OPINIÃO: Os relacionamentos ainda são assim? Ou já foram assim?

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*Por Edvan Cajuhy

Um relacionamento quase sempre se inicia, ou se iniciava? Com um enamorar das pessoas que se sentem atraídas uma pela outra e vice-versa, acontece uma espécie, de atração física espiritual, que na gíria popular prefere chama-lo de “química”.

Então, teria uma aproximação lenta ou rápida, dependendo das pessoas envolvidas neste momento de descoberta; este momento parece se misturar com uma “coisa” ou sentimento chamado paixão. Este deixa as pessoas “cegas” e faz as mesmas tomarem decisões quase que absurdas, mas, gostosas, que eleva o ego de tanta satisfação.

Mas, o interessante que ambos envolvidos neste processo de relacionamento, talvez por causa da cegueira da paixão da qual falei anteriormente, ou quem sabe por não quererem ofender um ao outro, não são capazes de se apontarem defeitos ou comportamentos que julgam estranhos.

Essas atitudes talvez façam parte das estratégias de conquista. Se apresentarem-se sempre bons, afáveis, generosos, compreensíveis, companheiros um com o outro, para que haja uma realização, ou se consolide a ligação entre ambos.

Portanto, neste período, ambos não se ofendem, os defeitos, os vícios parecem estar cobertos com o fogo da paixão, que não permite ou se permite são as pessoas que não se permitem verem ou enxergarem tais coisas. Assim sendo, neste período de encanto se aplica muito bem o seguinte dito popular: “No inicio tudo são flores”.

“Tudo são flores”, enquanto não aparecem os espinhos… é como se apreciasse apenas as flores, suas cores, a textura de suas pétalas e tivesse o desconhecimento do “restante”, os espinhos. Aprecia-se somente o desabrochar de suas pétalas com suas cores vívidas, aveludadas e macias, deixando transparecer um desejo louco de um leve e breve toque de caricias, carregado de carinho, esquecendo que elas têm espinhos.

Assim são os relacionamentos. Pensa-se que tudo são flores e que os espinhos não existem e, quando os mesmos aparecem, começa a arranharem quem as aprecia. Poder-se-ia então, por analogia, comparar os espinhos com os defeitos, os vícios, que se tornam quase que intoleráveis tolerar a intolerância do outro.

Sendo, pois, os espinhos comparados com os vícios e defeitos, estes, portanto, parecem arranharem o orgulho quase que intransponível do casal/namorados que somente se entrega a humildade, se as mágoas forem quebradas com sentimentos mais fortes que a paixão com seu fogo abrasador.

Passando essa fase de intolerância quase intolerável dos comportamentos indesejáveis, dos defeitos e vícios de ambos, se não houve o desencanto da “química”, do encantamento, dessa atração físico-espiritual, o relacionamento, a partir daí, tende a tornar-se mais duradouro, não digo para sempre, mesmo porque nada permanece para sempre, até mesmo os casamentos que na sua execução pronunciam-me as seguintes palavras: “(…) até o dia em que a morte os separe!”, não se pensa na durabilidade eterna.

O que seria então o amor? Que une os casais pelo menos na vida temporária? O amor é outra “coisa” (sentimento)? Ele está por vir? O amor seria, ou melhor, é o sentimento mais consolidado e belo existente no relacionamento. O amor, na sua liberdade, se prende e se prendendo se liberta.

O Relacionamento que já passou pela fase do enamorar que é o encantamento, da fase da atração e depois da fase da paixão, que é a fase das “loucuras”, do querer possuir, são fases bonitas e necessárias, sim. Mas, são conturbadas e de certa forma desprendível. Depois destas fases vem o melhor! Vem o sabor do sentimento de amor, onde os envolvidos sentem-se livres para amar e ser amados, pois o amor é liberdade. Esta liberdade do amor que se consolida entre duas pessoas, faz com que ambas se comunguem nos sonhos um do outro, que se doem e que renunciem certas coisas pela felicidade de ambos.

O amor é esse sentimento nobre de renuncia e doação e assim define São Paulo quando se refere ao amor de uma forma pura: O amor é paciente, o amor é prestativo, não é invejoso (…), não se incha de orgulho. (…) Não procura seu próprio interesse. Não guarda rancor. (1 Cor 13,4-6).

Portanto, resume-se o que diz São Paulo em uma frase: Amor é doação. Sendo assim, os casais deveriam se doar, se amarem mutuamente. Se isso não existir, aí não existe o amor. Poderá existir qualquer outro sentimento, menos amor.

Todo ser humano necessita amar e ser amado, seja amor fraternal, paternal, maternal, filial, enfim, seja com amor Ágape ou Amor Eros. O amor é uma necessidade do ser humano. Para tanto, permanecem a fé, a esperança e o amor, estas três coisas. A maior delas é o amor. (1 Cor 13,13).

*Edvan Cajuhy
Professor, escritor, poeta, cronista, contista, artista plástico e Presidente da Academia de Letras e Artes de Senhor do Bonfim – ACLASB

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