{"id":2261,"date":"2015-07-18T10:53:47","date_gmt":"2015-07-18T13:53:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=2261"},"modified":"2015-07-18T10:53:47","modified_gmt":"2015-07-18T13:53:47","slug":"opiniao-a-forca-dos-mais-experientes-e-a-identidade-das-culturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/opiniao-a-forca-dos-mais-experientes-e-a-identidade-das-culturas\/","title":{"rendered":"OPINI\u00c3O &#8211; A for\u00e7a dos mais experientes e a identidade das culturas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/download-20.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-2262 alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/download-20.jpg?resize=230%2C220\" alt=\"download (20)\" width=\"230\" height=\"220\" \/><\/a>Quatro da manh\u00e3, ainda escuro e frio, tomei a BR em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 capital, em miss\u00e3o inesperada. Entre uma chuva e outra, \u00e0 medida que as cidades e povoados avan\u00e7avam, com pregui\u00e7a de acordar, enroscado em meu bom e velho palet\u00f3 chuviscado, remo\u00eda um coment\u00e1rio que lera havia pouco tempo, no Facebook: \u201cpol\u00edticos velhos e enferrujados&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Era um jovem que diante da proposta de nomes para assumirem a dire\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio, nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es, a todos nos jogava no ferro velho, defendendo que o pr\u00f3ximo prefeito deveria ser algu\u00e9m \u201cnovo\u201d. Fitando uma linha do horizonte que se confundia com a escurid\u00e3o do tempo, me fazia algumas perguntas: \u201cO que \u00e9 ser novo, na verdade? \u00c9 ter pouca idade? \u00c9 nunca ter sido nada? \u00c9 n\u00e3o ter passado pelo crivo do conhecimento da realidade? Qual o lugar da experi\u00eancia, da aprendizagem e do conhecimento da realidade na sociedade contempor\u00e2nea?\u201d.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas dissemina-se a vis\u00e3o dos mais velhos como ultrapassados, in\u00fateis ou improdutivos, portadores de valores antiquados. \u00c9 uma id\u00e9ia t\u00e3o moderna quanto contr\u00e1ria ao que foi constru\u00eddo em grande parte das culturas mais antigas do planeta, que geralmente associam longevidade com sabedoria.<\/p>\n<p>Um r\u00e1pido olhar nas diversas culturas, principalmente nas culturas em que a nossa brasilidade se enra\u00edza, nos mostra povos que se tornaram fortes por n\u00e3o abrirem m\u00e3o da \u201cci\u00eancia, da sabedoria e do conhecimento dos mais velhos\u201d. Exemplos a\u00ed est\u00e3o de sobra:<\/p>\n<p>Do ponto de vista administrativo-religioso, Pedro foi escolhido primaz dos ap\u00f3stolos pela respeitabilidade e compet\u00eancia dos seus cabelos brancos, sendo o mais velho dos doze ap\u00f3stolos; na Igreja Primitiva ocupavam importantes fun\u00e7\u00f5es no cuidado das comunidades, OS PRESB\u00cdTEROS, palavra grega que significa \u201cOS MAIS VELHOS\u201d e aos quais h\u00e1 respeitosas refer\u00eancias: Ser presb\u00edtero \u00e9 um of\u00edcio plural exercido por homens, com a\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da pr\u00f3pria igreja, a qual reconhece aqueles a quem Deus escolheu, debaixo de muita ora\u00e7\u00e3o e jejuns (At 14.23). Diz o s\u00e1bio: \u201cN\u00e3o havendo s\u00e1bia dire\u00e7\u00e3o, cai o povo, mas na multid\u00e3o de conselheiros h\u00e1 seguran\u00e7a.\u201d (Pv 11.14); Juntamente com os ap\u00f3stolos tinham os presb\u00edteros a responsabilidade de analisar e deliberar sobre quest\u00f5es doutrin\u00e1rias (At 15.2, 4, 6, 22), emitindo documento sobre a decis\u00e3o tomada, para orienta\u00e7\u00e3o da igreja (At 15.23; 16.4); O ap\u00f3stolo Paulo dedicou aten\u00e7\u00e3o especial a eles, pois os via como l\u00edderes e pastores do rebanho de Deus (At 20.17, 28; 21.17).<\/p>\n<p>A cultura ancestral sul-americana nos mostra que no continente h\u00e1 uma valoriza\u00e7\u00e3o dos saberes tradicionais, aliada ao respeito e admira\u00e7\u00e3o pelos idosos. Tal se encontra presente na fala e na atitude de crian\u00e7as, jovens e adultos. N\u00e3o h\u00e1 exatamente essa separa\u00e7\u00e3o expl\u00edcita entre passado e presente, os ancestrais falecidos s\u00e3o consultados nas cerim\u00f4nias espirituais, s\u00e3o parte da constru\u00e7\u00e3o e da identidade de cada \u00edndio e a raz\u00e3o de ainda estarem vivos como povos e culturas.