{"id":1327,"date":"2015-06-10T20:25:58","date_gmt":"2015-06-10T23:25:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/?p=1327"},"modified":"2015-06-10T20:25:58","modified_gmt":"2015-06-10T23:25:58","slug":"opiniao-vida-e-carreira-um-equilibrio-possivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/opiniao-vida-e-carreira-um-equilibrio-possivel\/","title":{"rendered":"OPINI\u00c3O &#8211; Vida e carreira: um equil\u00edbrio poss\u00edvel?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/M%C3%A1rio-S%C3%A9rgio-Cortella.jpg\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1328 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/M%C3%A1rio-S%C3%A9rgio-Cortella.jpg?resize=300%2C266\" alt=\"M\u00e1rio S\u00e9rgio Cortella\" width=\"300\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/M%C3%A1rio-S%C3%A9rgio-Cortella.jpg?resize=300%2C266&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/M%C3%A1rio-S%C3%A9rgio-Cortella.jpg?resize=250%2C222&amp;ssl=1 250w, https:\/\/i0.wp.com\/blogdoeloiltoncajuhy.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/M%C3%A1rio-S%C3%A9rgio-Cortella.jpg?w=434&amp;ssl=1 434w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Gosto demais do que um dia escreveu o brit\u00e2nico Beda, o Vener\u00e1vel, l\u00e1 no s\u00e9culo VIII: \u201cH\u00e1 tr\u00eas caminhos para o fracasso: n\u00e3o ensinar o que se sabe; n\u00e3o praticar o que se ensina; n\u00e3o perguntar o que se ignora\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, uma carreira a ser \u201cturbinada\u201d exige a capacidade de \u201censinar o que se sabe\u201d, isto \u00e9, ter permeabilidade e ser reconhecido como algu\u00e9m que reparte compet\u00eancias, de modo a fortalecer a equipe e demonstrar ambi\u00e7\u00e3o (querer mais) em vez de gan\u00e2ncia (querer s\u00f3 para si, a qualquer custo).<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m \u201cpraticar o que se ensina\u201d, de forma a deixar clara a coer\u00eancia de postura, o equil\u00edbrio entre o dito e o feito, e a disposi\u00e7\u00e3o para assumir com seguran\u00e7a aquilo que adota como correto. Por fim, o mais importante, \u201cperguntar o que se ignora\u201d, pois corre perigo aquele ou aquela que n\u00e3o demonstrar que est\u00e1 sempre em estado de aten\u00e7\u00e3o (em vez de estado de tens\u00e3o) para ampliar capacidades e assumir a humildade (sem subservi\u00eancia) de compreender e viver aquilo que S\u00f3crates, na Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica, nos advertiu: \u201cs\u00f3 sei que nada sei\u201d, ou seja, s\u00f3 sei que nada sei por inteiro, s\u00f3 sei que nada sei que s\u00f3 eu saiba, s\u00f3 sei que nada sei que n\u00e3o possa ainda vir a saber.<\/p>\n<p>Afinal, os projetos e metas em qualquer organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o apenas um horizonte que funciona especialmente para sinalizar quais s\u00e3o as possibilidades e limites de progress\u00e3o; no entanto, horizontes n\u00e3o s\u00e3o obst\u00e1culos e sim fronteiras.<\/p>\n<p>Performance e \u201cfazer\u201d carreira exige atitude e iniciativa e, por isso, \u00e9 um \u201cfazer\u201d em vez de ser um \u201creceber\u201d.<\/p>\n<p>Construir o equil\u00edbrio das inten\u00e7\u00f5es com as condi\u00e7\u00f5es \u00e9 priorit\u00e1rio, sempre lembrando que o equil\u00edbrio precisa ser em movimento (como na bicicleta), sem conformar-se com o sedutor e falso equil\u00edbrio que se imagina atingir ao se ficar im\u00f3vel.