{"id":28157,"date":"2018-09-26T06:23:35","date_gmt":"2018-09-26T09:23:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=28157"},"modified":"2018-09-26T06:23:35","modified_gmt":"2018-09-26T09:23:35","slug":"literatura-de-cordel-ganha-titulo-de-patrimonio-cultural-imaterial-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/literatura-de-cordel-ganha-titulo-de-patrimonio-cultural-imaterial-brasileiro\/","title":{"rendered":"Literatura de cordel ganha t\u00edtulo de patrim\u00f4nio cultural imaterial brasileiro"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: center;\"><em>Um reconhecimento para aqueles que fazem dessa arte seu sustento e a utilizam para protestos e conscientiza\u00e7\u00e3o<\/em><\/h5>\n<p><em><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Literatura_de_cordel.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-28158\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Literatura_de_cordel.jpg?resize=480%2C322\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"322\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Literatura_de_cordel.jpg?w=300&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Literatura_de_cordel.jpg?resize=250%2C168&amp;ssl=1 250w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/a>&#8220;Literatura de cordel \u00e9 poesia popular \/ \u00c9 hist\u00f3ria contada em versos \/ Em estrofes a rimar&#8230;&#8221;<\/em><\/p>\n<p>Mais novo patrim\u00f4nio imaterial do Brasil, a literatura de cordel tem sido instrumento de conscientiza\u00e7\u00e3o e cidadania na difus\u00e3o de propostas aprovadas na C\u00e2mara dos Deputados. Versos populares \u2013 em sextilhas, martelo agalopado, meia quadra ou em outras m\u00e9tricas \u2013 j\u00e1 ajudaram, por exemplo, a popularizar a Lei Maria da Penha (Lei 11.340\/06). O cordelista cearense Ti\u00e3o Simpatia usou essa arte para divulgar os principais pontos da lei de combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Segundo o artigo quinto, esses tipos de viol\u00eancia \/ D\u00e3o-se em diversos \u00e2mbitos. \/ Por\u00e9m, \u00e9 na resid\u00eancia \/ Que a viol\u00eancia dom\u00e9stica tem sua maior incid\u00eancia. \/ E quem pode ser enquadrado como agente agressor? \/ Marido ou companheiro, namorado ou ex-amor. \/ No caso de uma dom\u00e9stica, pode ser o empregador<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Por falar em dom\u00e9sticas, a tramita\u00e7\u00e3o da proposta de emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC 478\/10) que reconheceu uma s\u00e9rie de direitos trabalhistas para a categoria tamb\u00e9m mereceu versos em forma de cordel:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Ser dom\u00e9stica, ningu\u00e9m sabe, \/ Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil esse papel, n\u00e3o. \/ Dom\u00e9stica tem que sonhar<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>O Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (em 13\/09) acaba de incluir a literatura de cordel na lista de patrim\u00f4nio imaterial do Brasil. \u00c9 uma forma de valoriza\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos saberes, of\u00edcios e formas de express\u00e3o coletiva. Integrante da Comiss\u00e3o de Cultura da C\u00e2mara, o deputado Tadeu Alencar, do PSB de Pernambuco, elogiou a iniciativa:<\/p>\n<p>&#8220;<em>A cultura dos trovadores da Europa medieval se transfere para o Nordeste ressequido de uma maneira muita aclimatada a uma gente simples, que n\u00e3o teve oportunidade da cultura cl\u00e1ssica e acad\u00eamica. \u00c9 uma grande homenagem \u00e0 cultura popular, \u00e0 alma brasileira<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o europeia de contos populares rimados &#8211; impressos em papel simples e pendurados em cordas para venda &#8211; se enraizou no Nordeste brasileiro ainda no s\u00e9culo 19. O paraibano Leandro Gomes de Barros e o sergipano Jo\u00e3o Martins de Athayde est\u00e3o entre os pioneiros. Desde 1988, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, sediada no Rio de Janeiro, acompanha o amadurecimento dessa arte. O presidente da ABLC, o cearense Gon\u00e7alo Ferreira da Silva, afirma que a tem\u00e1tica &#8211; antes restrita ao cotidiano nordestino e a personagens como Padre C\u00edcero e o cangaceiro Lampi\u00e3o &#8211; tem sido atualizada, sem deixar a tradi\u00e7\u00e3o de lado:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Desde a chegada ao Brasil, com os colonizadores portugueses, a literatura de cordel come\u00e7ou um percurso lento, desorganizado e engatinhando. Ganhou um sabor brasileiro, nosso. A literatura de cordel abrange toda a \u00e1rea do conhecimento humano e os \u00faltimos acontecimentos de natureza pol\u00edtica e social<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Em 2011, a R\u00e1dio C\u00e2mara entrevistou o cordelista Jo\u00e3o Firmino Cabral em pleno Mercado Popular de Aracaju, em Sergipe. Ent\u00e3o com 71 anos de idade, ele falava, em forma de versos, das preocupa\u00e7\u00f5es em torno das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da a\u00e7\u00e3o danosa do homem sobre a natureza, principalmente na Amaz\u00f4nia:<\/p>\n<p>&#8220;<em>Toda a Floresta Amaz\u00f4nica est\u00e1 muito devastada \/ Por madeireiros perversos e tamb\u00e9m muita queimada. \/ Os animais sumindo, as aves diminuindo \/ A vida est\u00e1 complicada. \/ Se os animais falassem diriam aos predadores \/ N\u00e3o matem nossos parentes, escutem nossos clamores. \/ N\u00e3o sejam t\u00e3o homicidas pois n\u00f3s tamb\u00e9m temos vidas e tamb\u00e9m sentimos dores<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Orgulhoso do of\u00edcio de cordelista, Jo\u00e3o Firmino Cabral ocupou a cadeira 36 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel at\u00e9 sua morte, em fevereiro de 2013. Os livrinhos dele e de milhares de cordelistas continuam sendo vendidos em feiras, bancas de jornais e mercados populares. A internet e as redes sociais \u2013 como o YouTube \u2013 tamb\u00e9m ajudam a manter essa arte centen\u00e1ria antenada com a atualidade. Em per\u00edodo eleitoral, por exemplo, o cordelista Hugo Tavares Dutra costuma entoar os versos de seu livrinho &#8220;<em>Votar \u00e9 um n\u00f3<\/em>&#8220;, com refer\u00eancias \u00e0 Lei da Ficha Limpa (LC 135\/10):<\/p>\n<p>&#8220;<em>Ficha limpa, ficha suja: diz a\u00ed quem vai julgar \/ Quem \u00e9 quem nesse processo desse n\u00f3 que \u00e9 votar. \/ Eleito e eleitor: quem \u00e9 que vai decifrar \/ Quem \u00e9 pedra ou vidra\u00e7a nesse ser\u00e1 que ser\u00e1<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>As profiss\u00f5es de cordelista e repentista est\u00e3o regulamentadas desde 2010. A lei (12.198\/10) surgiu de uma proposta (PL 613\/07) do deputado Andr\u00e9 de Paula, do PSD de Pernambuco.<\/p>\n<p>&#8220;<em>\u00c9 uma bela tradi\u00e7\u00e3o \/ que exprime nossa cultura&#8230;<\/em>&#8221;<\/p>\n<p><em><strong>*Reportagem &#8211; Jos\u00e9 Carlos Oliveira \/ R\u00e1dio C\u00e2mara<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um reconhecimento para aqueles que fazem dessa arte seu sustento e a utilizam para protestos e conscientiza\u00e7\u00e3o &#8220;Literatura de cordel \u00e9 poesia popular \/ \u00c9 hist\u00f3ria contada em versos \/ Em estrofes a rimar&#8230;&#8221; Mais novo patrim\u00f4nio imaterial do Brasil, a literatura de cordel tem sido instrumento de conscientiza\u00e7\u00e3o e cidadania na difus\u00e3o de propostas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":28158,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8,1,3],"tags":[],"class_list":["post-28157","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-noticias","category-politica"],"acf":[],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Literatura_de_cordel.jpg?fit=300%2C201&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"publishpress_future_workflow_manual_trigger":{"enabledWorkflows":[]},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28157","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28157"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28157\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28160,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28157\/revisions\/28160"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/28158"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}