<\/p>\n<p>Reportagem de \u201cCarta Capital\u201d nos fala de um jovem ind\u00edgena colombiano para quem: \u201cOs anci\u00f5es s\u00e3o como bibliotecas ambulantes. Se morrem, morre todo o conhecimento que guardam. E se n\u00f3s jovens n\u00e3o buscamos e aprendemos com os mais velhos esse conhecimento se perde, \u00e9 como queimar uma biblioteca inteira\u201d. E n\u00f3s, quantas bibliotecas n\u00e3o estaremos queimando diariamente, ao relegarmos ao nada os que acumularam experi\u00eancias e compet\u00eancias nos espa\u00e7os onde vivem?<\/p>\n<p>Em \u201cMem\u00f3ria e Sociedade: lembran\u00e7as de velhos\u201d, a antrop\u00f3loga Ecl\u00e9a Bosi apresenta uma bela reflex\u00e3o: \u201cO ancia\u0303o na\u0303o sonha quando rememora: desempenha uma func\u0327a\u0303o para a qual esta\u0301 maduro, a religiosa func\u0327a\u0303o de unir o comec\u0327o e o fim, de tranquilizar as a\u0301guas revoltas do presente alargando suas margens [&#8230;]. O vi\u0301nculo com outra e\u0301poca, a conscie\u0302ncia de ter suportado, compreendido muita coisa, traz para o ancia\u0303o alegria e uma ocasia\u0303o de mostrar sua compete\u0302ncia. Sua vida ganha uma finalidade se encontrar ouvidos atentos, ressona\u0302ncia.\u201d (2004, p. 22).<\/p>\n<p>E a cultura africana? O respeito aos mais velhos, como portadores das informa\u00e7\u00f5es, dos segredos, dos processos de conhecimento, como aqueles que t\u00eam a \u201cpalavra a ser dita\u201d e que s\u00e3o personificados na cl\u00e1ssica figura do \u201cPreto Velho\u201d. Imposs\u00edvel pensar na identidade de um povo, de uma cultura, sem abrir espa\u00e7o \u00e0queles que det\u00e9m a hist\u00f3ria e os processos de conhecimento constru\u00eddos naquele grupo social.<\/p>\n<p>Por fim, os considerados \u201cpol\u00edticos enferrujados\u201d de Senhor do Bonfim foram os que deram, do ano 2000 ao ano 2012, \u00e0 nossa terra, o toque da modernidade, estruturando o munic\u00edpio nos moldes da moderna gest\u00e3o: \u201cimplanta\u00e7\u00e3o da Lei de Responsabilidade Fiscal; implanta\u00e7\u00e3o do Portal da Transpar\u00eancia; cria\u00e7\u00e3o da Controladoria interna e geral do munic\u00edpio; estrutura\u00e7\u00e3o das Secretarias de Governo; Cria\u00e7\u00e3o dos Conselhos nas \u00e1reas de Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia Social; implanta\u00e7\u00e3o eficiente da LOAS; implanta\u00e7\u00e3o de programas sociais, educacionais e de sa\u00fade de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o; implanta\u00e7\u00e3o dos Programas de Saude da Fam\u00edlia; implanta\u00e7\u00e3o das Escolas de Tempo Integral; implanta\u00e7\u00e3o da maior pol\u00edtica habitacional do norte da Bahia; implanta\u00e7\u00e3o do SAMU; implanta\u00e7\u00e3o da Saude Plena; Cria\u00e7\u00e3o dos Fundos Municipais de Saude, Educa\u00e7\u00e3o e Assist\u00eancia Social\u201d, entre dezenas de outras iniciativas inovadoras.<\/p>\n<p>A viagem para Salvador tornou-se-me menos enfadonha. E nos deixou a certeza de que, apesar das falas inconsequentes, a experi\u00eancia e a compet\u00eancia s\u00e3o aliados importantes e indispens\u00e1veis a quem deseja e deve se lan\u00e7ar na futura e dif\u00edcil tarefa de recolocar Senhor do Bonfim na rota da qual se desviou.<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/PM.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1461 size-thumbnail alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/PM.jpg?resize=150%2C150\" alt=\"PM\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/PM.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/PM.jpg?resize=48%2C48&amp;ssl=1 48w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/PM.jpg?zoom=2&amp;resize=150%2C150 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/PM.jpg?zoom=3&amp;resize=150%2C150 450w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>*PAULO BATISTA MACHADO, Ph.D em Educa\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\n<em>Professor universit\u00e1rio &#8211; orienta\u00e7\u00e3o de trabalhos cient\u00edficos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quatro da manh\u00e3, ainda escuro e frio, tomei a BR em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 capital, em miss\u00e3o inesperada. 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