<\/p>\n<p>Em 2007, a BrasilPrev pediu-me uma pequena reflex\u00e3o sobre equil\u00edbrio na vida pessoal e profissional; eu o chamei de \u201c\u00d4 balanc\u00ea, balanc\u00ea\u2026\u201d. e agora aqui o retomo. Balanc\u00ea? Por incr\u00edvel que pare\u00e7a esse termo franc\u00eas significa, na dan\u00e7a, ficar apenas alternando um p\u00e9 com o outro, mexendo o corpo para l\u00e1 e para c\u00e1, mas, sem sair do lugar.<\/p>\n<p>Quando, em 1936, Braguinha e Alberto Ribeiro compuseram essa marchinha de carnaval, n\u00e3o poderiam supor que mais de 70 anos depois alguns de n\u00f3s usar\u00edamos a \u00faltima estrofe como uma lamenta\u00e7\u00e3o estagnante do desequil\u00edbrio entre vida profissional e vida pessoal: \u201cEu levo a vida pensando \/ Pensando s\u00f3 em voc\u00ea \/ E o tempo passa e eu vou me acabando \/ No balanc\u00ea, balanc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAcho que estou precisando colocar as coisas na balan\u00e7a e ver como consigo lidar melhor com a minha vida no trabalho e a minha vida particular\u201d. Tem ouvido muito isso? Tem pensado muito nisso? Ainda bem; \u00e9 sinal de sanidade.<\/p>\n<p>Qualquer perturba\u00e7\u00e3o que abale a integridade e autenticidade do que se vive \u00e9 perniciosa. Todas as vezes nas quais se tem a sensa\u00e7\u00e3o de se ser \u201cdois\u201d, isto \u00e9, de existir de forma dividida, desponta o perigo de se ter de escolher um entre ambos e relegar o outro. A quest\u00e3o vital n\u00e3o \u00e9 dividir-se, mas, isso sim, repartir-se.<\/p>\n<p>Pode parecer \u00f3bvio: quando se divide, h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o; quando se reparte, h\u00e1 uma multiplica\u00e7\u00e3o. Em outras palavras: se me divido entre duas atividades, vem sofrimento; se me reparto, vem equil\u00edbrio. N\u00e3o por acaso, a palavra \u201cequil\u00edbrio\u201d est\u00e1 ligada \u00e0 ideia de pesar, avaliar, aferir e, portanto, colocar na balan\u00e7a. A express\u00e3o latina \u201caequilibrium\u201d tem a sua origem em equ (igual) e libra (balan\u00e7a).<\/p>\n<p>Balancear as dimens\u00f5es vitais favorece uma mente sadia; afinal, a vida profissional \u00e9 parte da vida pessoal, e n\u00e3o toda ela.\u00a0 N\u00e3o deve pesar mais, nem menos. Ter\u00e1 a gravidade (em m\u00faltiplos sentidos) que for obtida pelo honesto valor que a ela for atribu\u00eddo. O que n\u00e3o d\u00e1 \u00e9 ficar s\u00f3 balan\u00e7ando sem sair do lugar; harmonia \u00e9 constru\u00e7\u00e3o planejada e persistente, em vez de pura espera. Para que harmonia, ent\u00e3o?<\/p>\n<p>Como um dia desenvolvi no meu livro Qual \u00e9 a Tua Obra? (Inquieta\u00e7\u00f5es Propositivas sobre Gest\u00e3o, Lideran\u00e7a e \u00c9tica) publicado pela editora Vozes:\u00a0 Cuidado, a vida \u00e9 muito curta para ser pequena. \u00c9 preciso engrandec\u00ea-la.<\/p>\n<p>E, para isso, \u00e9 preciso tomar cuidado com duas coisas: a primeira \u00e9 que tem muita gente que cuida demais do urgente e deixa de lado o importante. Cuida da carreira, do dinheiro, do patrim\u00f4nio, mas deixa o importante de lado. Depois n\u00e3o d\u00e1 tempo. A segunda grande quest\u00e3o \u00e9 gente que se preocupa muito com o fundamental e deixa o essencial de lado. O essencial \u00e9 tudo aquilo que n\u00e3o pode n\u00e3o ser: amizade, fraternidade, solidariedade, sexualidade, religiosidade, lealdade, integridade, liberdade, felicidade. Isso \u00e9 essencial.