Os amigos nos devolvem a alegria de viver

FONTE: Canção Nova

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on email
Share on telegram
Foto Ilustrativa: Andréia Britta/cancaonova.com

“Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre” (Cecília Meireles). As pessoas que nos marcam para sempre chamamos de amigos.

O que você acha de visitar um parque de diversões sozinho? Você vai gritar na montanha russa e não terá ninguém para gritar com você. Vai rir no trem fantasma e não haverá outro riso junto ao seu. Imagine-se sempre sozinho. Os passeios são agradáveis, os lugares são bons e as coisas são boas, porque há pessoas conosco. O bom não é o lugar, mas a companhia dessas pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e nos marcam para sempre.

Lendo alguns textos sobre amizade, deparei-me com o convite acima e fiquei imaginando todos os lugares que vou sem a companhia de alguém. Seja qual for a circunstância, tudo se tornará mais leve se estivermos bem acompanhados, amorosamente acolhidos por um amigo ou por alguém que ocupa uma função importante em nossa vida e conseguiu estabelecer amizade conosco.

É importante que os amigos se compreendam

O mundo está tão veloz, que o novo formato de amizade não espera, não perdoa, não insiste, não aprende, não ensina e não entende que a verdadeira amizade é a esperança dos tempos atuais. A tecnologia avança nos mais diversos setores, mas tem trazido várias consequências. Escreve o Papa Francisco, na Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho‘, pag. 47, “que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo vive o seu dia a dia precariamente, com funestas consequências: aumentam algumas doenças, o medo e o desespero apoderam-se do coração de inúmeras pessoas, a alegria de viver frequentemente se desvanece. Crescem a falta de respeito e a violência, a desigualdade social torna-se cada vez mais patente. É preciso lutar para viver”.

É justamente em meio a essas consequências que os verdadeiros amigos precisam ocupar um espaço em nossa vida, pois eles nos devolvem a alegria mesmo em tempo ruim. Passar pela tempestade acompanhado de pessoas que querem estar em nossa companhia é muito bom!

A vida que a cultura atual impõe não nos reserva tempo para fortalecer vínculos nem amadurecer as amizades. Tem-se feito amigo da noite para o dia sem nenhuma profundidade de relacionamento. O modelo das relações líquidas nos envolveu a tal ponto, que convivemos com a ideia de que todos se amam, todos são amigos e ninguém se conhece. Por isso é tão importante que os amigos se visitem, compreendam-se, aprendam a suportar seus bicos, seus erros e a se perdoar.

A Palavra de Deus nos dá modelos de amigos

Arriscar-se por um amigo é sentir-se comprometido com a amizade, é sentir necessidade de sair de casa para visitá-lo e levar-lhe rosas. As pessoas estão ficando em casa, de portas e janelas fechadas, porque não cultivam suas amizades, não recebem mais visitas. Os amigos passaram. Que tristeza! Vivem de lembranças. E parece que a ausência de um ombro amigo está acontecendo em todas as esferas, quer seja familiar, religiosa, profissional ou social. Ops! Estamos falando de nós mesmos? O que está nos faltando para termos e sermos bons amigos?

Antigamente, fim de tarde, sol se pondo, era comum ver os pais sentados à porta de casa esperando seus amigos voltarem do trabalho. Eles visitavam seus compadres e levavam seus filhos para pedir a bênção a eles. Caso adoecesse algum amigo, eles eram os primeiros a chegar para socorrê-los. E hoje? Será que nos faltam esses bons modelos? A Palavra de Deus nos apresenta uma amizade que nos motiva a sair de nós mesmos e fazer o movimento de lutar por ela. A Palavra descreve a relação de Jônatas e Davi como um grande exemplo de amizade, que nasceu de um momento de angústia.

A alma de Jônatas, conta a Escritura, ligou-se à alma de Davi, porque precisava fortalecê-lo nos momentos de angústia e solidão. Então, Jônatas despiu-se de suas vestes reais, na presença de Davi, manifestando a mais profunda amizade por ele. Atitude bem semelhante à de Cristo. Por amor à humanidade, permitiu que Suas vestes fossem rasgadas e que Sua carne fosse cravada. Cristo se aliançou com a humanidade nesse momento. Ele fez uma aliança de amor para salvar o Seu povo.

Jesus nos chama de amigos: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer” (Jo 15,15).

Jônatas se aliançou com Davi por amor, o qual já trazia consigo um comportamento dócil para fazer amizade, por ser um homem gentil e por fazer amigos facilmente. Até quando estava na caverna, conseguiu fazer amigos.

É necessário estar disposto a pagar um preço por uma amizade

Hoje, as amizades começam, mas não duram. É necessário estar disposto a pagar um preço por uma amizade, principalmente se ela traz sinais do consentimento de Deus para sua existência. É importante sentir-se apto a cultivar uma amizade e a fraternidade com alguém merecedor do seu amor e da sua confiança. Davi reconheceu o valor do amor de Jônatas por ele. Diz a Palavra que quando este morreu, Davi lamentou a sua partida. Precisamos lamentar a partida de um grande amigo e se alegrar com sua chegada.

Deus abençoe os nossos amigos! Que possamos amar como Jônatas e sermos dóceis como Davi para atrairmos bons amigos.

Veja também