Cicatriz e amor

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Blog do Eloilton Cajuhy

Um menino tinha uma cicatriz no rosto, e as pessoas de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado. Na realidade, quando os colegas o viam franziam a testa devido à cicatriz ser muito feia. Então, a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não frequentasse mais o colégio. O professor levou o caso à diretoria, que ouviu e chegou à seguinte conclusão: Que não poderia tirar o menino do colégio, e que conversaria com o menino e ele seria o ultimo a entrar em sala de aula e o primeiro a sair, desta forma, nenhum aluno via o rosto do menino, a não ser que olhassem para trás.

O professor achou magnífica a ideia da diretoria. Sabia que os alunos não olhariam mais para trás. Levado ao conhecimento do menino da decisão, ele prontamente aceitou a imposição do colégio, com uma condição: Que ele compareceria na frente dos alunos em sala de aula, para dizer o por quê daquela cicatriz.

A turma concordou, e no dia o menino entrou em sala dirigiu-se à frente de todos e começou a relatar: – Sabe turma, eu entendo vocês. Na realidade, esta cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri: – Minha mãe era muito pobre e, para ajudar na alimentação de casa, ela passava roupa para fora. Eu tinha por volta de 7 a 8 anos de idade… A turma estava em silencio atenta a tudo.

O menino continuou: além de mim, havia mais três irmãozinhos, um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida. Silêncio total em sala. – Foi aí que não sei como, a nossa casa que era muito simples, feita de madeira, começou a pegar fogo. Minha mãe correu até o quarto em que estávamos pegou meu irmãozinho de 2 anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos e nos levou para fora. Havia muita fumaça, as paredes que eram de madeira, pegavam fogo e estava muito quente

Minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e disse-me para ficar com eles até ela voltar, pois tinha que ir pegar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chamas. Só que, quando minha mãe tentou entrar na casa em chamas, as pessoas que estavam ali, não deixaram ela buscar minha irmãzinha. Eu via minha mãe gritar: – “Minha filhinha está lá dentro!” Vi no rosto de minha mãe o desespero, o horror e ela gritava, mas aquelas pessoas não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha

Foi aí que decidi. Peguei meu irmão de 2 anos que estava em meu colo e o coloquei no colo do meu irmãozinho de 4 anos e disse-lhe que não saísse dali até eu voltar. Saí entre as pessoas, sem ser notado e, quando perceberam, eu já tinha entrado na casa. Havia muita fumaça, estava muito quente, mas eu tinha que pegar minha irmãzinha. Eu sabia o quarto em que ela estava.

Quando cheguei lá, ela estava enrolada em um lençol e chorava muito… Neste momento, vi caindo alguma coisa. Então, me joguei em cima dela para protegê-la, e aquela coisa quente encostou em meu rosto… A turma estava quieta atenta ao menino e envergonhada. Então o menino continuou: Vocês podem achar esta cicatriz feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda e todo dia quando chego em casa, ela, a minha irmãzinha, me beija porque sabe que é marca de amor.

Vários alunos choravam, sem saberem o que dizer ou fazer, mas o menino foi para o fundo da classe e, imovelmente, sentou-se.

Para você que leu esta história, queria dizer que o mundo está cheio de cicatrizes. Não falo da cicatriz visível, mas das cicatrizes que não se veem. Estamos sempre prontos a abrir cicatrizes nas pessoas, seja com palavras ou nossas ações.

Autor Desconhecido

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