<\/p>\n<p>Fundamental \u00e9 tudo aquilo que te ajuda a chegar ao essencial. Fundamental \u00e9 a tua ferramenta, como uma escada. Uma escada \u00e9 algo que me ajuda a chegar a algum lugar. Ningu\u00e9m tem uma escada para ficar nela. Dinheiro n\u00e3o \u00e9 essencial. Dinheiro \u00e9 fundamental. Sem ele, voc\u00ea tem problema, mas ele, em si, n\u00e3o resolve. Emprego \u00e9 fundamental, carreira \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>O essencial \u00e9 o que n\u00e3o pode n\u00e3o ser. Essencial \u00e9 aquilo que faz com que a vida n\u00e3o se apequene. Que faz com que a gente seja capaz de transbordar.<\/p>\n<p>Repartir vida. Repartir o essencial, a amizade, a amorosidade, a fraternidade, a lealdade. Repartir a capacidade de ter esperan\u00e7a e, para isso, ter coragem.<\/p>\n<p>Coragem n\u00e3o \u00e9 a aus\u00eancia de medo. Coragem \u00e9 a capacidade de enfrentar o medo. O medo, assim como a dor, \u00e9 um mecanismo de prote\u00e7\u00e3o que a natureza coloca para n\u00f3s. Se voc\u00ea e eu n\u00e3o tivermos medo nem dor, ficamos muito vulner\u00e1veis. Porque a dor \u00e9 um alerta e a dor nos prepara. \u00c9 preciso coragem para que a nossa obra n\u00e3o se apequene. E, para isso, precisamos ter esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>E, como dizia o grande Paulo Freire, \u201ctem de ser esperan\u00e7a do verbo esperan\u00e7ar\u201d. Tem gente que tem esperan\u00e7a do verbo esperar. E esperan\u00e7a do verbo esperar n\u00e3o \u00e9 esperan\u00e7a, \u00e9 espera. \u201cAh, eu espero que d\u00ea certo, espero que resolva, espero que funcione.\u201d Isso n\u00e3o \u00e9 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Esperan\u00e7ar \u00e9 ir atr\u00e1s, \u00e9 se juntar, \u00e9 n\u00e3o desistir. Esperan\u00e7ar \u00e9 achar, de fato, que a vida \u00e9 muito curta para ser pequena. E precisamos pensar se estamos nos dedicando ao importante em vez de ao urgente.<\/p>\n<p>Tem gente que diz: \u201cAh, mas eu n\u00e3o tenho tempo\u201d. Aten\u00e7\u00e3o: tempo \u00e9 uma quest\u00e3o de prioridade, de escolha. Quando eu digo que n\u00e3o tenho tempo para isso, estou dizendo que isso n\u00e3o \u00e9 importante para mim. Cuidado, voc\u00ea j\u00e1 viu infartado que n\u00e3o tem tempo? Se ele sobreviver, ele arruma um tempo. O m\u00e9dico dizia \u201cvoc\u00ea n\u00e3o pode fazer isso, tem de andar todo os dias\u201d. Se ele enfartar e sobreviver, no outro dia voc\u00ea vai v\u00ea-lo, \u00e0s 6 horas da manh\u00e3, andando. Se ele tinha tempo, que ele teve de arrumar agora, por que n\u00e3o fez isso antes? Voc\u00ea tem tempo? Se n\u00e3o tem, crie. Talvez precisemos rever as nossas prioridades.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que estamos cuidando do urgente e deixando o importante de lado? Ser\u00e1 que n\u00e3o estamos atr\u00e1s do fundamental, em vez de ir em busca do essencial?<\/p>\n<p><em>*Mario Sergio Cortella &#8211;\u00a0fil\u00f3sofo, escritor, educador, palestrante e professor universit\u00e1rio brasileiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gosto demais do que um dia escreveu o brit\u00e2nico Beda, o Vener\u00e1vel, l\u00e1 no s\u00e9culo VIII: \u201cH\u00e1 tr\u00eas caminhos para o fracasso: n\u00e3o ensinar o que se sabe; n\u00e3o praticar o que se ensina; n\u00e3o perguntar o que se ignora\u201d. 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