u00ednica pela USP \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo, atuando nas cidade de S\u00e3o Paulo  e Cachoeira Paulista. Neuropsic\u00f3loga e Psic\u00f3loga Organizacional, \u00e9 colaboradora da Comunidade Can\u00e7\u00e3o Nova<\/em><br><\/p>\n\n\n\n<p><em>Site: www.elaineribeiropsicologia.com.br<br> Facebook: elaine.ribeiropsicologia<br> Instagram:  @elaineribeiro_psicologa <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O alcoolismo \u00e9 uma doen\u00e7a que afeta membros de diversas fam\u00edlias \u201cEm minha inf\u00e2ncia, quando meu pai bebia, eu j\u00e1 sabia o que vinha pela frente: discuss\u00f5es, brigas, viol\u00eancia. Eu morria de medo o tempo todo. 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