Prevenção do Diabetes pode evitar problemas graves de saúde

FONTE: Cláudio Ferreira - Rádio Câmara

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Cerca de 16 milhões de brasileiros têm diabetes, mas metade deste grupo não sabe do diagnóstico. A doença afeta a produção de insulina, o hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue. Os principais fatores de risco são o índice de massa corporal elevado, a baixa atividade física e uma dieta pouco saudável.

Médicos de todo o país estão empenhados em levar mais informações sobre a doença e estimular a prevenção. O diabetes é uma das principais comorbidades que complicam o quadro de quem contraiu a Covid-19. Profissionais de saúde que também são parlamentares, como o oftalmologista Hiran Gonçalves (PP-RR), alertam para as consequências do diabetes tipo 2, o de maior incidência na população.

“O diabetes tipo 2, assim como a hipertensão arterial, eles são as maiores causas de problemas de saúde no mundo inteiro, desde problemas cardiovasculares, problemas neurológicos, problemas respiratórios, problemas de circulação, pacientes mais suscetíveis a infecções. Todas essas comorbidades acontecem por conta de que os pacientes portadores de diabetes, que é uma doença que cursa com muito poucos sintomas no início, esses pacientes são muito difíceis de serem conscientizados da importância de manter hábitos saudáveis e manter o nível de glicemia dentro de parâmetros normais”.

Para quem é diabético, controlar a glicemia pode evitar problemas sérios. A amputação de membros é uma consequência bastante conhecida pelos leigos, mas nem todo mundo sabe que problemas de visão como glaucoma e catarata precoce podem aparecer.

Outra doença grave é a retinopatia diabética, causada pelo extravasamento de vasos sanguíneos da retina, que pode provocar cegueira irreversível. Ela não tem cura, mas pode ser controlada.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, Maurício Maia, 30% dos diabéticos poderão ter a retinopatia ao longo da vida, mas alguns são especialmente suscetíveis.

“Os grupos que têm maior chance de desenvolvimento de retinopatia diabética são os diabéticos com vários anos de evolução da doença, bem como os diabéticos com descontrole da glicemia e também os pacientes que apresentam a combinação de diabetes e hipertensão arterial sistêmica com controle inadequado”.

Exames como como o de fundo do olho, a retinografia e a tomografia de retina, chamada tecnicamente de OCT, são utilizados para detectar a retinopatia diabética. Em 90% dos casos, o diagnóstico antecipado pode evitar a perda da visão. O oftalmologista Rafael Andrade, da Comissão de Prevenção à Cegueira do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), salienta a necessidade de ampliar o acesso da população aos exames preventivos do diabetes.

“É uma doença que é tratável, mas quanto antes, melhor, porque o que o diabetes tira dificilmente a gente consegue trazer de volta. Então o diagnóstico precoce é fundamental antes que as lesões irreversíveis dos rins, do coração, do olho, elas se consolidem. Então, quanto mais a gente informar, quanto mais a gente conseguir acesso para esse paciente, é importante”.

Em tempos de isolamento social por causa do perigo da Covid-19, a prevenção fica mais difícil, como ressalta o deputado Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ). Além de ortopedista, ele é coordenador da comissão externa da Câmara que acompanha os efeitos da disseminação do coronavírus no país.

“Infelizmente, com a pandemia, muitas pessoas não conseguiram realizar suas consultas médicas, seus exames laboratoriais e não conseguiram, então, realizar um diagnóstico e um acompanhamento correto da sua diabetes. A gente tem certeza que vamos ter uma grande procura, no ano de 2021, por consultas e por exames”.

O diabetes passou de décima-primeira causa mortis para cada 100 mil habitantes em 1990 para a terceira em 2017. Os especialistas destacam que é importante ampliar o acesso da população ao diagnóstico e ao tratamento da doença, principalmente em regiões como a Amazônia e o sertão nordestino.

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