Estudo aponta que cidades com maior atividade econômica tiveram mais mortes por covid

FONTE: Marcella Cunha/Rádio Senado

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on email
Share on telegram

O estudo do Instituto Votorantim classificou os municípios brasileiros em relação ao grau de vulnerabilidade à pandemia. Foram usados critérios como a proporção da população dependente do sistema público de saúde, de pessoas idosas e desocupadas. Cidades com mais idosos e com maior densidade demográfica, por exemplo, apresentaram maior grau de vulnerabilidade como era esperado. Porém, alguns resultados surpreenderam os pesquisadores.

Cidades onde a população é mais dependente do SUS tiveram menos mortes, demonstrando uma melhor performance do serviço público que da rede privada em evitar óbitos. Cidades com maior número de leitos e vagas na UTI também tiveram piores resultados, já que tendem a pautar suas medidas restritivas por esses critérios, aumentando a tolerância com a circulação de pessoas.

Entre os critérios econômicos, o número de mortes tende a ser maior em cidades mais prósperas. Foram considerados PIB per capita, a proporção da população ocupada e salário médio mensal dos trabalhadores formais. Para o gerente do Instituto, Rafael Pompeia, apesar de inesperado, o resultado pode ser explicado pela continuidade das atividades econômicas nesses locais.

“Uma economia mais pujante, mais potente, acabou acarretando em mais óbitos, apesar de ser um município menos vulnerável nós tivemos mais óbitos. Isso hoje parece um pouco óbvio na medida que a população que está ocupada, municípios que tem e economia pujante a sua população de certa forma ficou mais exposta às atividades externas, à circulação e se contaminou mais”, disse Rafael.

Rafael esclareceu que um município ser mais vulnerável na pesquisa não significa que terá um pior desempenho, já que isso depende das medidas sanitárias adotadas pelos gestores públicos. Para o senador Esperidião Amim, do PP de Santa Catarina, a pesquisa é importante para que o Brasil esteja mais preparado para as próximas epidemias.

“Parece que quando é possível que a atividade econômica dominante num bairro ou em uma cidade seja suscetível ao trabalho remoto tudo indica que deve reduzir a vulnerabilidade. O estudo é importante principalmente se puder nos ajudar a conhecer um pouco mais a pandemia e nos prevenir das outras”, falou o senador.

O Instituto Votorantim apresentou, ainda, o Índice de Eficácia no Enfrentamento da Pandemia de Covid-19. Nele, é projetada uma média do número de mortes esperadas em cada município de acordo com as características da cidade. Foram consideradas as capitais mais eficazes no combate à pandemia Florianópolis, São Paulo e Palmas. Já os piores resultados ficaram com Cuiabá, Manaus e Porto Velho.

Veja também