Erradicada há 30 anos, poliomielite volta a assombrar o Brasil em meio à baixa cobertura vacinal

FONTE: Deborah Fortuna/CBN

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Em campanha oficial desde 1980, a taxa vacinal cai desde 2015 e chegou a 67,8% no ano passado. Os fatores vão de notícias falsas à ausência de campanhas de imunização.

A cobertura vacinal contra a pólio cai desde 2015 e ano passado atingiu a marca de 67,8% em 2021 – Foto: Reprodução/ Portal Rolândia Flickr

Erradicada há 30 anos, a poliomielite volta a ser um risco no Brasil, após queda na taxa de vacinação. Sobreviventes da doença são unânimes: vacina salva e evita as sequelas que o vírus traz. Queda da imunização tem vários fatores e ocorre desde 2015. Especialista diz que faltam campanhas para incentivo em massa.

O que parecia ser um passado enterrado, voltou a assombrar. Em meio à baixa taxa de vacinação contra a poliomielite no país, especialistas são unânimes: a doença pode voltar. A poliomielite atingiu cerca de 26 mil crianças entre 1968 e 1980. E as que sobreviveram garantem que tomar a vacina faria toda a diferença. A queda na imunização é um marco lamentável para a história do país hoje.

Apesar de já ter vacina disponível anos antes, foi apenas nos anos de 1980 que o Ministério da Saúde lançou a primeira campanha oficial contra a doença. A taxa, no entanto, vem caindo desde 2015 e chegou a 67,8% no ano passado.

Os fatores para a queda da vacinação são variados: movimentos antivacina, circulação de notícias falsas, mas principalmente ausências de campanha de vacinação em massa.

O pesquisador Fernando Verani, da Escola Nacional de Saúde Pública da FioCruz, avalia que faltam incentivos. O problema, segundo ele, é que os casos podem chegar por outros se o Brasil não estiver com mais de 95% de cobertura vacinal – como ocorreu com o sarampo, erradicado em 2016, mas que voltou dois anos depois. Mas o pesquisador garante: ainda dá tempo de evitar o pior – se as campanhas aumentarem.

‘O fato de não haver poliomielite não quer dizer que não podemos ter se pararmos de vacinar. Sim, podemos. Ainda há tempo de se reverter se começarmos ontem. O Brasil tem uma estrutura do SUS fabulosa, jamais podemos esquecer disso, é preciso mobilizar. Falta uma política que foque em estratégias mais concretas do que foram feitas no brasil e deram resultado’.

A luta, agora, é para evitar que o Brasil caminhe os mesmos passos de Israel ou Malawi, onde a doença estava erradicada, mas voltou a registrar casos neste ano por causa da baixa vacinação. A campanha aqui, no entanto, ainda enfrenta desafios: por meses o Programa Nacional de Imunizações ficou sem um chefe titular, desde que a coordenadora se demitiu em julho do ano passado. Uma nova coordenadora só foi nomeada em abril. Além disso, a pasta diminuiu entre 2020 e 2021 o gasto com publicidade para vacinação contra a poliomielite. E o alerta continua.

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